Prospecto da Anthropic mostra receita de US$ 4,6 bi e US$ 518 bi em contratos de nuvem

Capa do Watcher com o título Anthropic: prospecto revela receita e US$ 518 bi
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A agência Reuters teve acesso ao prospecto do IPO da Anthropic e publicou os números entre 28 e 29 de setembro de 2026. O documento mostra receita de quase US$ 4,6 bilhões em 2025, doze vezes a de 2024, prejuízo operacional acima de US$ 8 bilhões e US$ 518 bilhões em compromissos de nuvem e infraestrutura, dos quais cerca de 80% não podem ser cancelados. A empresa mira valor de mercado acima de US$ 2 trilhões. A Anthropic não comentou.

Em resumo

  • O que é documento: a Anthropic confirmou em 1º de junho que entregou à SEC, de forma confidencial, um rascunho do formulário S-1. O texto do prospecto ainda não foi publicado.
  • O que é reportagem: os números vêm da Reuters, que leu o prospecto. Fortune, InfoMoney, PYMNTS e outros veículos repercutiram a mesma apuração.
  • Receita e prejuízo: US$ 4,6 bilhões de receita em 2025, prejuízo operacional acima de US$ 8 bilhões e prejuízo líquido perto de US$ 42 bilhões, puxado por um lançamento contábil de cerca de US$ 34 bilhões.
  • Compromissos: US$ 518 bilhões em dez anos. Os maiores: Broadcom com US$ 161,2 bilhões, Google com US$ 111,1 bilhões, Amazon com US$ 110 bilhões e xAI com até US$ 84,5 bilhões.
  • Prazo: as reportagens de 28 e 29 de setembro situam a listagem depois das eleições americanas de 3 de novembro.

O que o prospecto mostra?

Segundo a Reuters, a receita da Anthropic chegou a quase US$ 4,6 bilhões em 2025. A Fortune calcula alta de 1.088% sobre 2024. O gasto com computação e infraestrutura triplicou e somou US$ 7,33 bilhões. As despesas operacionais chegaram a US$ 12,65 bilhões. O prejuízo operacional passou de US$ 8 bilhões, contra US$ 2,98 bilhões em 2024, segundo a Fortune.

O número que mais chama atenção é o prejuízo líquido de cerca de US$ 42 bilhões. A InvestmentNews e o InfoMoney explicam que perto de US$ 34 bilhões desse total são um lançamento contábil ligado a acordos de financiamento. A Fortune chamou o mesmo valor de queima de caixa. A leitura das outras fontes indica que a maior parte do número é contábil, e o dinheiro que de fato saiu da operação está no prejuízo operacional. Em 31 de dezembro de 2025, a empresa tinha US$ 20,28 bilhões em caixa e aplicações de curto prazo.

O ritmo de 2026 é outro. A PYMNTS relata que a receita do segundo trimestre de 2026 foi de US$ 11,5 bilhões, contra US$ 4,73 bilhões no primeiro. A receita anualizada chegou a US$ 65 bilhões em julho. No primeiro trimestre, a conta de computação consumiu 71 centavos de cada dólar de receita.

Há concentração de clientes. Dois clientes, não nomeados, responderam por quase 25% da receita de 2025, e a maior parte dos grandes clientes não tem contrato de longo prazo, segundo Fortune e InvestmentNews. O prospecto tem 261 páginas, 80 delas sobre riscos. Entre os riscos listados, a empresa escreveu que modelos de IA cada vez mais autônomos podem se comportar de maneiras inesperadas e potencialmente prejudiciais.

O que foi confirmado e o que ainda é reportagem?

A existência do pedido está confirmada. Em 1º de junho de 2026, a própria Anthropic anunciou que tinha submetido à SEC um rascunho confidencial do formulário S-1. No comunicado, a empresa disse que o número de ações e o preço ainda não estavam definidos e que o IPO dependeria das condições de mercado.

O conteúdo do prospecto, por outro lado, ainda não é público. A InvestmentNews registra que o documento não foi divulgado e que os detalhes vieram da Reuters. A Fortune o descreve como prospecto vazado. A Anthropic se recusou a comentar. Por isso, todos os números deste texto devem ser lidos como informação da Reuters sobre um documento que o público ainda não pode conferir. Quando a versão pública do S-1 sair no sistema da SEC, os valores podem mudar.

