
Em 28 de setembro a Nvidia lançou a OpenShell e o monitor Sentry para controlar agentes de IA, assunto de post anterior da Marcio.AI. Em 21 de outubro, na GTC Berlin, ela juntou as duas peças aos chips Vera Rubin e Vera numa arquitetura de referência para construir, conter e vigiar agentes. Três coisas mudaram desde setembro. OpenAI e Google entraram na lista de criadores de modelos cujos agentes rodam na arquitetura. O Sentry ganhou prazo: início de 2027. E a ServiceNow liberou o Arc, agente pessoal cujas ações a OpenShell aplica.
Em resumo
- Arquitetura: modelo no Vera Rubin, agente no processador Vera e vigilância opcional no BlueField-4 com o Sentry. Também roda em RTX Spark, DGX Spark e DGX Station.
- Lista nova: Anthropic, Cohere, Google, Meta, OpenAI, Perplexity, Reflection e SpaceX Super Intelligence aparecem como criadores de modelos suportados.
- Prazo: a Nvidia diz que a arquitetura está disponível agora. O Sentry, peça que aplica as regras em hardware, está previsto para o início de 2027.
- Primeiro uso: a ServiceNow liberou o Arc no Mac. O Windows vem em semanas, sem custo extra nos planos Foundation, Advanced e Prime.
- Crítica: para o ServeTheHome, é um guia e não um produto novo. Para a ZK Research, a proteção forte depende de hardware da Nvidia.
O que a Nvidia anunciou em Berlim?
A arquitetura divide o trabalho em três partes. O modelo de linguagem roda no Vera Rubin. O agente, com suas ferramentas, roda no processador Vera. O BlueField-4, que fica no único caminho entre o agente e o modelo, executa o Sentry. Jensen Huang resumiu assim no palco: os agentes pensam no Rubin, agem no Vera e são governados no BlueField.
A OpenShell tem quatro partes, segundo o blog técnico da Nvidia. O gateway controla o ciclo de vida das caixas de areia e as regras. O supervisor confere cada pedido que sai do agente e guarda as credenciais. A caixa de areia isola o agente. E o provador de regras verifica por lógica formal se as permissões ficam dentro de um teto definido pela empresa.
A Nvidia apresenta números próprios. O Vera Rubin NVL72 entregaria 30 vezes mais vazão por megawatt em cargas de agentes. O Vera teria o dobro do desempenho de processadores x86. O Sentry aumentaria em até 20% a capacidade de agentes. A CoreWeave fez medições próprias no Vera, comparado a um x86. A caixa de areia partiu mais de 3 vezes mais rápido. O ciclo do agente ficou 1,8 vez mais rápido em 20 tarefas do Terminal Bench. Um rack suportou mais de 11 mil ambientes de agentes ao mesmo tempo.
O que é novo em relação a setembro?
A lista de modelos. Em 29 de setembro, o TechCrunch informou que a OpenAI não tinha aderido em público à plataforma, embora colaborasse com a Nvidia na OpenShell. Agora OpenAI, Google, Meta e Cohere aparecem como criadores de modelos suportados. O Decrypt observa que o comunicado diz apenas que empresas podem rodar agentes desses fornecedores na arquitetura. Ele não descreve acordo assinado com cada um.
O prazo do Sentry. O post de 30 de setembro registrou que o monitor não tinha data. O comunicado de 21 de outubro diz que a arquitetura está disponível agora. O texto técnico sobre o Sentry, citado por Decrypt, Unite.AI e Blockchain.News, põe o Sentry no início do próximo ano. Hoje só bibliotecas DOCA como Argus, Flow e OVS-DOCA estão abertas, e para experimentação. O que está pronto é a parte em software.
O detalhe do Sentry também apareceu. Ele usa o DOCA Tower, baseado em Envoy, para inspecionar o tráfego e aplicar regras em Rego. Usa o DOCA Flow como firewall por agente e o DOCA Argus para ler regiões da memória do servidor sem instalar nada nele. A identidade dos agentes passa por SPIFFE e SPIRE.
Quem já usa?
A ServiceNow já tem produto liberado. O Arc é um agente pessoal de longa duração que trabalha em fluxos da ServiceNow, e-mail e Teams. Ele vem no pacote EmployeeWorks. As regras saem da Control Tower da ServiceNow, e cada agente recebe um AI Passport. A revogação chega à OpenShell e ao BlueField em cerca de um segundo, segundo a ServiceNow. A própria empresa avisa que a aplicação completa do passaporte na OpenShell e no BlueField vem numa versão futura.
