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Meta abre os pesos do Muse Spark Open, de 816 bilhões de parâmetros, que roda em dois Macs

Capa do Watcher com o título Meta abre os pesos do Muse Spark Open
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Meta publicou na quinta, 15 de outubro, os pesos do Muse Spark Open, a versão aberta do Muse Spark. O modelo tem 816 bilhões de parâmetros, ativa cerca de 42 bilhões por token e aceita até 1 milhão de tokens de contexto. A Meta diz que é o modelo aberto mais capaz já feito nos Estados Unidos. A licença é gratuita, mas pede contrato de quem passa de US$ 20 milhões de receita e quer vender o modelo como serviço.

Em resumo

  • Modelo: mistura de especialistas com 816 bilhões de parâmetros, 256 especialistas por camada e 8 ativos por token. Lê texto, imagem, áudio e vídeo e responde em texto.
  • Testes: nota 39 no índice da Artificial Analysis, pela tabela da própria Meta, atrás de GLM 5.3 (45), Kimi K3 (44) e Qwen3.8 (40). Lidera em uso de ferramentas e nos testes de segurança.
  • Onde roda: em dois Mac Studio com M5 Ultra e 512 GB cada, em parceria com a Apple, ou em GPUs Nvidia Blackwell. Sete provedores vendem acesso por API.
  • Licença: uso interno, pesquisa e recursos dentro do próprio produto ficam livres. Vender o modelo como API com receita do grupo acima de US$ 20 milhões exige contrato.
  • Leitura: a Meta cumpre a promessa de agosto com o maior modelo que já abriu e mira quem evita modelo chinês pela origem.

O que a Meta liberou?

Os pesos estão no Hugging Face em duas versões oficiais. A BF16 ocupa cerca de 1,6 TB, segundo a Meta. A NVFP4, formato de 4 bits para as GPUs Blackwell da Nvidia, ocupa cerca de 530 GB. Há ainda versões para AMD e Intel e arquivos GGUF de até 2 bits, que cabem em cerca de 300 GB de memória.

Quem só quer usar pode chamar o modelo pela API de sete parceiros: Baseten, Fireworks AI, Groq, Modal, Nebius, OpenRouter e Together AI. Na Together AI o preço é de US$ 1,25 por milhão de tokens de entrada e US$ 4,25 por milhão de saída, segundo a VentureBeat. É o mesmo preço do Muse Spark padrão que a Meta já vendia pela API. O Muse Wonder custa US$ 4 e US$ 20.

A Meta diz que treinou o modelo para agentes de código: mudanças em vários arquivos, sessões longas de depuração e chamada de ferramentas. O raciocínio tem quatro níveis e não pode ser desligado, segundo o blog da Hugging Face.

Quanto ele entrega nos testes?

Os números vêm da tabela da Meta no cartão do modelo. Até a noite de 15 de outubro não havia avaliação independente publicada. No índice da Artificial Analysis o Spark Open aparece com 39. O GLM 5.3, da Z.ai, tem 45. O Kimi K3, da Moonshot, tem 44. O Qwen3.8 de 2,4 trilhões de parâmetros, da Alibaba, tem 40. O Mistral Large 4 tem 38. A VentureBeat avisa que não conseguiu confirmar o 39 numa listagem própria da Artificial Analysis.

O modelo lidera onde a Meta concentrou o treino. No MCP-Atlas, que mede uso de ferramentas, marca 89,2 contra 84,5 do Qwen3.8 e 82,3 do Kimi K3. No JobBench faz 61,8, pouco acima dos 61,4 do GLM 5.3. Perde em código. No Terminal-Bench 2.1 fica com 76,4, contra 85,0 do Kimi K3 e 83,9 do GLM 5.3. No DeepSWE 1.1 faz 60, contra 68 e 67. Em trabalho de escritório (GDPval-AA v2) soma 1.401 pontos, contra 1.653 do GLM 5.3.

A maior vantagem está na segurança. No StrongREJECT v2, em que nota menor é melhor, o Spark Open marca 0,5. Os rivais da tabela ficam entre 62,9 e 86,4. Em ataques cibernéticos, recusou 99,2% das tentativas de jailbreak no teste interno da Meta, contra 75,5% do Kimi K3. A empresa aplicou treino de segurança extra porque os pesos ficam públicos e prometeu um relatório de avaliação mais completo “em breve”, segundo a Technobezz.

A VentureBeat registra 48 pontos no mesmo índice para o Muse Spark 1.3, versão fechada, em outra medição. A Meta não disse a qual versão do Spark os pesos abertos correspondem. Em agosto, a promessa era abrir o Spark 1.2.

Por que a Apple entrou no anúncio?

A Meta diz que o Spark Open é o primeiro modelo da sua classe a rodar num desktop. A configuração usa dois Mac Studio com M5 Ultra e 512 GB de memória unificada cada, ligados por Thunderbolt 5, com o MLX, o framework de IA da Apple. Quatro máquinas de 256 GB também dão conta. Zuckerberg escreveu no X que o modelo roda muito bem nos novos Mac Studio graças ao trabalho com a Apple e com John Ternus, que assumiu o comando da Apple em setembro, segundo o Briefs Finance. Ternus respondeu que era incrível rodar um modelo desse porte com tanta eficiência.

A VentureBeat escreveu que a Meta não publicou velocidade medida. O iClarified traz testes da Apple com a versão de 4 bits, que ocupa cerca de 493 GB, contexto de 8.192 tokens e 128 tokens gerados. Foram 24,99 tokens por segundo em dois Macs com paralelismo de tensor, 15,74 com paralelismo de pipeline e 36,73 em quatro Macs. Os números são da Apple. O blog da Meta não traz nenhum.

