
A Runway, conhecida pelos modelos de geração de vídeo, apresentou em 30 de setembro de 2026 o Praxis-1, um modelo de mundo com ação (world action model) que transforma o pré-treino em vídeo em controle de robôs. A empresa promete liberar o modelo com pesos abertos no lançamento público, previsto para os próximos meses. Por enquanto, ele está em teste com três fabricantes de robôs.
Em resumo
- O que é: um modelo de política generalista para robôs, treinado principalmente com vídeo da web e ajustado depois com pouco dado de robô.
- Resultado central: pré-treino com vídeo da web chegou a 16,1 cm de erro de posicionamento, contra 16,0 cm com vídeo de robô teleoperado. A Runway diz que a diferença está dentro da margem de erro.
- Parceiros: Noble Machines (dois braços), Standard Bots (braço RO1 de seis eixos) e Ultra (base móvel).
- Pesos abertos: prometidos para o lançamento público, ainda sem data e sem licença definida.
- O que falta: tamanho do modelo, arquitetura, licença e volume de dado de robô necessário para cada nova máquina.
O que a Runway lançou?
O Praxis-1 usa a mesma base de pré-treino em vídeo dos modelos de mundo da Runway. A ideia é que um modelo que já viu muito vídeo de pessoas mexendo em objetos chega ao robô sabendo o que é fisicamente plausível. Depois, um ajuste fino leve adapta o modelo a cada tipo de máquina.
O CTO da Runway, Kamil Sindi, resumiu o problema ao The Robot Report: a maioria das políticas de robô esbarra na falta de dado de robô, que é escasso e caro de coletar. Segundo ele, um único modelo consegue se adaptar a máquinas muito diferentes, de braços duplos a humanoides, com pouco ajuste.
As tarefas mostradas vão de pegar uma lata de refrigerante a montar um saco de presente, que envolve objeto deformável. A própria Runway lista quatro situações difíceis: objetos quase idênticos repetidos, ambiente bagunçado, material transparente e tecido.
O que os números dizem, e o que não dizem?
O experimento principal compara duas formas de pré-treino. Com vídeo da web, o erro final de posicionamento ficou em 16,1 cm. Com vídeo de robô teleoperado, 16,0 cm. O Superpower Daily registra 93 pares de avaliação. A Runway mostra ainda que o erro cai para perto de 12 cm com mais de mil horas de pré-treino. A leitura da empresa é que vídeo da web, que existe em volume enorme, substitui vídeo de robô, que custa caro.
O segundo número é uma correlação de 0,95 entre o desempenho de políticas simuladas dentro do modelo de mundo e o desempenho no robô real. O Superpower Daily faz um alerta útil: o 0,95 mede correlação. Ele não indica taxa de sucesso de 95% nem segurança. A Runway também não publicou taxa de sucesso por categoria difícil.
Faltam dados que qualquer equipe de engenharia vai pedir antes de adotar: número de parâmetros, arquitetura, licença dos pesos e quanto dado de robô é preciso para colocar o modelo numa máquina nova. A AlphaSignal aponta ainda a ausência de comparação direta com modelos concorrentes.
Como chegamos até aqui?
A Runway vinha publicando modelos de mundo interativos, como o Solaris e o GWM Worlds 2, citados pela Robotics and Automation News. O Praxis-1 é o primeiro passo explícito da empresa em direção à robótica.
A disputa por modelo aberto de robô esquentou em setembro. Em 23 de setembro, a Black Forest Labs liberou o FLUX 3 Action, com 7 bilhões de parâmetros, pesos no Hugging Face e código sob licença Apache 2.0. Uma semana depois, a Runway anunciou o Praxis-1. No mesmo período, a AMD comprou a World Labs, de Fei-Fei Li, outra empresa de modelos de mundo, como mostramos em AMD compra a World Labs, de Fei-Fei Li. Empresas que nasceram gerando imagem e vídeo estão levando a mesma base para máquinas físicas.
Sindi justificou a abertura com um argumento político: para ele, a liderança americana em IA física é crítica para recuperar a dianteira na manufatura. A Runway também descreve modelos de mundo abertos como uma vantagem que se acumula para quem fabrica hardware.
O que muda para quem desenvolve robôs no Brasil?
Pesos abertos baixam a barreira de entrada. Universidades, integradores e fabricantes de robôs brasileiros podem baixar o modelo, ajustar para a própria máquina e rodar localmente, sem depender de API paga no exterior. Isso pesa num país onde dado de robô teleoperado é ainda mais escasso que nos Estados Unidos.
A ressalva é a licença. A Runway ainda não disse se o uso comercial será livre. Até lá, nenhuma empresa deve planejar produto em cima do Praxis-1.
O que muda para o mercado?
A tese deste texto: se o resultado de 16,1 cm contra 16,0 cm se repetir em testes independentes, o gargalo da robótica se desloca da coleta de dado para o ajuste fino e a validação. Ganham as empresas que têm acervo de vídeo e capacidade de pré-treino, como Runway e Black Forest Labs. Perdem valor relativo as operações de teleoperação em massa montadas só para gerar dado. O próprio experimento ainda é pequeno, com 93 pares, e precisa de réplica.
O que observar nas próximas semanas
Três sinais até o fim do ano. A data do lançamento público e a licença dos pesos. Resultados publicados pelos parceiros Noble Machines, Standard Bots e Ultra, com taxa de sucesso por tarefa. E a primeira comparação independente entre Praxis-1 e FLUX 3 Action num mesmo teste de bancada, como o RoboLab-120 usado pela Black Forest Labs.
Fontes
- Runway Research, Introducing Praxis-1, 30/09/2026
- The Robot Report, Runway introduces Praxis-1 world action model for robotics, 02/10/2026
- Robotics and Automation News, Runway moves into robotics with open-weight Praxis-1 AI model, 01/10/2026
- Superpower Daily, Runway Brings Video Pretraining to Robot Control With Praxis-1, 30/09/2026
- AlphaSignal, Runway’s Praxis-1 Teaches Robots Physical Skills Using Web Video, 01/10/2026
- NYU Shanghai RITS, Black Forest Labs Releases FLUX 3 Action, an Open-Weight Robot Model, 23/09/2026
Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção DeepTech do Watcher.
#MarcioAI #Runway #Robotica #ModelosDeMundo #IAFisica #PesosAbertos
Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
Leia também: AMD compra a World Labs, de Fei-Fei Li e SiMa.ai capta US$ 150 milhões para chips de IA em robôs, carros e drones
