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Meta leva ao OCP o rack de rede IcePack, de 102,4 Tb/s, e Ethernet para ligar aceleradores

Capa do Watcher com o título Meta abre o rack de rede IcePack no OCP
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Meta usou o OCP Global Summit, em San Jose, para mostrar como vai ligar as GPUs dos seus clusters de IA de gigawatts. Em texto publicado em 12 de outubro, a equipe de infraestrutura de rede apresentou o IcePack, primeiro rack de rede da empresa com refrigeração líquida, com lâminas IceCube de 102,4 Tb/s em duas versões: chip Broadcom Tomahawk 6 ou Nvidia Spectrum-6. A Meta também detalhou o Tahan, switch Ethernet que liga os aceleradores MTIA 300, e o andamento do ESUN, padrão aberto de Ethernet para scale-up.

Em resumo

  • IcePack: rack de rede com refrigeração líquida no padrão ORV3-HPRv1 da OCP. Cada lâmina IceCube tem 128 portas de 800G, o dobro da banda das plataformas de 51,2 Tb/s.
  • Dois fornecedores: uma versão usa o Tomahawk 6 da Broadcom e outra o Spectrum-6 da Nvidia, que chama a sua de N-IceCube. As duas rodam o FBOSS, sistema de rede aberto da Meta.
  • Malha mais rasa: cada GPU usa oito links de 100G, um por plano de rede, e a malha cai de três para duas camadas.
  • Ethernet no scale-up: o Tahan liga 16 aceleradores MTIA 300 com 6,4 Tb/s para cada um e já está em uso. A próxima lâmina deve adotar o ESUN.
  • Leitura: a Meta quer Ethernet em todas as camadas da rede de IA, com dois fornecedores de chip e software próprio. Isso diminui a dependência de uma pilha fechada.

O que é o IcePack?

O IcePack é um rack de rede resfriado a líquido, montado no padrão ORV3-HPRv1 da OCP. Dentro dele ficam as lâminas IceCube, switches de 102,4 Tb/s com 128 portas de 800G sem bloqueio. A Meta diz que a banda dobrou em relação às plataformas de 51,2 Tb/s. O alvo é densidade de energia, eficiência térmica e clusters de IA na escala de gigawatts.

O IceCube sai em duas versões, uma com o Tomahawk 6 da Broadcom e outra com o Spectrum-6 da Nvidia. A Nvidia confirmou no próprio blog que a Meta vai usar o Spectrum-6 para montar fábricas de IA maiores com a plataforma Vera Rubin, e chama essa versão de N-IceCube. O Spectrum-6 tem o dobro da capacidade de comutação do Spectrum-4, com 200G por pista. Segundo o SDxCentral, o chip estreou em julho e já tinha Microsoft, CoreWeave, Nebius e SpaceXAI como clientes. “Estender o FBOSS aos ASICs Spectrum significa que podemos rodar a mesma pilha de software em todas as nossas malhas”, disse Omar Baldonado, diretor sênior de rede de data center e IA da Meta, segundo o SDxCentral.

Como a Meta organiza a rede entre as GPUs?

A malha se chama Flattened Planar Fabric. Cada GPU se liga por oito links independentes de 100G a oito switches diferentes, um por plano de rede. A Meta saiu de uma topologia Clos de três camadas para uma de duas, com menos saltos, menos latência e menor custo. O balanceamento começa na placa de rede, que espalha os pacotes pelos oito planos no hardware. Se um plano falha, o servidor desvia o tráfego. A Meta desenvolveu a malha com a Nvidia, que diz que o modelo multiplano passa de 100 mil GPUs.

Acima disso fica a camada que liga prédios e regiões, chamada BAG. É uma super-espinha em Ethernet com dezenas de petabits por segundo entre um par de regiões. Ela atende o Prometheus, de cerca de 1 GW em 2026, e o Hyperion, que caminha para 5 GW. A latência entre malhas é várias vezes maior que dentro de uma malha. Quando uma réplica de treino falha, ela sai do processo e as outras continuam sincronizando.

E a Ethernet dentro do rack de aceleradores?

Para ligar os aceleradores entre si, no chamado scale-up, a Meta usa o Tahan. Ele roda sobre o Tomahawk 5 da Broadcom, de 51,2 Tb/s, com 64 portas de 800G, metade delas ligada aos aceleradores pelo backplane. Quatro Tahan conectam 16 chips MTIA 300 sem bloqueio, com 6,4 Tb/s por acelerador. Usa o mesmo transporte RoCE da rede de scale-out e já está em operação.

A próxima lâmina terá 216 portas de 400G no Tomahawk 6. Oito delas ligam 72 aceleradores por rack, e uma versão futura vai adotar o ESUN, sem data anunciada. O ESUN nasceu dentro da OCP em 2025, por iniciativa da Meta, com AMD, Arista, ARM, Broadcom, Cisco, HPE, Marvell, Microsoft e Nvidia. A especificação base 1.0, de requisitos de operador, saiu antes, ainda em 2026. A 1.1, com perfis de switch, está perto de sair. A Meta também submeteu à OCP a versão 1.0 do OSPA, padrão de plataforma de switch criado com Microsoft e Alibaba, e anunciou implementações abertas do MetaRoCE.

Como chegamos até aqui?

No OCP de outubro de 2025, a Meta mostrou uma malha de três camadas e o switch Minipack3N, de 51 Tb/s, sobre o Spectrum-4 da Nvidia, segundo a Network World. Foi ali que o ESUN apareceu, com uma lista de membros que incluía também OpenAI e Oracle. Um ano depois, a banda por switch dobrou, a malha perdeu uma camada e a refrigeração líquida chegou ao rack de rede.

O desenho multiplica conexões ópticas. Cada GPU com oito links precisa de mais transceptores, e a Marcio.AI mostrou em 12 de outubro que a Lumentum diz ter a óptica para IA vendida até o início de 2029.

O que isso muda para data centers no Brasil?

A escolha da Meta mostra que Ethernet aguenta a maior escala de treino de IA, do scale-up ao enlace entre regiões. Para provedores brasileiros que montam capacidade de IA, isso amplia as opções de fornecedor de rede e aproveita equipes que já operam Ethernet. Os projetos da OCP são abertos, e integradores locais podem usá-los como referência.

O segundo recado está na obra. A refrigeração líquida saiu do servidor e chegou ao rack de rede. Quem projeta sala para cluster de IA no país precisa prever circuito líquido também nas fileiras de switches.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: a Meta usa dois fornecedores de chip e software próprio para ganhar poder de compra, e o ESUN é a peça que leva essa lógica para dentro do rack, onde hoje dominam interconexões proprietárias. Ganha quem vende chip de switch Ethernet. Perde a margem de quem cobra pela pilha fechada.

Sinais para conferir até o fim de 2026. A publicação do ESUN 1.1. Uma data para a lâmina de scale-up com ESUN. O código do MetaRoCE no GitHub. E um segundo grande comprador de IA anunciando scale-up em Ethernet com ESUN.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção DeepTech do Watcher.

#MarcioAI #Meta #OCP #Ethernet #DataCenter #RedesDeIA

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Lumentum diz que a óptica para IA está vendida até o início de 2029 e Corrida global por data centers chega ao Brasil.

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