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Seguro contra calote da CoreWeave passa de 1.000 pontos e embute 63% de chance de default

Capa do Watcher com o título CoreWeave: seguro contra calote passa de 1.000 pontos
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Na quinta, 15 de outubro de 2026, o mercado de crédito passou a precificar a CoreWeave como empresa em dificuldade. O custo do seguro contra calote de cinco anos, o CDS, passou de 1.000 pontos-base, recorde, segundo a S&P Global Market Intelligence. Pelo cálculo citado pela Reuters, esse preço embute chance de quase 63% de default em cinco anos, contra cerca de 30% um ano antes. Um título da empresa com vencimento em outubro de 2031 chegou a render mais de 16%. A CoreWeave deve cerca de US$ 50 bilhões somando dívida e arrendamentos e diz que a carteira de contratos cobre tudo. Na segunda, 19, a ação subiu antes da abertura depois de o Goldman Sachs passar a recomendar compra.

Em resumo

  • Seguro: o CDS de cinco anos passou de 1.000 pontos-base em 15/10, recorde. Em junho estava em 452 pontos.
  • Títulos: os papéis de 2031 caíram para perto de 79 centavos por dólar, com rendimento de 15,6% a 16,2%, segundo preços da Bloomberg citados pelo BigGo.
  • Ação: semana de queda de quase 25%, a pior em mais de 11 meses, com fechamento a US$ 61,39 na sexta, 16.
  • Defesa: Jensen Huang disse que o custo de capital da CoreWeave está caindo. O Goldman elevou a recomendação para compra, mas cortou o preço-alvo.
  • Leitura: o crédito passou a cobrar caro de quem depende de dívida nova para crescer, e a CoreWeave virou o termômetro do setor.

O que o mercado de crédito sinalizou?

O CDS funciona como um seguro. Quem compra paga um prêmio anual e é ressarcido se a empresa der calote. Um preço de 1.000 pontos-base significa pagar 10% do valor segurado por ano. Na conta do Motley Fool, proteger US$ 1 milhão em dívida da CoreWeave custava US$ 103.800 por ano no meio da quinta, com o CDS a 1.038 pontos. Gavan Nolan, da S&P Global Market Intelligence, disse à CNBC que spread nesse nível indica estresse de crédito grave.

O pico do dia varia conforme a fonte e o horário. A CNBC registrou mais de 1.140 pontos e acomodação em 1.088. O BigGo fala em máxima recorde de 1.194,5 pontos. A probabilidade de calote também depende do modelo usado. A Reuters cita quase 63% em cinco anos. O BigGo cita cerca de 64% pela S&P e mais de 60% por dados da ICE. Os próprios veículos lembram que esses números saem de modelos de preço e medem o humor do mercado com imprecisão.

Nos títulos, a queda foi na mesma direção. Pelos preços da Bloomberg citados pelo BigGo, o papel com cupom de 9% e vencimento em 2031 caiu para 79,9 centavos por dólar, com rendimento de 15,6%. O de cupom de 9,75%, também de 2031, foi a 78,65 centavos e 16,2%. Abaixo de 80 centavos o mercado costuma tratar o título como de empresa em dificuldade. Segundo a Reuters, o papel de outubro de 2031 caminhava para a quinta semana seguida de queda.

Quanto a CoreWeave deve, e o que ela diz que cobre a conta?

As fontes dão números diferentes porque contam coisas diferentes. Em 30 de junho, a CoreWeave tinha US$ 35,1 bilhões em dívida e US$ 16,5 bilhões em arrendamentos, cerca de US$ 52 bilhões no total, segundo o ROIC.ai. A Reuters arredonda para cerca de US$ 50 bilhões. O Motley Fool fala em US$ 51 bilhões. A despesa de juros do segundo trimestre foi de US$ 640 milhões, contra US$ 267 milhões um ano antes, segundo o StockTwits. Isso equivale a cerca de um quarto da receita do trimestre, que foi de US$ 2,58 bilhões.

Do outro lado está a carteira de contratos, de cerca de US$ 104 bilhões no fim de junho, sem contar mais de US$ 25 bilhões assinados no começo do terceiro trimestre. O CEO Michael Intrator escreveu num memorando interno, visto pela Reuters, que essa carteira mais do que cobre as obrigações da dívida. A dúvida do mercado está no prazo. A dívida paga juros agora e a receita entra ao longo de anos. No segundo trimestre, o fluxo de caixa livre foi negativo em US$ 5,7 bilhões e o prejuízo líquido ficou em US$ 626 milhões, segundo o Motley Fool.

Nolan, da S&P, resumiu a questão à CNBC. A demanda está clara nos contratos com hiperescaladores. Falta saber se o caixa operacional chega rápido o bastante para cobrir o fluxo negativo e o investimento pesado. Os analistas esperam receita de quase US$ 13 bilhões em 2026 e prejuízo de US$ 2,13 bilhões, segundo a Reuters. Em agosto a empresa elevou a previsão de investimento do ano para até US$ 39 bilhões.

