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Totvs lança o Corten, com ERP, pagamentos e mais de 30 agentes de IA cobrados por tarefa

Capa do Watcher com o título Totvs junta ERP, pagamentos e agentes no Corten
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Totvs lançou na terça, 13 de outubro, o Corten, que a empresa chama de “sistema operacional de gestão”. Ele junta numa mesma interface o ERP, o CRM, pagamentos e crédito, a nuvem T-Cloud e a camada de IA. O anúncio foi feito pelo CEO Dennis Herszkowicz na abertura do Universo Totvs 2026, em São Paulo. Vieram junto mais de 30 agentes de IA cobrados por tarefa concluída e o Totvs Pay, que põe cartão, Pix e boleto dentro do sistema de gestão. No Investor Day, feito junto com o evento, a empresa e os analistas deixaram claro que o efeito relevante na receita fica para 2027.

Em resumo

  • Corten: reúne cinco camadas: retaguarda (fiscal, contábil e financeiro), gestão de clientes, pagamentos e crédito, nuvem T-Cloud e IA com o modelo de tarefa como serviço (TaaS).
  • Agentes: mais de 30, construídos sobre o LYNN, plataforma de IA da Totvs lançada em fevereiro. Fazem tarefas como faturamento e conciliação, com aprovação humana quando necessário.
  • Cobrança: mensalidade fixa com franquia de T-Coins, créditos convertidos em reais. Agentes são cobrados por tarefa concluída, sem contagem de tokens. O excedente é cobrado à parte. A Totvs não divulgou preços.
  • Totvs Pay: recebe cartão de crédito, Pix e boleto dentro do ERP, sem mensalidade nem custo de integração. Roda sobre a infraestrutura da Zoop, do grupo iFood, e da Malga.
  • Analistas: JPMorgan, Goldman Sachs e Citi mantêm compra. Ninguém espera contribuição relevante do TaaS no quarto trimestre de 2026.

O que é o Corten?

O Corten é a interface que passa a conectar todos os produtos da Totvs e aplicações de parceiros homologados. Herszkowicz resumiu assim no palco: “a partir de agora o que existe é um sistema operacional de gestão chamado Corten”, segundo o Baguete. Gustavo Bastos, vice-presidente de plataformas, disse ao IT Forum que a tela pode ser personalizada por usuário e que a integração inclui a RD Station e a Techfin.

As cinco camadas aparecem iguais no Central do Varejo, no Let’s Money e no All Connected: retaguarda, gestão de clientes, serviços financeiros, nuvem e IA. O Corten não tem data única de chegada. “Cada um dos produtos tem seu roadmap, seu ciclo de vida”, disse Bastos ao IT Forum. A Totvs também não divulgou preço do Corten.

Como funciona a cobrança por tarefa?

A Totvs chama o modelo de TaaS, sigla em inglês para tarefa como serviço. O release do segundo trimestre, de 5 de agosto, já definia o TaaS como cobrança pelo uso, guiada pelo volume de tarefas feitas por agentes, e prometia o portfólio de agentes para outubro. A promessa foi cumprida no prazo.

O detalhe saiu no Investor Day. O cliente paga uma mensalidade fixa que dá direito a uma franquia de T-Coins, convertidas em reais. O que passar da franquia é cobrado à parte. As APIs são cobradas pela capacidade consumida e os agentes pelas tarefas concluídas, “sem contagem de tokens”, segundo o Times Brasil. A XP registrou que a Totvs não divulgou quantas T-Coins vêm em cada pacote, o valor da franquia nem a margem do TaaS.

A empresa também lançou os pacotes Intera, que juntam mensalidade e consumo. Os preços ficam 40% acima do pacote padrão no Intera Financeiro, 65% no RH e no Marketing e 100% no Intera 360, segundo o Times Brasil. A XP e o InfoMoney trazem a mesma faixa. Para criar agentes próprios, o cliente vai esperar o LYNN Studio, previsto para 2027.

O que o Totvs Pay faz?

O Totvs Pay recebe cartão de crédito, Pix e boleto dentro dos sistemas de gestão. Não tem mensalidade nem custo de integração. A Totvs cobra um percentual sobre a venda no cartão e um valor fixo por Pix e boleto, sem divulgar as taxas. A empresa diz que habilitar meios de pagamento com vários fornecedores leva de 45 a 60 dias e que no Totvs Pay leva minutos, segundo o Central do Varejo e o All Connected.