Como se dividem os US$ 518 bilhões?

A segunda reportagem da Reuters, de 29 de setembro, detalha os compromissos de nuvem, computação e infraestrutura para os próximos dez anos. Cerca de 80% do total não pode ser cancelado ou precisa ser pago mesmo que a capacidade não seja usada. Os valores abaixo aparecem de forma igual na KSL, que reproduziu a Reuters, na InvestmentNews, na PYMNTS e na TrendForce.

Broadcom: US$ 161,2 bilhões em arrendamento de equipamentos, em grande parte sem cancelamento. Google: US$ 111,1 bilhões, de abril de 2026 a julho de 2033. Amazon: US$ 110 bilhões, de maio de 2026 a abril de 2036. xAI: até US$ 84,5 bilhões até 2029, em sua maior parte cancelável com aviso de 90 dias. Microsoft: US$ 31,4 bilhões, de novembro de 2026 a maio de 2033. AMD: mais de US$ 20 bilhões em capacidade de computação.

Nos contratos com Google e Amazon há cláusula de consumo mínimo. Segundo a Reuters, se o gasto real ficar abaixo do combinado, a Anthropic paga a diferença ao Google, e termos parecidos valem para a Amazon. O prospecto também reconhece o conflito de papéis: Google, Amazon e Microsoft são ao mesmo tempo investidores, clientes, provedores de nuvem, distribuidores e concorrentes. A TrendForce acrescenta que Micron, Samsung e SK Hynix aparecem como parceiras estratégicas de memória.

Como chegamos até aqui?

Em maio de 2026, a Anthropic foi avaliada em US$ 965 bilhões numa rodada privada. Em 1º de junho, anunciou o pedido confidencial à SEC. No início de setembro, a Reuters informou que o prospecto sairia no fim do mês e que a apresentação a investidores começaria em meados de outubro. Na semana de 22 de setembro, a empresa lançou o Claude Opus 5.5, tema do post Anthropic e OpenAI lançam modelos mais baratos no mesmo dia. Entre 28 e 29 de setembro, vieram os números do prospecto.

Há uma divergência sobre a data. Em 6 de setembro, o The Next Web, citando a Reuters, dizia que a listagem aconteceria dias antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. As reportagens de 28 e 29 de setembro, repercutidas por InfoMoney, Fortune e InvestmentNews, falam em listagem depois das eleições. A TrendForce, em 30 de setembro, ainda cita conclusão antes do pleito. A informação mais recente da Reuters aponta para depois de 3 de novembro, e a Anthropic não confirmou nenhuma das duas datas.

O que muda para o mercado e para empresas brasileiras?

A tese deste post é que o prospecto transforma a Anthropic num termômetro da conta de infraestrutura da IA. Quem mais ganha, no curto prazo, são os fornecedores com contrato firme: Broadcom, Google e Amazon somam US$ 382,3 bilhões dos US$ 518 bilhões. Quem assume o risco é o investidor do IPO, que compra uma empresa com receita em forte alta, prejuízo alto e obrigação fixa de pagar por capacidade durante uma década. O post irmão deste lote, sobre a nova rodada da OpenAI, mostra que a rival segue outro caminho e adiou a bolsa para 2027.

Para empresas brasileiras que usam o Claude pela API ou pelas nuvens da AWS e do Google, o documento traz dois pontos práticos. O primeiro é a dependência: a Anthropic dita preço e capacidade a partir de contratos com esses mesmos provedores. O segundo é a pressão de custo. Com 71 centavos de cada dólar indo para computação no primeiro trimestre, reajustes de preço e mudanças de limite de uso são possibilidades que times de TI devem prever em contratos de 2027. Vale incluir cláusula de preço e plano de troca de modelo nos próximos contratos.

O que observar nas próximas semanas

Três sinais, até meados de novembro. O primeiro é a publicação da versão pública do S-1 no sistema da SEC, que vai permitir conferir os números da Reuters. O segundo é o início da apresentação a investidores, prevista para meados de outubro, com faixa de preço por ação. O terceiro é a data final da listagem em relação às eleições de 3 de novembro. Se o preço confirmar valor acima de US$ 2 trilhões, a Anthropic entra na bolsa acima da OpenAI, que negocia rodada privada a US$ 1,4 trilhão.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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