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Ramp capta US$ 1,85 bilhão, vale US$ 60 bilhões e dá cartão corporativo a agentes de IA

Capa do Watcher com o título Ramp vale US$ 60 bi e dá cartão a agentes de IA
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Ramp é uma fintech de Nova York que vende cartão corporativo e software de despesas. Na quinta, 15 de outubro de 2026, ela anunciou uma rodada de US$ 1,85 bilhão a uma avaliação de US$ 60 bilhões. Em junho ela valia US$ 44 bilhões. A empresa diz ter passado de US$ 2 bilhões em receita anualizada e de US$ 275 bilhões em volume anual de compras dos clientes. Parte da aposta está nos agentes de IA, que agora podem comprar com um cartão corporativo da própria Ramp.

Em resumo

  • Rodada: US$ 1,85 bilhão, com Dragoneer, Thrive Capital, Founders Fund, Sands Capital e Avenir Growth à frente. A Ramp soma cerca de US$ 5 bilhões captados.
  • Números da empresa: receita anualizada acima de US$ 2 bilhões, contra US$ 1,5 bilhão em junho, e 85 mil clientes, contra 70 mil.
  • Agentes: a Ramp pôs agentes de IA em compras, despesas, contabilidade e orçamento e lançou um cartão corporativo que o agente usa no checkout.
  • Concorrência: a Brex, rival mais próxima, foi comprada pela Capital One por US$ 5,15 bilhões, negócio concluído em 7 de abril de 2026.
  • Ressalva: os números de receita, volume e clientes são da própria Ramp e não passam por auditoria pública.

O que a Ramp anunciou?

A Bloomberg antecipou a rodada em 9 de outubro, citando pessoas a par da negociação. A Ramp não comentou na época, segundo o PYMNTS. A confirmação veio em 15 de outubro, em anúncio coberto pelo TechCrunch. Dragoneer, Thrive Capital, Founders Fund, Sands Capital e Avenir Growth lideraram. Entre os outros investidores estão Fidelity, T. Rowe Price, GIC, Coatue, Lightspeed, Khosla Ventures e o fundo de pensão dos professores de Ontário.

Segundo a Bloomberg, reproduzida pelo The Next Web, os US$ 60 bilhões são avaliação pré-money. Ou seja, não incluem o dinheiro novo. A escada de avaliações é curta. Foram US$ 32 bilhões em novembro de 2025, com US$ 300 milhões captados, segundo o FinTech Futures. Depois, US$ 44 bilhões em junho de 2026, com US$ 750 milhões. Agora, US$ 60 bilhões. O Startups calcula alta de 36% em um trimestre.

Os números operacionais vêm da empresa. A receita anualizada passou de US$ 2 bilhões, e o crescimento está 25% mais rápido que um ano antes. O volume anualizado de compras dos clientes chegou a US$ 275 bilhões, alta de 175% em um ano. Entre os clientes citados estão Visa, Uber, Shopify, Robinhood, Notion, Cursor e Figma.

Como funciona o cartão para agentes?

A documentação da Ramp descreve o Agent Card como o meio de pagamento para quando um agente precisa de dados de cartão num checkout pelo navegador. O agente usa o saldo de um fundo liberado para o usuário da Ramp a quem está ligado. Ele segue o limite de gasto desse fundo, as regras de estabelecimento, as políticas de aprovação e os padrões contábeis. No fim, fecha o registro da compra com memorando, recibo e dados contábeis.

A Ramp oferece dois modelos de identidade. No primeiro, disponível hoje, o agente age em nome de um funcionário e só vê e faz o que ele pode. No segundo, o agente tem identidade, permissões e trilha de auditoria próprias. Esse modelo está em acesso antecipado limitado. O acesso se dá por linha de comando, por MCP, para assistentes como Claude e ChatGPT, ou por API.

