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Microsoft lança o Maia 300 e vai rodar o Copilot em chip próprio em escala de gigawatts

Capa do Watcher com o título Maia 300: Microsoft leva o Copilot para chip próprio
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Na segunda, 12 de outubro, a Microsoft apresentou o Maia 300, terceira geração do seu chip de IA, e anunciou que vai instalar o sistema Azure Maia em escala de vários gigawatts a partir de 2027. A ideia é fazer do Maia o principal sistema de inferência dos produtos da empresa, com o Copilot à frente. O chip junta peças de computação em 2 nm da TSMC com oito pilhas de memória HBM4. A Microsoft promete 40% mais tokens por megawatt que “os principais sistemas baseados em GPU”, sem dizer quais. Segundo a Reuters, a empresa pode instalar mais de um milhão de unidades no ano que vem.

Em resumo

  • O chip: computação no processo N2P da TSMC, de 2 nm, oito pilhas de HBM4 com 288 GB e 18 TB/s, e 950 W por chip. Pela ficha divulgada no anúncio, são 13,8 petaflops em FP4, segundo o tech-ish.
  • O rack: 96 aceleradores em 167 kW, o dobro da densidade do Maia 200. Um superpod junta até 128 racks e 12.288 aceleradores.
  • A promessa: 40% mais tokens por megawatt que sistemas de GPU não nomeados e até 7 vezes a vazão de tokens de um rack do Maia 200.
  • A escala: implantações de vários gigawatts a partir de 2027. A Reuters fala em potencialmente mais de um milhão de chips. A Microsoft não deu número de chips nem de gigawatts.
  • Leitura: energia virou o limite da IA. Quem desenha o próprio chip passa a controlar o custo de cada resposta do Copilot.

O que é o Maia 300?

É um acelerador feito para inferência, a etapa em que o modelo já treinado responde ao usuário. O detalhamento técnico saiu no blog do Azure, assinado por Rani Borkar, presidente de sistemas de hardware e infraestrutura do Azure, e Saurabh Dighe, vice-presidente de planejamento e arquitetura de sistemas. O alvo declarado são agentes: tarefas em várias etapas, contexto longo e uso de ferramentas.

O Maia 300 deixa de ser um chip único. A parte de computação vai para o N2P da TSMC. Controlador de memória e entrada e saída ficam em peças separadas, otimizadas para banda, conexão e custo. A Reuters informa que essas peças usam 3 nm, tecnologia mais barata. Contra o Maia 200, a Microsoft fala em 36% mais capacidade de cálculo, 2,5 vezes a banda de memória, 33% mais memória e 14% mais banda entre chips. O chip também traz formatos de número de baixa precisão, como um MXFP4 aprimorado e armazenamento abaixo de 3 bits.

O rack tem 24 bandejas com quatro aceleradores cada, seis switches próprios e alimentação em barramento de 50 V. A refrigeração líquida tira mais de 80% do calor do rack. A rede é própria, baseada em Ethernet, com cabos elétricos dentro do rack e ópticos entre racks.

Quanto ele entrega contra as GPUs?

A Reuters fez a comparação mais direta. Um rack de Maia 300 leva 96 chips e consome cerca de 167 kW. Um rack GB300 da Nvidia leva 72 GPUs e consome 142 kW. A Nvidia usa um chip grande cercado de memória, e a Microsoft dividiu o chip em peças.

O número de 40% aparece com três redações. O blog oficial fala em tokens por megawatt. Satya Nadella, CEO da Microsoft, escreveu tokens por watt em publicação nas redes sociais. A Reuters fala em computação útil por megawatt. A proporção é a mesma nas três. O problema está na base de comparação: a Microsoft não diz quais sistemas de GPU usou, ponto levantado pela Reuters, pelo tech-ish e pelo SiliconSnark. O blog também diz que a empresa “espera” o ganho, ou seja, é uma projeção para um chip que só entra em produção em 2027.

O ganho de 7 vezes por rack também pede cuidado. O tech-ish lembra que parte dele vem de o rack ter o dobro de chips. Em janeiro, a Microsoft comparava o Maia 200 com o Trainium da Amazon e o TPU do Google, segundo o DatacenterDynamics. Agora as comparações só envolvem GPUs sem nome e o próprio Maia 200.

Por que o Copilot vai rodar em chip próprio?

O Maia 200 já atende cargas de produção, incluindo o Copilot, segundo a Technobezz e o SiliconSnark. A Microsoft diz que ele entrega até 1,7 vez os tokens por watt das GPUs nos recursos de IA do Teams, do Copilot e do Cowork. Roda modelos da OpenAI, os modelos MAI da própria Microsoft e modelos abertos. GitHub Copilot e Microsoft Foundry entram nele até o fim de 2026. A partir de 2027, o Maia passa a ser a base principal de inferência dos produtos da empresa, segundo a Exame.