A Red Hat vai integrar a arquitetura às suas plataformas de IA, trabalho ainda em curso, segundo o SiliconANGLE. John Fanelli, vice-presidente de software corporativo da Nvidia, explicou a lógica: “Um agente não deveria impor os próprios limites.” A SAP leva a arquitetura ao runtime do Joule Studio. BBVA e Santander estudam o uso. Segundo o The Next Web, a Anthropic combina o Claude Managed Agents com a OpenShell desde setembro.
O que dizem os críticos?
Ryan Smith, do ServeTheHome, lembra que a arquitetura é um guia de montagem e não traz hardware ou software novo. Ele chama a apresentação de discurso de marketing. Zeus Kerravala, da ZK Research, concorda com a tese de controle fora do agente. Mas pede que as empresas separem o que a OpenShell protege em software do que só o BlueField-4 com o Sentry aplica em hardware. O Unite.AI aponta que a peça que governa de fato ainda não está à venda.
Como chegamos até aqui?
A OpenShell apareceu em março de 2026 como prévia. Em 28 de setembro virou plataforma, com mais de 100 apoiadores. Em 7 de outubro, a Microsoft liberou no Windows 11 os contêineres de execução para agentes, e a OpenShell já rodava neles, como a Marcio.AI registrou. Em 21 de outubro a Nvidia amarrou tudo ao seu hardware de data center.
O que muda para empresas brasileiras?
A parte que já funciona é a OpenShell em software. Ela é aberta e roda em Linux e Kubernetes de Canonical, SUSE e Red Hat, no Windows e nas nuvens AWS, Google Cloud e Azure. Uma equipe de TI pode testar regras de acesso para agentes sem comprar hardware novo.
O Sentry depende de BlueField-4 e da linha Vera Rubin, e só sai em 2027. Quem planeja infraestrutura própria de IA deve pôr o controle em hardware no orçamento de 2027. Para clientes ServiceNow no Brasil, o Arc já pode ser ligado no Mac. O Santander, que tem grande operação no país, aparece entre os bancos que estudam a arquitetura. O anúncio fala do grupo e não cita a filial.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: a OpenShell em software tende a virar referência para conter agentes até o fim do primeiro trimestre de 2027, porque já roda nos sistemas e nuvens que as empresas usam. O controle em hardware fica restrito a quem comprar Vera Rubin com BlueField-4. Quatro sinais para conferir. A versão do Arc para Windows, prometida para as próximas semanas. A data firme do Sentry. O primeiro produto da Red Hat com a arquitetura embutida. E um anúncio próprio da OpenAI ou do Google com a OpenShell, que mostraria adesão além da lista da Nvidia.
Fontes
- NVIDIA Newsroom, NVIDIA Launches OpenShell Reference Architecture for Safe AI Agents, 21/10/2026
- NVIDIA Technical Blog, How NVIDIA OpenShell Reference Architecture Secures and Governs AI Agent Workloads at Scale, 21/10/2026
- ServiceNow, ServiceNow delivers industry-first personal enterprise agent and policy enforcement with NVIDIA, 21/10/2026
- The Next Web, Nvidia OpenShell gets a hardware stack for Anthropic and OpenAI agents, 21/10/2026
- SiliconANGLE, Red Hat and Nvidia expand their partnership to secure autonomous AI agents, 21/10/2026
- SiliconANGLE (Zeus Kerravala, ZK Research), Nvidia turns the AI factory into a product, and agents into the workload, 21/10/2026
- ServeTheHome, NVIDIA GTC Berlin 2026 NVIDIA Intros DSX PODs and More, 21/10/2026
- Decrypt, Nvidia Unveils Its Full-Stack Blueprint to Contain and Monitor AI Agents, 21/10/2026
- Unite.AI, NVIDIA Debuts OpenShell Reference Architecture for Agent Governance, 21/10/2026
- Blockchain.News, NVIDIA details Sentry runtime security for AI agents, 21/10/2026
- TechCrunch, Here’s why OpenAI is absent from Nvidia’s industry-wide effort to end rogue AI agents, 29/09/2026
- NVIDIA Blog, How Autonomous AI Agents Become Secure by Design With NVIDIA OpenShell, 23/03/2026
Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção DeepTech do Watcher.
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Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
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