A Marcio.AI cobre o AI Brasil Experience, 28 e 29 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

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Bancos limitam o risco no empréstimo de US$ 5 bi da Volta para data centers de IA

Capa do Watcher com o título Volta: bancos garantem só US$ 1,3 bi de US$ 5 bi
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

O JPMorgan e o Goldman Sachs lideram um empréstimo de US$ 5 bilhões para a Volta Infrastructure, nuvem de IA criada em 2026, mas tomaram cuidados para limitar o próprio risco. Segundo a Bloomberg, em 12 de outubro, os bancos garantem só a parcela de US$ 1,3 bilhão, ligada ao aluguel de um complexo de data centers na Noruega construído com a Bitdeer. Os outros US$ 3,7 bilhões, que pagam cerca de 36 mil GPUs da Nvidia, ficam sem compromisso firme dos bancos. A oferta paga juros perto de 11%, e os pedidos dos investidores vão até 14 de outubro.

Em resumo

  • Estrutura: US$ 5,012 bilhões em duas partes: US$ 1,3 bilhão ligado ao aluguel do data center e US$ 3,712 bilhões para comprar cerca de 36 mil GPUs da Nvidia.
  • Proteção dos bancos: JPMorgan e Goldman Sachs garantem a colocação só da parte de US$ 1,3 bilhão. A parte das GPUs depende da demanda dos investidores.
  • Preço: SOFR mais 6,25 a 6,50 pontos percentuais, com deságio de 2% a 3%. O retorno vai de 11,21% a 11,75%, segundo a Crypto Briefing.
  • Para que serve: o campus de Tydal, na Noruega, com 121 MW de TI, alugado da Bitdeer por 16 anos. O cliente final seria a Anthropic, segundo a Bloomberg, sem confirmação.
  • Prazo: os pedidos dos investidores vão até 14 de outubro.

Como é o empréstimo da Volta?

A operação soma US$ 5,012 bilhões, segundo a Crypto Briefing. A primeira parte é um empréstimo de US$ 1,3 bilhão com garantia de primeiro grau. A segunda é um empréstimo de US$ 3,712 bilhões para GPUs. O preço é a taxa SOFR mais 6,25 a 6,50 pontos percentuais, com os títulos vendidos a 97 ou 98 centavos por dólar. O retorno total fica entre 11,21% e 11,75%. A GuruFocus classifica esse custo entre os mais altos do mercado de empréstimos alavancados.

A Briefs Finance, a partir de reportagem da Bloomberg de 5 de outubro, acrescenta detalhes. O tomador é a sociedade de propósito específico Volta Tydal Holdings, de Luxemburgo. O investidor precisa comprar as duas partes juntas. As duas amortizam o principal ao longo do prazo. E a dívida não tem nota de crédito, o que afasta boa parte dos CLOs, fundos que são os maiores compradores desse tipo de empréstimo.

Por que os bancos limitaram o risco?

Garantir a colocação significa que o banco fica com a dívida se não achar comprador. Segundo a Bloomberg, reproduzida pelo Seeking Alpha e pela NewsBytes, JPMorgan e Goldman assumiram esse compromisso só para os US$ 1,3 bilhão. A lembrança é 2022, quando os juros subiram rápido, o mercado travou e os bancos tiveram perdas grandes com dívida que ficou parada no balanço.

A Crypto Briefing lista os riscos que os investidores apontam: pouco histórico de operação, nenhuma garantia corporativa por trás da dívida e alavancagem alta em comparação com a CoreWeave. A Briefs lembra que CoreWeave, Lambda e Crusoe conseguiram empréstimos lastreados em chips neste ano a custo menor do que a Volta paga agora.

As fontes divergem sobre a história do preço. A Crypto Briefing diz que a operação foi oferecida em agosto e setembro a cerca de SOFR mais 5 pontos e voltou ao mercado em 9 de outubro com 1,25 a 1,50 ponto a mais e deságio. A Briefs informa que em 5 de outubro o JPMorgan já oferecia a faixa de 6,25 a 6,50 pontos e já tinha feito a teleconferência com investidores. As duas concordam no preço final e no prazo de 14 de outubro.

O que o dinheiro paga?

