
A Marvell usou o Investor Day de 6 de outubro de 2026, em Nova York, para apresentar uma meta de receita de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões no ano fiscal 2031. Também elevou para cerca de US$ 20 bilhões a previsão do ano fiscal 2028, que em agosto era de US$ 18 bilhões. A aposta está nos chips sob medida para grandes nuvens e nas conexões entre servidores. A ação chegou a subir 11% no dia e puxou a Broadcom.
Em resumo
- Meta de longo prazo: US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões de receita no ano fiscal 2031, perto de dez vezes os US$ 8,2 bilhões do ano fiscal 2026.
- Revisão de curto prazo: cerca de US$ 12 bilhões no ano fiscal 2027 e cerca de US$ 20 bilhões no ano fiscal 2028, acima dos US$ 18 bilhões de agosto.
- Chips sob medida: receita acima de US$ 12 bilhões no ano fiscal 2029 e cerca de US$ 30 bilhões no cenário de US$ 80 bilhões em 2031.
- Conexões: cerca de US$ 37,5 bilhões em interconexão no mesmo cenário, o maior bloco da meta.
- Mercado: Marvell subiu até 11% no dia e a Broadcom até 4,6%. Ao menos 14 corretoras elevaram o preço-alvo.
O que a Marvell prometeu?
A empresa mostrou um caminho para faturar US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões por ano no ano fiscal 2031, segundo o Motley Fool e o Stocktwits. O ano fiscal da Marvell termina no início do ano civil seguinte. O ano fiscal 2026, encerrado em janeiro, teve receita de US$ 8,2 bilhões, alta de 42%. O meio da faixa equivale a quase dez vezes esse número.
O Stocktwits detalhou o cenário central de US$ 80 bilhões. Nele, cerca de US$ 30 bilhões vêm de chips sob medida (os ASICs, desenhados para um cliente específico) e cerca de US$ 37,5 bilhões vêm de interconexão, as peças que movem dados dentro e entre data centers. A meta de chips sob medida para o ano fiscal 2029 subiu de mais de US$ 10 bilhões para mais de US$ 12 bilhões.
Para o ano fiscal 2028, a previsão subiu para cerca de US$ 20 bilhões. O consenso acompanhado pela FiscalAI era de US$ 18,1 bilhões. O presidente Matt Murphy disse à CNBC que a revisão veio “principalmente por causa da conectividade”. As fontes divergem no percentual. O Motley Fool fala em alta de 50% em um texto e de 67% em outro. A conta sobre os US$ 12 bilhões do ano fiscal 2027 dá 67%.
Por que chips sob medida?
Murphy argumentou que as GPUs da Nvidia continuam a base da IA, mas que as maiores nuvens usam cada vez mais chips próprios para cortar custo e ganhar eficiência. A Marvell projeta o chip, e o cliente define para que serve. O Business News Today cita como exemplos a TPU do Google, o Trainium e o Inferentia da AWS e os aceleradores da Microsoft.
Murphy disse que a meta de US$ 30 bilhões em chips sob medida “não é exagero”. Ele lembrou que o mercado desses chips deve chegar a US$ 235 bilhões em 2030, o que daria à Marvell cerca de 13% de participação. O Motley Fool registra outra estimativa apresentada no evento: mercado total endereçável de US$ 400 bilhões em 2030.
Uma peça já está assinada. Em julho, a Marvell fechou acordo com o Google para chips ligados ao ecossistema da TPU e emitiu ao Google um bônus de subscrição de até 59 milhões de ações. A maior parte só é liberada conforme o Google compra produtos sob medida, em parcelas de US$ 500 milhões até o ano fiscal 2033. O Business News Today ressalta que isso não é compromisso de compra.
Como chegamos até aqui?
Em junho de 2025, num evento sobre IA sob medida, a Marvell estimou o mercado de data centers em US$ 94 bilhões até 2028 e mirou 20% de participação, segundo o TIKR. A ação vinha de queda de 33% no ano. Dezesseis meses depois, a ação acumula alta de cerca de 223% em 2026, segundo o Stocktwits.
No segundo trimestre fiscal, divulgado em agosto, a receita foi de US$ 2,739 bilhões, alta de 37%, com US$ 2,17 bilhões de data centers. Murphy chamou as encomendas de IA de “excepcionalmente robustas” e disse que o maior efeito dos programas com o Google viria a partir do ano fiscal 2029.
Como o mercado reagiu?
A ação da Marvell chegou a subir 11% na manhã de 6 de outubro e devolveu parte do ganho ao longo do dia. A Broadcom, maior rival em chips sob medida, subiu até 4,6%, segundo o Motley Fool. Até 7 de outubro, ao menos 14 corretoras elevaram o preço-alvo da Marvell. A Oppenheimer e o RBC foram a US$ 425. O JPMorgan vê “caminho crível” para lucro de US$ 35 por ação em 2030. O Morgan Stanley, que mantém recomendação neutra, questionou se a empresa precisava pôr a régua tão alta.
Para empresas brasileiras, o efeito é indireto. Quem usa nuvem pública vai rodar cada vez mais IA em chips desenhados pelo próprio provedor. Isso muda preço, disponibilidade de instâncias e portabilidade entre nuvens. Vale incluir essa variável na escolha de fornecedor.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI é cautelosa: a meta de 2031 depende de poucos clientes grandes, e o acordo com o Google só vira receita se o Google comprar. Quem ganha se o plano andar são as nuvens que querem depender menos da Nvidia. Quem perde margem é a própria Nvidia nas cargas de inferência. Sinais para conferir até o próximo balanço trimestral: confirmação dos US$ 12 bilhões para o ano fiscal 2027, novos contratos de chips sob medida com clientes nomeados e a primeira receita da óptica de escala vertical, que Murphy disse estar em zero neste ano.
Fontes
- Marvell, Marvell Investor Day 2026, 06/10/2026
- The Motley Fool, Why Marvell Stock Rallied Tuesday Morning, 06/10/2026
- Stocktwits via TradingView, Marvell Investor Day: MRVL Stock Rockets As Firm Lays Out Path To Up To $90B In Annual Revenue By Fiscal 2031, 06/10/2026
- Stocktwits, Marvell CEO Says $30B Custom Chip Target Is Not a Stretch, 07/10/2026
- Business News Today, Marvell targets up to $90bn revenue by 2031 as custom AI silicon outlook explodes, 07/10/2026
- The Motley Fool, Why Broadcom Stock Popped Tuesday Morning, 06/10/2026
- TIKR, Marvell Stock Surges 7% After AI Event Shows a Robust Growth Pipeline, 20/06/2025
Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.
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Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
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