O Mac Studio de 512 GB chega no fim de outubro, sem preço anunciado, segundo o 9to5Mac. Quatro unidades de 256 GB somam US$ 43.196 nos Estados Unidos antes de impostos, conta da VentureBeat. Em GPU, o cartão do modelo pede pelo menos 700 GB de memória de acelerador para a versão NVFP4 e 2 TB para a BF16. A contagem de parâmetros também varia: a página do Hugging Face mostra 822 bilhões na versão BF16 e 484 bilhões na NVFP4, e a Meta não explicou a diferença.

Como a Meta voltou aos pesos abertos?

A Meta construiu reputação com a família Llama, de 2023 até o Llama 4, de abril de 2025. Em 8 de abril de 2026 a Meta lançou o Muse Spark, primeiro modelo do Superintelligence Labs, sem pesos abertos. Em 10 de agosto mudou de rumo. Abriu o Muse Glimmer, de 30 bilhões de parâmetros, com licença Apache 2.0, e prometeu abrir o Spark 1.2 nas semanas seguintes, segundo a Ars Technica e o The Register. Em 2 de setembro, no lançamento do Spark 1.3, Zuckerberg repetiu no X que a versão aberta sairia “em breve”. Em 12 de outubro veio o Muse Wonder, que o portal analisou. Os pesos do Spark saíram três dias depois.

O pano de fundo é a China. Em agosto, analistas ouvidos pelo South China Morning Post já viam na Meta uma alternativa aos modelos chineses sem a bagagem geopolítica. Dados do Hugging Face de março de 2026, citados pela VentureBeat, mostram que modelos chineses responderam por 41% dos downloads no ano anterior, à frente dos americanos. A Reflection fez a mesma aposta com o Beam, de 501 bilhões de parâmetros. Ele aparece na tabela da Meta com 80,1 no Terminal-Bench 2.1, o mesmo número que a Reflection divulgou.

O que a licença permite?

A Muse Model License permite usar, modificar, ajustar, destilar e redistribuir o modelo sem pagar. A trava está na venda do modelo como serviço. Se a empresa e suas afiliadas passarem de US$ 20 milhões de receita bruta em 12 meses seguidos, precisam avisar a Meta e assinar um contrato à parte antes de oferecer o modelo ou um derivado por API. O limite conta a receita total do grupo, qualquer que seja a origem.

Ficam livres o uso interno, a pesquisa e o uso como recurso de um produto próprio. Quem usa precisa exibir a frase “Built with Muse Spark Open” na interface, na documentação, no site ou nas configurações. A licença chama de derivado qualquer modelo treinado, ajustado ou destilado com o Spark Open ou com as respostas dele. A Meta diz que não é dona das respostas geradas.

Para baixar os pesos no Hugging Face, é preciso informar nome legal completo e data de nascimento, segundo a VentureBeat. A destilação aparece aqui como uso permitido, com o modelo resultante preso às mesmas regras. Em 13 de outubro, o portal mostrou que a Anthropic diz ter cortado de 90% a 99% a destilação do Claude por laboratórios rivais. O Glimmer e o Beam usam Apache 2.0, sem trava de receita.

O que muda para empresas no Brasil?

A licença não restringe uso por país. A única menção geográfica define qual empresa da Meta assina: a irlandesa para quem está na Europa, a americana para os demais. Empresas brasileiras podem baixar e rodar o modelo nas mesmas condições.

Banco, seguradora ou órgão público que roda o Spark Open dentro de casa fica na faixa livre, mesmo com receita muito acima de US$ 20 milhões, porque uso interno está fora da trava. Os dados ficam no próprio data center, ponto que pesa em projetos sujeitos à LGPD. O custo de entrada é alto: mesmo a versão de 2 bits pede cerca de 300 GB de memória.

Quem precisa negociar são os provedores de nuvem e integradores que queiram vender o modelo como API. Com receita do grupo acima de US$ 20 milhões, o contrato com a Meta vem antes da oferta. O cartão cita treino em mais de 100 idiomas, sem nota por idioma, e o português ainda precisa ser testado.

O que observar nas próximas semanas

A tese deste texto: a Meta abriu um modelo forte em ferramentas e segurança, atrás dos líderes chineses na média, e guardou o Wonder para si. A aposta é atrair quem evita modelo chinês pela origem. Ganham a Apple e a Nvidia, que vendem o hardware, e as empresas que usam IA dentro de casa. Perdem margem os revendedores de modelo, que precisam de contrato. Cinco sinais até o fim de novembro:

Primeiro, a avaliação independente da Artificial Analysis. Se confirmar perto de 39 pontos, o Spark Open fica no grupo do Qwen3.8. Segundo, o relatório completo de segurança que a Meta prometeu. Terceiro, a chegada do Mac Studio de 512 GB no fim de outubro e o preço dele. Quarto, se provedores fora dos Estados Unidos, inclusive no Brasil, entram na lista de parceiros. Quinto, se a Meta diz algo sobre abrir os pesos do Wonder. Até agora não disse.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção DeepTech do Watcher.

#MarcioAI #Meta #MuseSparkOpen #ModelosAbertos #AgentesDeIA #Apple

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Meta lança o Muse Wonder, e a versão Full fica atrás só do Claude Opus 5.5 e Reflection lança o Beam, modelo aberto de 501 bilhões para disputar com os chineses.

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