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Anthropic fecha contrato de nuvem com a IREN, mineradora que virou data center (não confirmado)

Capa do Watcher com o título Anthropic fecha nuvem com a IREN (não confirmado)
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Anthropic assinou um contrato plurianual de nuvem com a IREN, empresa listada na Nasdaq que troca a mineração de bitcoin por data centers de IA, segundo a The Information. Nenhuma das duas anunciou o acordo, e valor e prazo não foram divulgados. A reportagem, repercutida no domingo, 11 de outubro, encaixa o contrato numa carteira de cerca de US$ 530 bilhões em aluguéis de data centers que a Anthropic já assinou e quer ver funcionando mais cedo. Na segunda, 12, a ação da IREN subiu 5,5% no pregão, segundo o Investing.com.

Em resumo

  • O fato: contrato plurianual de nuvem entre Anthropic e IREN, segundo a The Information, com base em pessoas a par da relação. As empresas não confirmaram.
  • O que falta: valor, prazo, capacidade e local do contrato não foram divulgados.
  • A carteira: cerca de US$ 530 bilhões em aluguéis de data centers, pela conta da The Information. O prospecto citado pela Reuters em setembro falava em US$ 518 bilhões em compromissos com seis parceiros.
  • A conta: ligar um único site de 245 MW um mês antes do previsto renderia mais de US$ 1,3 bilhão em receita à Anthropic, segundo análise da The Information.
  • Mercado: a IREN subiu 5,5% no pregão de segunda, segundo o Investing.com. A TradingKey registrou 8,75% no pregão noturno.

O que se sabe do acordo?

A informação vem da The Information, que tem paywall. O AI Weekly, que resumiu a reportagem, diz que pessoas a par da relação descreveram o contrato como plurianual. O Investing.com registra que não confirmou o acordo de forma independente. Anthropic e IREN não comentaram em nenhuma das fontes consultadas.

O texto da The Information é da newsletter de infraestrutura de IA assinada por Ann Davis Vaughan. Segundo o AI Weekly, ela escreve que a expansão da Anthropic depende cada vez mais de mineradoras de bitcoin atuais e antigas, como Hut 8, TeraWulf, IREN e Nscale. Essas empresas têm algo difícil de conseguir: conexão à rede elétrica, muitas vezes em antigos sites de fundição e de hidrogênio. A Anthropic já tinha divulgado acordos com AWS, Google e mais de uma dúzia de outros fornecedores.

Há um rastro anterior. No balanço anual divulgado em 27 de agosto, a IREN anunciou um novo contrato plurianual de nuvem com um laboratório de IA de fronteira, sem dizer o nome. A TradingKey trata esse cliente como a Anthropic. A IREN não confirmou.

Por que a Anthropic tem pressa?

A chamada da reportagem resume o argumento: cada servidor que a Anthropic liga mais cedo pode ser muito lucrativo, segundo análise de sites de data center que estão para entrar em operação. A conta citada pelo AI Weekly, pelo Dataconomy e pelo TechBriefly é que antecipar em um mês um site com 245 MW de capacidade útil somaria mais de US$ 1,3 bilhão à receita da Anthropic.

Uma divergência aparece no título do AI Weekly, que fala em US$ 1,3 bilhão por mês. O corpo do mesmo texto e as demais fontes descrevem o ganho de um único mês de antecipação. Este post segue a versão do corpo.

Os dois números da carteira também pedem leitura cuidadosa. Os US$ 530 bilhões da The Information se referem a contratos de aluguel de data centers já assinados. Os US$ 518 bilhões do prospecto, segundo a Reuters, são compromissos de computação e infraestrutura com seis parceiros ao longo de cerca de dez anos, com 80% sem possibilidade de cancelamento: Broadcom, Google, Amazon, xAI, Microsoft e AMD. A IREN não aparece nessa lista. As fontes não detalham como a The Information chegou aos US$ 530 bilhões.

Quem é a IREN?