O cartão é uma das rotas. A mesma documentação cita o protocolo de pagamentos de máquina da Stripe e uma carteira com saldo separado para o x402, tema que a Marcio.AI mediu com dados da Chainalysis. O Forkast descreve uma demonstração da Ramp. O agente tem orçamento semanal de US$ 3.600 dentro de um teto de US$ 10 mil e cinco fornecedores aprovados. Recibo é obrigatório, e compra acima de US$ 500 pede aprovação humana.

A base de rede vem da Visa. Em abril de 2026, as duas empresas renovaram por vários anos o contrato de emissão, segundo a Electronic Payments International. Também anunciaram integração com o Visa Intelligent Commerce e o Trusted Agent Protocol, para que agentes paguem contas de empresas.

Onde mais a Ramp usa IA?

O TechCrunch lista agentes embutidos em compras, despesas, contabilidade e orçamento. Em abril de 2026 a Ramp lançou agentes de procurement que buscam fornecedores, montam pedidos de cotação, fazem triagem de solicitações e acompanham renovações, segundo o Forkast. Em agosto lançou o Router, que manda cada tarefa para o modelo de IA mais barato que dá conta dela e controla o gasto com tokens. Segundo o PYMNTS, a Ramp usou a ferramenta internamente por três anos e cortou cerca de 30% do custo com IA.

Em outubro veio o Glass, um espaço que guarda automações, prompts e habilidades criadas pelos funcionários. A ambição é declarada. “Vamos competir com a Anthropic”, disse ao TechCrunch, em setembro, Keith Rabois, investidor da Ramp desde o início.

Como chegamos até aqui?

A Ramp foi fundada em 2019 por Eric Glyman, Karim Atiyeh e Gene Lee. O mercado de despesas corporativas mudou de forma em 2026. A Capital One concluiu a compra da Brex em 7 de abril, por US$ 5,15 bilhões em ações e dinheiro, segundo o comunicado do banco. O Startups registra US$ 5 bilhões pagos em 2025. O comunicado da Capital One, fonte primária, fixa o valor e a data de 2026. Pedro Franceschi, fundador da Brex, segue como CEO dentro do banco.

Sem a Brex independente, a Ramp ficou como a startup mais valiosa do setor, segundo a Bloomberg. A pressão agora vem da Rippling, que nasceu em folha de pagamento e entrou em cartão, despesas e contas a pagar. Em setembro de 2026 a Ramp chegou ao Reino Unido, sua primeira grande expansão fora da América do Norte. Ela usa licenças de pagamento britânica e sueca obtidas com as compras da Juno e da Billhop, segundo o FinTech Futures.

E no Brasil?

A Ramp não tem operação anunciada no Brasil. O exemplo local mais próximo é a Conta Simples, que tem cerca de 2,5% do mercado de cartões corporativos, segundo estimativa citada pela Let’s Money. O Cartão Inteligente da Conta Simples recusa sozinho a transação fora das regras da empresa: quem usa, valor, horário, dia e categoria. A fintech também ligou as contas dos clientes ao Claude por um servidor MCP. Esse servidor lê, analisa e cria, mas não executa pagamento sozinho.

O passo seguinte da Conta Simples é o Faça Seu Agente, anunciado no Web Summit Rio 2026. Nele, o gestor descreve em linguagem comum o que o agente faz e com que limites. A previsão é o quarto trimestre de 2026, com cerca de 100 empresas em teste. A distância para a Ramp está no pagamento: lá o agente já compra com cartão próprio, aqui ele ainda prepara e o humano executa. Para o diretor financeiro brasileiro, a lista de exigências fica clara. Limite por agente, fornecedor permitido, recibo obrigatório e trilha de quem autorizou.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: em 2027 o cartão para agentes vira item padrão das plataformas de despesas. A disputa passa a ser pelo controle de cada compra e pelo registro contábil automático. Quem não entregar limite por agente e trilha de auditoria perde o cliente corporativo. Sinais para conferir até o fim do ano. A saída do modelo de identidade própria do agente do acesso antecipado. Alguma divulgação de volume pago por agentes na Ramp. A resposta da Rippling e da Brex sob a Capital One. E o lançamento do Faça Seu Agente da Conta Simples no quarto trimestre.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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