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Microsoft abre o Tessera, HSM com criptografia pós-quântica, e padrões de energia no OCP

Capa do Watcher com o título Microsoft abre o Tessera, HSM pós-quântico
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

No OCP Global Summit, em San José, na Califórnia, a Microsoft anunciou em 13 de outubro de 2026 o Projeto Tessera. Ele transforma o HSM integrado do Azure, chip que guarda chaves criptográficas dentro de cada servidor novo da empresa, em projeto de código aberto com Marvell e Oracle. A comunicação entre HSMs usa criptografia pós-quântica. No mesmo evento, a Microsoft e parceiros entregaram ao OCP as versões 0.7 e 1.0 da especificação do Mt. Diablo, rack de energia de alta tensão para racks de cerca de 100 kW a mais de 1 MW, e a empresa abriu a arquitetura de referência do Mt. Atlas, trocador de calor que quase dobra a capacidade de refrigeração.

Em resumo

  • Tessera: o HSM integrado do Azure vira projeto aberto, com arquitetura, especificações, protocolos, drivers, software, firmware e ambiente de build reproduzível.
  • Pós-quântica: os protocolos entre HSMs usam criptografia pós-quântica. Os textos não dizem quais algoritmos.
  • Padrão: Marvell, Microsoft e Oracle criaram grupo de trabalho no OCP para padronizar o HSM integrado com proteção FIPS 140-3 nível 3.
  • Energia: Mt. Diablo, rack lateral de energia em corrente contínua de alta tensão, de cerca de 100 kW a mais de 1 MW, na transição para 800 VDC.
  • Refrigeração: Mt. Atlas, terceira geração do trocador de calor do Azure, quase dobra a capacidade no mesmo espaço.

O que é o Tessera?

Um HSM é um módulo de segurança de hardware. Ele guarda chaves criptográficas e executa as operações com elas sem deixar a chave sair. Nos data centers, o modelo comum é o HSM ligado pela rede. O comunicado da Marvell resume o problema: na maioria dos servidores de nuvem, as chaves atravessam a rede ou ficam em memória sem a proteção exigida pelo nível 3 do FIPS 140-3. O HSM integrado do Azure põe o módulo dentro do servidor, perto da carga de trabalho.

O Tessera leva essa arquitetura para o código aberto. O post assinado por Mark Russinovich, CTO do Azure, e Saurabh Dighe, vice-presidente corporativo da Microsoft, lista o que foi aberto: arquitetura, especificações, protocolos, drivers, software, firmware e ambientes de build reproduzíveis. A organização TesseraHSM no GitHub tinha seis repositórios em 14 de outubro, entre eles um driver para Linux em C, software em Rust e um repositório de RTL em SystemVerilog com licença Apache 2.0. A Microsoft diz que o projeto vai avançar para uma implementação de silício totalmente aberta, sem dar prazo.

O desenho mira a proteção FIPS 140-3 nível 3 em todo o ciclo de vida da chave. A versão de maior garantia é projetada para atender FIPS 140-3 nível 3 e Common Criteria. Há ainda uma pilha mínima de firmware, baseada em unikernel, para rodar em ambientes de computação confidencial. A primeira implementação usa o AMD SEV-SNP e se integra ao OpenVMM.

Onde entra a criptografia pós-quântica?

Os protocolos de comunicação entre HSMs do Tessera usam criptografia pós-quântica, e a arquitetura tem suporte nativo a algoritmos resistentes a computadores quânticos. A Microsoft escreveu que a infraestrutura de assinatura apoiada em HSM estará entre os primeiros sistemas críticos a migrar. Nenhum dos textos lidos diz quais algoritmos são usados.

No evento, Microsoft e Marvell demonstraram protocolos do Tessera para clonar partições e montar anéis de resiliência entre um HSM integrado Tessera e um HSM Marvell LiquidSecurity 2. Segundo a Microsoft, o domínio de segurança mantém chaves não exportáveis dentro de partições autorizadas.

Em paralelo, Marvell, Microsoft e Oracle criaram um grupo de trabalho na trilha de segurança do OCP. A meta é uma especificação aberta para cache seguro de chaves e gestão do ciclo de vida delas no nível do servidor. O primeiro rascunho estava previsto para a época do evento, de 12 a 15 de outubro, e a versão 1.0 vem depois, segundo a Marvell. Pradeep Vincent, vice-presidente executivo da Oracle, disse que o esforço busca “estabelecer uma base comum para adoção em toda a indústria”.

As fontes divergem em algum ponto?