A IREN está no meio da troca de negócio. No ano fiscal de 2026, a receita de nuvem de IA subiu cerca de oito vezes, para US$ 128,8 milhões. A mineração de bitcoin ainda trouxe US$ 578,2 milhões de uma receita total de US$ 707,0 milhões. O prejuízo líquido foi de US$ 702,6 milhões, puxado por US$ 638,8 milhões em baixas contábeis de equipamento de mineração.

A empresa diz ter US$ 1 bilhão de receita anualizada em operação e US$ 4 bilhões contratados para a capacidade de 2026, que está quase toda vendida. Contratos recentes de três anos rendem mais de US$ 20 milhões por MW de TI, com retorno do investimento em cerca de dois anos. As conversas em andamento chegam perto de US$ 25 milhões por MW. O maior cliente divulgado é a Microsoft, com quatro implantações de 50 MW em Childress, no Texas, financiadas por US$ 3,6 bilhões em dívida a 6%.

O plano é chegar a cerca de 0,3 GW de TI entregues em 2026 e 0,8 GW em 2027, com carteira de mais de 5 GW em projetos no Texas, em Oklahoma, na Espanha e na Austrália. Lá fica o Bundey, campus planejado de 800 MW no sul do país, com conexão de transmissão garantida, segundo o Dataconomy. O mesmo veículo lembra que, em julho, a Australian Financial Review informou que a Anthropic buscava ao menos 1,4 GW de capacidade na Austrália e que a IREN estava entre as empresas consultadas. Antes da alta de segunda, a ação acumulava queda de 6,8% no ano, segundo o Investing.com.

Como chegamos até aqui?

Em 30 de setembro, a Marcio.AI mostrou os números do prospecto confidencial da Anthropic, com receita de US$ 4,6 bilhões em 2025 e US$ 518 bilhões em compromissos de nuvem. Em 1º de outubro, veio o empréstimo de até US$ 42 bilhões da Broadcom para chips, com a estreia na bolsa prevista para a segunda metade de novembro, também noticiada pela Marcio.AI. O contrato com a IREN mostra a outra ponta desse esforço: além dos grandes provedores, a Anthropic compra capacidade de quem já tem energia ligada.

O que isso significa para o Brasil?

A escala ajuda a medir. Segundo dados da JLL publicados pela Marcio.AI em 3 de outubro, o Brasil tem 706 MW de data centers em operação. Um único site de 245 MW da conta da The Information equivale a cerca de um terço disso. O Bundey, sozinho, passaria de toda a capacidade brasileira em operação.

A lição para quem investe em data center no país é sobre energia. A JLL aponta a energia como o principal freio do setor no Brasil. As ex-mineradoras ganharam contratos de laboratórios de IA porque já tinham conexão à rede. Projetos brasileiros com conexão garantida e energia renovável ganham poder de negociação com clientes desse porte. Os que esperam conexão sem data ficam para trás.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: na corrida por capacidade, a conexão à rede elétrica virou o ativo mais escasso, e as ex-mineradoras de bitcoin vão fechar mais contratos com laboratórios de IA a preços acima de US$ 20 milhões por MW. Ganham IREN, Hut 8, TeraWulf e Nscale. Os grandes provedores de nuvem perdem parte da exclusividade sobre a demanda da Anthropic. O risco para as ex-mineradoras é a concentração: um cliente só pode responder por boa parte da receita contratada.

Sinais para conferir até o fim de novembro: confirmação oficial do contrato pela IREN ou pela Anthropic, o próximo balanço trimestral da IREN e o nome do laboratório de fronteira, a versão pública do prospecto da Anthropic antes da estreia na bolsa e se ela traz a IREN e os US$ 530 bilhões, e novos contratos de Hut 8, TeraWulf e Nscale com laboratórios de IA.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Prospecto da Anthropic mostra receita de US$ 4,6 bi e US$ 518 bi em contratos de nuvem e Corrida global por data centers chega ao Brasil.

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