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ICON, que imprime casas com robôs, capta US$ 200 milhões a US$ 1,4 bilhão de avaliação

Capa do Watcher com o título ICON capta US$ 200 milhões para robôs de obra
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A americana ICON, de Austin, no Texas, que constrói casas e prédios com robôs de impressão 3D, anunciou na terça, 13 de outubro, uma Série D de US$ 200 milhões liderada pela Baillie Gifford e por fundos da BlackRock. A empresa diz que a receita deve quadruplicar em 2026, sem informar valores. Segundo a CNBC, citada pela Quartz e pelo Bisnow, a rodada avalia a ICON em US$ 1,4 bilhão. O dinheiro vai para fabricar e entregar o Titan, robô que imprime obras de mais de um andar.

Em resumo

  • Rodada: US$ 200 milhões, liderada por Baillie Gifford e BlackRock, com Tiger Global, Norwest, CAZ Investments, Moderne Ventures e Capital Factory, entre outros.
  • Avaliação: US$ 1,4 bilhão e US$ 700 milhões captados no total, segundo a CNBC. Em 2022, a empresa tinha sido avaliada perto de US$ 2 bilhões, segundo o TechCrunch.
  • Titan: robô para obras de vários andares, com paredes de até 27 pés, cerca de 8,2 metros. Custa US$ 899 mil e as primeiras entregas estão previstas para o início de 2027.
  • Escala: mais de 270 casas e estruturas em cinco estados americanos e dois países, e mais de US$ 370 milhões em contratos com o governo dos EUA.
  • Leitura: a ICON passa a vender a máquina a outras construtoras. O teste do modelo começa com as entregas do Titan em 2027.

O que a ICON anunciou?

Pelo comunicado da empresa, a Série D teve Baillie Gifford e fundos da BlackRock na liderança, com Capital Factory, CAZ Investments, Moderne Ventures, Moonshots Capital, Norwest, Overmatch, The Syndicate e Tiger Global. O dinheiro vai para fabricar e instalar os sistemas robóticos, montar um centro de pesquisa de grande porte em Austin, desenvolver as próximas gerações de máquinas, entre elas Titan e Olympus, e crescer no Texas, na Flórida, em Washington e em novos mercados dos EUA.

“A automação da construção passou do potencial para a realidade comprovada”, disse Jason Ballard, cofundador e CEO da ICON, no comunicado. Luke Ward, gestor de empresas privadas da Baillie Gifford, disse que “as indústrias mais difíceis de mudar costumam ter mais a ganhar”. A Axios Pro registra que construtech voltou a atrair investidores depois de anos de baixa.

Os números de obra divergem um pouco. O comunicado fala em mais de 270 casas e estruturas em cinco estados e dois países. O The Real Deal, reproduzido pelo Yahoo Finance, contou 263 estruturas nos EUA e no México, com 117 casas vendidas, a partir do site da empresa. A diferença parece de data de atualização do site.

Quanto vale a ICON e por que o número chama atenção?

A ICON não citou avaliação no comunicado. A CNBC informou US$ 1,4 bilhão e US$ 700 milhões captados desde a fundação, segundo a Quartz e o Bisnow. Ballard disse à CNBC que o resultado foi “de nível mundial” e que a empresa pensa num IPO no futuro. Pelo Bisnow, a ICON espera dobrar a receita de novo em 2027.

O histórico explica a leitura. Em fevereiro de 2022, uma extensão de US$ 185 milhões da Série B levou a avaliação para perto de US$ 2 bilhões, segundo o TechCrunch. Em janeiro de 2025, a empresa cortou 114 pessoas, cerca de 25% do quadro, segundo aviso ao órgão de trabalho do Texas. Semanas depois, captou US$ 56 milhões numa Série C para desenvolver a impressora de vários andares, segundo o TechCrunch citado pelo Fabbaloo. Os números fecham: mais de US$ 450 milhões até 2024, mais US$ 56 milhões e US$ 200 milhões dão cerca de US$ 706 milhões, perto dos US$ 700 milhões da CNBC.

Com US$ 1,4 bilhão, a ICON vale cerca de 30% menos que em 2022.

O que é o Titan e quanto custa?

A ICON abriu a venda do Titan em 11 de março de 2026, com reserva de US$ 5 mil. O treinamento de clientes começa no terceiro trimestre de 2026 e as primeiras entregas estão previstas para o início de 2027, segundo a empresa. O preço de tabela é de US$ 899 mil, com bomba de material, treinamento e três anos de garantia, segundo a All3DP. O braço alcança 70 pés, cerca de 21 metros, e as paredes chegam a 27 pés de altura.

A ICON promete paredes a cerca de US$ 20 por pé quadrado, perto de US$ 215 por metro quadrado, e chama o número de meta de engenharia. O comunicado de outubro fala em seis semanas a menos de obra numa casa média e custo 40% menor que a média americana, pela modelagem interna da empresa. O The Real Deal cita casas de 2.500 pés quadrados, cerca de 232 metros quadrados, impressas em menos de sete dias. O material, o FormCrete, custa US$ 620 por jarda cúbica, segundo a Construction Dive, e a ICON diz que as paredes resistem a ventos acima de 175 milhas por hora, cerca de 280 km/h.

Onde a ICON já constrói?

O maior cliente recente é o Exército americano. Em janeiro, a ICON fechou contrato de US$ 62,8 milhões para imprimir 10 alojamentos em Fort Bliss, no Texas, segundo a Construction Dive. A divisão ICON Prime, criada em abril para defesa e espaço, soma mais de US$ 370 milhões em contratos públicos. Com a NASA, a empresa recebeu US$ 57,2 milhões em 2022 para pesquisar construção na Lua com solo lunar.

No mercado civil, a ICON construiu o bairro Wolf Ranch, em Georgetown, com a incorporadora Lennar, e mais de 100 casas para pessoas em situação de rua na Community First! Village, em Austin. O modelo de vender a impressora para terceiros já é usado pela dinamarquesa COBOD, lembra a 3D Printing Industry.

O que isso significa para o Brasil?

O Brasil tinha déficit de 5,98 milhões de moradias em 2023, segundo a Fundação João Pinheiro, citada pelo portal Portas. O aluguel caro responde por 61,3% desse total. Construção mais rápida e barata ataca uma parte do problema, a oferta. O preço final depende também de terreno e crédito.

A impressão 3D de obras já existe no país em escala pequena. A Cosmos 3D, do Grupo Katz, imprimiu 250 dos 420 metros quadrados de uma casa de alto padrão em Nova Lima, Minas Gerais, com a estrutura pronta em 11 dias, e faturou R$ 12 milhões em 2025, segundo a Economic News Brasil. A primeira casa impressa no país foi entregue em 2024, no sul da Bahia. Com o Titan à venda, construtoras brasileiras passam a ter uma máquina americana de vários andares como referência de preço, ao lado da dinamarquesa COBOD.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: a ICON trocou crescimento por avaliação para financiar a virada para fabricante de máquinas, e o investidor topou porque o Exército garante receita enquanto o mercado civil amadurece. O risco está na fábrica. Se o Titan atrasar, a meta de quadruplicar a receita passa a depender quase só de contratos públicos.

Sinais para conferir até o início de 2027: o número de reservas do Titan, que a ICON não divulga, o começo do treinamento de clientes prometido para este trimestre, as primeiras entregas, novos contratos do Exército depois de Fort Bliss e a divulgação de algum número absoluto de receita, passo que antecede qualquer IPO.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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