O produto é white label. Usa a infraestrutura da Malga, que orquestra vários provedores, e da Zoop, empresa do grupo iFood. Traz conciliação bancária e fiscal, link de pagamento, parcelamento em até 21 vezes e antifraude próprio. Pedro Henrique Almeida, diretor executivo de pagamentos, contou que antes o empresário precisava negociar taxas com adquirentes e montar integrações por conta própria. Segundo o Baguete, a oferta chega em dezembro para clientes de educação e construção civil, além de integrações com RD Station, Suri Shop e o CRM da Totvs.

Almeida disse à Folha Vitória que a empresa pretende levar o produto ao pagamento presencial: “cada vendedor pode receber o pagamento através do seu próprio celular”. Cesário Martins, CEO da Zoop, disse ao Times Brasil que o pagamento “nasce integrado, conciliado com toda a tua jornada financeira”.

O que dizem os analistas?

O JPMorgan manteve compra com preço-alvo de R$ 57 e o Goldman Sachs, compra com preço-alvo de R$ 47, segundo o InfoMoney e a IstoÉ Dinheiro. O JPMorgan não espera contribuição significativa do TaaS no quarto trimestre de 2026 e vê relevância maior entre 2027 e 2029. O Citi ficou mais otimista, mas também só vê peso depois de 2027, porque processos críticos adotam IA devagar, segundo o Times Brasil. A administração não apresentou metas novas.

Os números de base ajudam a ler a aposta. Cerca de 56% dos clientes usam três soluções ou menos, apesar de a Totvs ter mais de 40 por cadeia de valor. A Techfin, sociedade com o Itaú, concedeu R$ 6,7 bilhões em crédito no primeiro semestre e processou TPV de R$ 5,6 bilhões, segundo o Times Brasil. O Corten tenta vender mais produtos ao mesmo cliente, e o Totvs Pay tenta trazer para dentro o dinheiro que já passa pelo ERP.

Como chegamos até aqui?

A Totvs diz que o Corten começou em 2019, quando passou a atuar além do ERP. Comprou a RD Station e depois a Linx, por R$ 3,05 bilhões, segundo o Central do Varejo. Em fevereiro de 2026 lançou o LYNN, com investimento previsto de R$ 300 milhões em quatro anos, e o CEO chamou de “maluquice de investidores” a tese de que a IA mataria o software, segundo o Brazil Journal. Em agosto, o release do segundo trimestre prometeu os agentes para outubro.

A disputa é global. Uma semana antes, a SAP apresentou a Autonomous Enterprise, com agentes cobrados por consumo em AI units, como a Marcio.AI mostrou em SAP libera a Autonomous Enterprise e põe agentes Joule para 110 mil funcionários. A SAP mede o consumo de inferência. A Totvs escolheu medir a tarefa concluída.

O que muda para empresas brasileiras?

A Totvs tem mais de 70 mil clientes no Brasil e na América Latina e faturou mais de R$ 5,7 bilhões em 2025, alta de 17%. Para esse cliente, a cobrança por tarefa muda a conta de orçamento de TI. O gasto passa a variar com o volume de faturas emitidas ou conciliações feitas pelos agentes. Sem tabela de preço das T-Coins, ainda não há como comparar com o custo de uma pessoa ou de um robô de automação. A primeira pergunta ao fornecedor é o que conta como tarefa concluída e quem decide quando ela falhou.

No pagamento, a mudança mexe com a cadeia de adquirência. O ERP passa a ser o lugar onde o lojista contrata o recebimento, e a Totvs fica entre ele e os provedores. Para uma pequena empresa, isso tira a negociação direta com a adquirente e o trabalho de conciliação. Também cria dependência de um só fornecedor para gestão, recebimento e crédito. Quem já tem contrato de adquirência com taxa negociada deve comparar antes de migrar, porque a Totvs ainda não divulgou as taxas.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: a cobrança por tarefa vai pesar mais na escolha do ERP do que o próprio Corten, e o mercado só vai precificar isso quando a Totvs publicar preço e receita do TaaS. Até lá, o retorno da IA para a Totvs vem de pacotes mais caros e de pagamentos. Quatro sinais para conferir. A tabela de T-Coins e a definição de tarefa concluída nos contratos. A linha de receita TaaS no balanço do terceiro trimestre, que o JPMorgan já disse que será pequena. A chegada do Totvs Pay em dezembro aos clientes de educação e construção, com as taxas na mesa. E o cronograma do LYNN Studio para 2027.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: SAP libera a Autonomous Enterprise e põe agentes Joule para 110 mil funcionários.

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