Qual é o papel da Nvidia?

A Nvidia é a segunda maior acionista da CoreWeave e já tem um compromisso assinado: comprar qualquer capacidade não vendida da CoreWeave até 13 de abril de 2032, segundo a Reuters. Na quinta, num evento em Estocolmo, Jensen Huang disse a jornalistas que a força financeira da empresa cresce a cada dia e que o custo de capital dela está caindo. Perguntado se a Nvidia precisaria dar apoio financeiro, indicou que não vê necessidade, segundo o BigGo.

A ação abriu a quinta em queda de 6,6% e fechou em alta de mais de 5,9%. Na sexta voltou a cair 11,91%, para US$ 61,39. A Reuters observou que o aval de Huang não segurou o papel, ao contrário do que aconteceu com a Marvell em junho. Brian Reynolds, da Reynolds Strategy, sugeriu à Reuters que a Nvidia poderia comprar a CoreWeave com pequeno prêmio sobre o preço da ação.

Como os analistas reagiram?

O mercado de ações se dividiu. O Deutsche Bank manteve recomendação de compra e alvo de US$ 150 na quinta, segundo o ROIC.ai. Na segunda, 19, o Goldman Sachs elevou a CoreWeave de neutra para compra, mas cortou o preço-alvo de US$ 139 para US$ 106, segundo Benzinga e StockTwits. A analista Gabriela Borges escreveu que o mercado superestima o custo de capital futuro da empresa. Ela citou preço de cerca de US$ 40 milhões por megawatt em contratos curtos, de três a seis meses, e reajustes de 25% em julho e de 10% em outubro.

No mesmo dia, a MoffettNathanson cortou o alvo de US$ 107 para US$ 89 e manteve recomendação neutra. A casa disse que a CoreWeave está longe de afundar, mas tem obrigações financeiras enormes e depende do mercado de capitais. A ação subiu cerca de 6% antes da abertura de segunda. Na semana anterior, os ETFs da ARK compraram mais de 381 mil ações e o varejo comprou US$ 66 milhões líquidos, segundo dados da Vanda citados pela Reuters.

Quem mais sente o aperto?

O estresse passou da CoreWeave para outros nomes. Na quinta, o CDS de cinco anos da Oracle foi a 288 pontos, recorde, e o do SoftBank a 424 pontos, segundo Coinpaper e BigGo. Nebius caiu 10% na semana, e Applied Digital e IREN, 9% cada, segundo a Reuters. A emissão de dívida ligada à IA caiu de US$ 113 bilhões em junho para US$ 23 bilhões em setembro, segundo o Coinpaper. A mesa de operações da Evercore ISI resumiu à CNBC que o mercado está recusando dívida de IA sem fluxo de caixa operacional por trás.

Como chegamos até aqui?

A CoreWeave abriu capital em março de 2025 e liderou o grupo das neoclouds, que alugam GPUs da Nvidia e se endividam para comprá-las. Em 2026, a Marcio.AI mostrou que neoclouds precisam de garantia de big tech ou da Nvidia para alugar data center e que bancos limitaram o próprio risco no empréstimo da Volta. Na quarta, 14 de outubro, a inflação americana acima do esperado e o alerta do Gartner sobre US$ 3,5 trilhões em infraestrutura de IA derrubaram a ação. Nos dias seguintes a pressão chegou ao crédito, e o que era queda de ação virou dúvida sobre a dívida.

O que isso muda para empresas brasileiras?

Para quem contrata GPU de neocloud a partir do Brasil, o CDS e o preço do título do fornecedor são dados públicos e diários. Eles mostram a percepção de risco antes de qualquer balanço. Uma regra prática para o comitê de fornecedores: se o CDS passar de 1.000 pontos ou o título cair abaixo de 80 centavos, revisar plano de saída, cópia dos dados e prazo de migração. O compromisso da Nvidia de comprar a capacidade ociosa da CoreWeave reduz o risco de receita do fornecedor, mas não garante o serviço ao cliente final.

Para o investidor brasileiro que compra ações americanas de IA, a semana mostrou que carteira de contratos sozinha não sustenta o preço. O dado a olhar junto é a despesa de juros. Na CoreWeave ela já consome cerca de um quarto da receita.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: até o balanço do terceiro trimestre, esperado para novembro, o CDS da CoreWeave não volta aos 452 pontos de junho, e qualquer dívida nova sem garantia sai com juros acima dos cupons de 9% a 9,75% dos papéis de 2031. Ganham as neoclouds com cliente de grau de investimento e garantia de terceiros. Perdem as que dependem de dívida sem garantia. Sinais para conferir: o balanço de novembro, com margem e despesa de juros. A busca por nota de grau de investimento, que o cofundador Brannin McBee citou ao Financial Times. A captação com seguradoras, que a empresa estuda segundo o ROIC.ai. E o CDS da Oracle, que estava em 288 pontos na quinta.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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