O comunicado da Bitdeer, de 4 de agosto, explica a parte de US$ 1,3 bilhão. A Volta alugou o campus de Tydal, na Noruega, por 16 anos, com receita contratada de cerca de US$ 4,7 bilhões. São 121 MW de carga de TI, cerca de 133 MW brutos, em duas fases: a primeira até 31 de dezembro de 2026 e a segunda até 31 de março de 2027. O aluguel médio é de cerca de US$ 202 por kW por mês. As obrigações da Volta seriam cobertas por cartas de crédito de cerca de US$ 1,3 bilhão, arranjadas por afiliadas do J.P. Morgan e de outro grande banco global. É essa garantia que a parcela menor do empréstimo financia.

O mesmo comunicado traz um detalhe que pesa na conta do investidor. A Volta pode encerrar o contrato sem multa no décimo ano. A renovação opcional de oito anos levaria o total a cerca de US$ 8 bilhões em 24 anos.

A parte de US$ 3,7 bilhões compra cerca de 36 mil GPUs da Nvidia. Segundo o The Register, a Volta disse que vai instalar sistemas Vera Rubin VR200 NVL72. O cliente é um laboratório de IA não nomeado, com quem a Volta assinou parceria de US$ 10 bilhões em computação por seis anos. A Bloomberg identificou a Anthropic. Nem a Volta nem a Anthropic confirmaram, e a Anthropic não quis comentar ao The Register.

Quem é a Volta?

A Volta saiu do modo discreto em 4 de agosto. Foi fundada em 2026 por Ricard Boada, o CEO, e Sofia Gumuzio, ambos ex-executivos da área de infraestrutura da Brookfield, segundo o DCD. Levantou cerca de US$ 300 milhões a uma avaliação de US$ 2,4 bilhões, com Andreessen Horowitz, Altimeter, Azora e Nvidia, e participação do escritório de família de Michael Dell, segundo o DCD e o The Next Web.

No lançamento, a Volta disse ao The Register que juntar finanças, data centers, computação e operação baixa o custo de capital, em comparação com nuvens de IA que dependem de dívida de alto risco. Dois meses depois, o empréstimo para as GPUs sai perto de 11%.

Como chegamos até aqui?

A dívida para chips virou tema da semana. Em 10 de outubro a Marcio.AI cobriu a negociação da SpaceX por cerca de US$ 40 bilhões em dívida com a Apollo para comprar chips da Nvidia, segundo o Financial Times. No início do mês, o portal mostrou que a Nvidia procura seguradoras para empréstimos com GPUs, porque os bancos calculam vida útil de três a quatro anos para os chips. A Briefs cita estimativa da Bloomberg de cerca de US$ 625 bilhões em dívida para infraestrutura de IA nos últimos dois anos.

O caso Volta junta os dois riscos. O contrato com o laboratório dura seis anos. O empréstimo das GPUs depende de chips que os bancos tratam como ativo de três a quatro anos. E o aluguel do prédio tem saída sem multa no décimo ano. O investidor da parcela de US$ 3,7 bilhões aposta que o contrato paga a dívida antes que os chips percam valor.

O que isso significa para o Brasil?

A Marcio.AI mostrou neste mês que a corrida por data centers chegou ao Brasil. Projetos daqui que busquem dívida devem encontrar a mesma régua: o prédio e o aluguel de longo prazo conseguem crédito mais barato, e a compra de GPUs paga caro, porque o chip perde valor rápido e serve de garantia frágil.

Para empresas brasileiras que contratam capacidade de GPU de nuvens de IA estrangeiras, a lição é olhar o balanço do fornecedor. Um provedor que paga 11% ao ano pela dívida dos chips precisa de contrato longo e cliente forte. O contrato de capacidade deve prever o que acontece com o serviço se o fornecedor tiver problema financeiro.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: até o fim de 2026, dívida para comprar GPU de nuvem de IA nova só sai com juros acima de 10% e com os bancos fora do risco, a menos que o cliente final seja grande e confirmado. Ganham a Bitdeer, que recebe aluguel coberto por carta de crédito, e os fundos de crédito privado que cobram 11%. Perdem as nuvens de IA sem histórico. Sinais para conferir: se a operação fecha em 14 de outubro no preço oferecido ou com juros maiores, o que JPMorgan e Goldman dizem sobre crédito para IA nos balanços do terceiro trimestre, divulgados nesta terça, 13 de outubro, segundo o Seeking Alpha, a confirmação ou não da Anthropic como cliente e a entrega da primeira fase de Tydal até 31 de dezembro.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: SpaceX busca US$ 40 bi em dívida com a Apollo para chips da Nvidia e Nvidia procura seguradoras para empréstimos com GPUs, e bancos questionam vida útil.

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