A razão é custo de energia. Rani Borkar disse à Reuters que o objetivo é entregar “mais inteligência por watt, por dólar e por byte de memória”. Alistair Speirs, gerente geral da Microsoft, disse à CNBC que energia se converte quase direto em custo de operação do data center, segundo o WindowsForum. Ele não deu prazo para a meta de gigawatts. A Microsoft prevê mais de US$ 175 bilhões em investimento de capital neste ano, segundo a Reuters. Nadella chamou o Maia 300 de “nossa maior aposta até agora em silício próprio”.

A Nvidia segue no jogo. A Exame registra que a Microsoft mantém as parcerias com Nvidia e AMD e prepara data centers para os sistemas Vera Rubin. O que muda é a fatia: a inferência dos produtos da casa tende a ir para o Maia.

Como chegamos até aqui?

O Maia 100 foi anunciado em novembro de 2023, junto com o processador Cobalt 100. O Maia 200 veio em 26 de janeiro de 2026, em 3 nm da TSMC, primeiro numa região perto de Des Moines, no Iowa, com Phoenix na fila. Na época a Microsoft prometia 30% mais desempenho por dólar, segundo o DatacenterDynamics. Hoje o argumento principal é energia.

Em 10 de agosto, o The Information publicou que a Microsoft negociava com a TSMC capacidade para mais de 300 mil Maia 300 com entrega em 2027, segundo a Techzine. Andrew Wall, gerente geral do Azure Maia, respondeu ao eWeek que a empresa não divulga volumes, mas que os números publicados “não refletem a escala do nosso programa”. O eWeek registrou ainda que a Microsoft discutiu fornecer o Maia à Anthropic, sem acordo fechado. Agora a Reuters fala em mais de um milhão de chips no ano que vem. A Microsoft não confirma nenhum dos dois números, e o WindowsForum nota que o anúncio oficial não traz contagem de chips.

O movimento conversa com dois assuntos recentes da Marcio.AI. A Marvell projetou receita de até US$ 90 bilhões em 2031 apoiada em chips sob medida para as grandes nuvens. E a Microsoft cortou mais de um terço do gasto interno previsto com o Claude, segundo o The Information, informação ainda não confirmada. Os dois sinais apontam para a mesma disciplina: as grandes nuvens querem controlar o custo de cada token.

O que muda para empresas brasileiras?

No curto prazo, nada que apareça na fatura. O Maia 200 está em regiões dos Estados Unidos, da Europa e da Austrália. Nenhuma fonte cita região brasileira. A Exame lembra que eficiência maior não significa por si só preço menor. O tech-ish nota que não se sabe se a economia vai chegar ao preço ou aos limites de uso do Copilot, nem se clientes do Azure vão poder alugar o Maia 300 direto.

Para o CIO brasileiro, a pergunta muda de lugar. Licença de Copilot não diz em que hardware a carga roda. Quem usa o Foundry com exigência de dados processados no Brasil precisa perguntar à Microsoft em que região e em que chip o modelo vai rodar, e se o preço por token muda quando a carga sair de GPU para Maia. Para o arquiteto, o mesmo modelo da OpenAI pode rodar em GPU ou em Maia sem o usuário perceber. O risco de dependência fica na plataforma Azure e no Foundry, e é ali que vale negociar cláusula de portabilidade e de preço.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: a Microsoft vai usar o Maia 300 primeiro para ganhar margem no Copilot e no Foundry, e só depois para baixar preço. A Nvidia perde fatia da inferência interna da Microsoft a partir de 2027, mas mantém o treinamento e os clientes externos do Azure. Quatro sinais para conferir. O balanço do primeiro trimestre fiscal, em 28 de outubro, com o investimento de capital e qualquer comentário sobre o Maia. O Ignite, em São Francisco, de 17 a 20 de novembro, onde a empresa prometeu mais detalhes: a base de comparação dos 40%, o número de gigawatts e se o Maia 300 vai ser alugado a clientes. A chegada de GitHub Copilot e Foundry ao Maia 200 até dezembro. E um cliente externo de peso, como a Anthropic, que já negociou com a Microsoft.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção DeepTech do Watcher.

#MarcioAI #Maia300 #Microsoft #Chips #Inferencia #Copilot #Azure

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Marvell projeta até US$ 90 bilhões de receita em 2031 com chips sob medida e Microsoft corta um terço do gasto interno com o Claude e Meta reduz usuários (não confirmado).

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