Em dois. O primeiro é o estágio da abertura. O Tech Insider informou que o firmware já estava disponível e que o driver e a pilha de software estavam planejados. O post da Microsoft inclui drivers e software no que foi aberto, e o GitHub já mostra repositórios de driver e de software. O que segue sem prazo é a implementação completa de silício aberto.

O segundo é a certificação. O igor’sLAB lembra que a meta de FIPS 140-3 nível 3 depende da validação de cada implementação específica. Nenhuma das fontes informa data de certificação. O blog Beyond Cloud with Chriz faz o mesmo alerta e recomenda não tratar o anúncio como instrução de migração para quem usa o Azure Key Vault Managed HSM, serviço separado.

O que são o Mt. Diablo e o Mt. Atlas?

O Mt. Diablo é um rack lateral de energia. Ele fica ao lado do rack de computação e faz a conversão de energia, para que cada um cresça de forma independente. É modular, vai de cerca de 100 kW a mais de 1 MW, tem alimentação redundante, telemetria e armazenamento de energia opcional. A Microsoft e parceiros do OCP entregaram as especificações 0.7 e 1.0, segundo o blog de Reynold D’Sa e Rani Borkar, da Microsoft.

O projeto vem de antes. Em outubro de 2025, o OCP apresentou o Diablo 400 como especificação de autoria conjunta de Google, Meta e Microsoft, para trocar os 48 VDC usados até então por ±400 VDC ou 800 VDC. Em agosto de 2026, segundo a Converge Digest, Google, Microsoft e Nvidia alinharam interfaces comuns de 800 VDC no OCP, com mais de 80 parceiros no ecossistema e um Mt. Diablo 2.0 planejado para operar de forma nativa em 800 V.

O Mt. Atlas é a terceira geração da unidade de troca de calor do Azure. Segundo a Microsoft, quase dobra a capacidade de refrigeração da geração anterior no mesmo espaço físico. A empresa publica a arquitetura de referência pelo OCP. O texto não dá números em kW. A Microsoft descreve também a refrigeração por zonas nos data centers novos, com vários circuitos de água independentes, cada um numa temperatura, para atender aceleradores com refrigeração líquida ao lado de sistemas a ar.

Como chegamos até aqui?

A Microsoft repete no Tessera o modelo que usou no Caliptra, raiz de confiança em silício de código aberto criada com parceiros e que, segundo a empresa, foi amplamente adotada pela indústria. O OCP Global Summit desta semana concentrou anúncios de infraestrutura aberta. A Marcio.AI cobriu o rack de rede IcePack, que a Meta levou ao OCP, e o Helion, rack aberto da AMD. A Microsoft usou o mesmo post para listar o Maia 300, o Cobalt 200 e a rede MRC.

O que isso significa para empresas brasileiras?

Bancos, adquirentes, emissores de cartão e autoridades certificadoras usam HSM para proteger chaves de assinatura, de PIN e de criptografia. Para esse público, o Tessera traz duas novidades práticas. Uma especificação aberta reduz a dependência de protocolos proprietários de um só fabricante. E a comunicação pós-quântica entre HSMs dá um exemplo concreto de migração. A Microsoft aponta a infraestrutura de assinatura como uma das primeiras a migrar, e o raciocínio vale para quem assina transações e documentos no Brasil.

O primeiro passo é o inventário: quais sistemas usam HSM, onde ficam as chaves, que algoritmos estão em uso e quem autoriza a recuperação. Quem usa HSM gerenciado no Azure não tem o que mudar agora. O Tessera ainda é projeto aberto e padrão em formação.

Para quem constrói data center no Brasil, o Mt. Diablo e o padrão de 800 VDC indicam a direção dos racks de IA de alta densidade. Projetos desenhados hoje só para racks de dezenas de kW podem precisar de adaptação para receber racks de centenas de kW.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: em dois anos, o HSM dentro do servidor vira padrão nas grandes nuvens, e os fabricantes de HSM de rede passam a competir em interoperabilidade com especificações abertas como a do Tessera. Sinais para conferir: o rascunho e a versão 1.0 da especificação do grupo de trabalho no OCP, a lista de algoritmos pós-quânticos usados, uma data para a certificação FIPS 140-3 nível 3 de uma implementação Tessera, a entrada de outras nuvens e fabricantes no grupo e o que a Microsoft mostrar sobre o tema no Ignite, de 17 a 20 de novembro.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção DeepTech do Watcher.

#MarcioAI #Microsoft #CriptografiaPosQuantica #HSM #OpenCompute #DataCenter #Ciberseguranca

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Meta leva ao OCP o rack de rede IcePack, de 102,4 Tb/s e AMD apresenta o Helion, rack aberto para agentes de IA.

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