Micron fatura US$ 54,2 bilhões no trimestre e projeta US$ 61,5 bilhões para o próximo

Capa do Watcher com o título Micron fatura US$ 54,2 bi e prevê US$ 61,5 bi
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Micron Technology divulgou em 30 de setembro de 2026 o resultado do quarto trimestre do ano fiscal encerrado em 3 de setembro. A receita foi de US$ 54,23 bilhões, alta de 379% sobre o mesmo trimestre de 2025. Para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, a empresa projeta US$ 61,5 bilhões, com margem de US$ 1,5 bilhão para mais ou para menos. As duas cifras ficaram acima do que o mercado esperava.

Em resumo

  • Trimestre: receita de US$ 54,23 bilhões, contra US$ 41,46 bilhões no trimestre anterior e US$ 11,32 bilhões um ano antes. Margem bruta de 87%.
  • Ano fiscal: receita de US$ 133,19 bilhões, contra US$ 37,38 bilhões no ano anterior. Pela primeira vez, a receita anual de DRAM passou de US$ 100 bilhões.
  • Projeção: US$ 61,5 bilhões para o próximo trimestre, acima dos cerca de US$ 57 bilhões esperados por analistas.
  • Demanda: mais de 75% da produção do ano fiscal de 2027 já está comprometida com clientes e contratos.
  • Ação: reação pequena depois do fechamento, com leituras de queda de 0,8% a alta de 1,6% conforme o horário.

O que a Micron anunciou?

Segundo o comunicado da empresa, o lucro líquido do trimestre foi de US$ 37,70 bilhões pelo critério contábil, ou US$ 32,87 por ação. No critério ajustado, o lucro por ação foi de US$ 33,42. A margem bruta ficou em 86,8% no critério contábil e 87% no ajustado. No ano fiscal, o lucro líquido chegou a US$ 84,97 bilhões e o investimento em fábricas e equipamentos somou US$ 27,37 bilhões.

A TheStreet compara com o consenso: receita esperada de US$ 51,07 bilhões e lucro ajustado por ação de US$ 31,61. O Investing.com usa outra base, com receita esperada de US$ 50,45 bilhões e lucro de US$ 31,16 por ação. Nas duas bases, a Micron superou a expectativa em cerca de 6% a 7%.

Para o primeiro trimestre fiscal de 2027, a projeção é de receita de US$ 61,5 bilhões, margem bruta ajustada de cerca de 86,25% e lucro ajustado de US$ 38,15 por ação. A TheStreet registra expectativa de mercado de US$ 57,02 bilhões para a receita. A BigGo Finance cita US$ 57 bilhões.

De onde vem a receita?

A memória DRAM gerou US$ 39,8 bilhões, 73% do total, segundo os slides apresentados a investidores e resumidos pelo Investing.com. A NAND somou US$ 14,1 bilhões. O preço médio da DRAM subiu na faixa de 15% a 19% no trimestre, e o da NAND cerca de 30%. O volume cresceu bem menos. A alta da receita, portanto, veio sobretudo de preço.

Por unidade de negócio, a de data center principal faturou US$ 18 bilhões, mais de onze vezes o valor de um ano antes, segundo a BigGo Finance. A unidade de memória para nuvem, que inclui a HBM usada em aceleradores de IA, faturou US$ 16,3 bilhões. Os SSDs para data center chegaram perto de US$ 10 bilhões no trimestre, cerca de dez vezes o de um ano antes.

Na teleconferência, a empresa disse que o preço da HBM para 2027 está muito acima do de 2026 e que a maior parte do volume já foi contratada. A Micron anunciou com a Nvidia uma HBM4E sob medida para as próximas GPUs. O número de acordos estratégicos com clientes subiu de 16 para 26, com US$ 32 bilhões em compromissos. Esses acordos têm faixas de preço com piso e teto, segundo o Investing.com.

Como o mercado reagiu?

A reação da ação foi pequena e as leituras variam com o horário. O Investing.com registrou fechamento regular a US$ 1.066,10, alta de 0,1%, e queda de 0,78% no pós-mercado, para US$ 1.056,75. A TheStreet mediu queda de 0,67%. A BigGo Finance, com leitura posterior, registrou alta de cerca de 1,6% no pós-mercado e valor de mercado acima de US$ 1,2 trilhão. A ação acumula alta de cerca de 238% no ano, segundo a TheStreet.

Dois analistas citados pela BigGo Finance foram na mesma direção. Bob O’Donnell, da TECHnalysis, disse que o resultado e a projeção devem encerrar o ceticismo sobre a sustentação do investimento em infraestrutura de IA. Hendi Susanto, da Gabelli Funds, disse não ter ouvido sinais de que o ciclo de memória vá virar para baixo em breve.

Como chegamos até aqui?

Um ano atrás, a Micron faturava US$ 11,32 bilhões por trimestre. Agora, fatura quase cinco vezes mais e diz que as conversas com clientes já tratam de 2028. A expansão física está em curso: segundo a teleconferência, a primeira fábrica nova em Idaho começa a produzir em meados de 2027, a de Nova York em 2030, e a unidade de encapsulamento de HBM em Singapura antecipou a produção para o início de 2027. O investimento previsto para o ano fiscal de 2027 passa de US$ 50 bilhões.

A mesma pressão aparece em outros elos. A Marcio.AI cobriu em 28 de setembro o investimento da Samsung Electro-Mechanics em substrato para chips de IA. E, no post irmão deste lote sobre o prospecto da Anthropic, a TrendForce informa que Micron, Samsung e SK Hynix aparecem como parceiras estratégicas de memória da Anthropic.

O que muda para o Brasil?

A Micron Technology não aparece como fabricante no Brasil nas fontes consultadas. O encapsulamento de memória no país é feito por outras empresas. A SMART Modular, em Atibaia, teve 81% vendidos em novembro de 2023 à Lexar Europe, ligada à chinesa Longsys, segundo comunicado da então controladora SGH. A HT Micron, em São Leopoldo, é controlada pela coreana Hana Micron, empresa distinta da Micron americana apesar do nome. Em 23 de setembro, o Jornal do Comércio informou que a HT Micron deve iniciar em até seis meses uma nova linha de memórias LPDDR5X, com financiamento de R$ 84,86 milhões do BNDES.

O efeito mais direto para empresas brasileiras está no preço. Com a DRAM subindo perto de 20% num único trimestre, a NAND cerca de 30% e três quartos da produção de 2027 já comprometidos, servidores, SSDs e notebooks tendem a ficar mais caros na próxima rodada de compras. Times de TI que planejam renovar parque ou montar infraestrutura de IA em 2027 fazem bem em antecipar cotações e negociar preço travado.

O que observar nas próximas semanas

A tese deste post é que a margem da memória vai seguir alta pelo menos até o fim de 2027, e quem paga a conta é o comprador de servidor e de PC. Três sinais permitem conferir. O primeiro é o resultado da Samsung e da SK Hynix em outubro, que mostra se a alta de preço é do setor inteiro. O segundo é o preço contratual de DRAM do quarto trimestre, divulgado por consultorias como a TrendForce. O terceiro é o próximo balanço da Micron, esperado para dezembro, que vai mostrar se os US$ 61,5 bilhões projetados se confirmaram.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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