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Startups de IA precisam de garantia de big tech ou da Nvidia para alugar data center

Capa do Watcher com o título Neoclouds dependem de garantia de big tech
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Startups que alugam GPUs como serviço, as chamadas neoclouds, estão com dificuldade para fechar contrato de data center sem uma empresa grande por trás. Segundo reportagem da Bloomberg de 30 de setembro, donos de data centers e credores passaram a pedir que uma big tech ou um fabricante de chips garanta o aluguel. O modelo já tem nome e números públicos. O Google garante US$ 1,8 bilhão de um contrato da Fluidstack com a TeraWulf e US$ 1,4 bilhão de outro com a Cipher Mining. A Nvidia virou fiadora de parte do setor.

Em resumo

  • O fato: a Bloomberg relatou em 30/09 que startups de IA têm dificuldade para alugar data centers sem garantia de big tech. O advogado Eamon Nolan, do escritório Vinson & Elkins, foi uma das fontes.
  • Mudança no formato: segundo o resumo do escritório, os garantidores querem limitar a exposição no balanço e trocam a garantia do aluguel inteiro por garantia de valor residual do data center.
  • Casos públicos: o Google garante US$ 1,8 bilhão do contrato da Fluidstack com a TeraWulf, com warrants de cerca de 8% da empresa, e US$ 1,4 bilhão do contrato com a Cipher Mining.
  • Nvidia: aluga de volta GPUs ociosas de neoclouds para dar segurança ao credor, garantiu um contrato de US$ 35 bilhões entre Lambda e Anthropic e conversa com seguradoras.
  • Leitura: o custo de capacidade de IA passa a depender também do crédito de quem garante o contrato.

O que a Bloomberg relatou?

A reportagem está atrás de paywall. O título diz que startups de IA enfrentam barreiras para conseguir data centers sem garantia de aluguel de big techs. O escritório Vinson & Elkins publicou em 5 de outubro um resumo da versão da Bloomberg Law, que ouviu seu sócio Eamon Nolan, da área de financiamento de projetos.

Pelo resumo, as neoclouds dependem cada vez mais de garantias financeiras de grandes empresas de tecnologia e de fabricantes de chips para conseguir capacidade e crédito. Do outro lado, quem dá a garantia quer manter flexibilidade e limitar o peso no próprio balanço. Por isso o formato muda. A garantia deixa de cobrir todos os aluguéis futuros e passa a cobrir o valor residual: se o inquilino sair, o data center mantém um valor combinado. “Até a natureza dessa garantia está em movimento”, disse Nolan, em tradução livre.

Por que o dono do data center exige garantia?

A Bisnow ouviu executivos do setor num painel em Nova York em 16 de julho. O financiamento de data centers nos EUA, uma construção de quase US$ 2 trilhões, sempre se apoiou em inquilinos com grau de investimento, como Amazon, Microsoft, Google e Meta. As neoclouds são a parte da demanda que mais cresce: a receita subiu 223% no quarto trimestre de 2025 sobre o ano anterior, segundo a Synergy Research Group. A JLL conta mais de 190 operadoras, a maioria startups. Nem a CoreWeave, a maior delas na bolsa, tem grau de investimento.

O risco está no prazo. Uma neocloud assina aluguel de 15 anos e vende capacidade em contratos de horas, meses ou até três anos. Jeffrey Moerdler, do escritório Haynes Boone, chamou o modelo de “WeWork 2.0”. Dave Ferdman, da Primary Digital Infrastructure, disse que a dívida dessas empresas paga de 2,75 a 3,25 pontos percentuais acima da dívida com grau de investimento. A saída tem sido pedir que alguém com balanço forte entre no contrato: uma big tech garante o aluguel, garante a dívida do projeto ou se compromete a comprar a capacidade.

Quem já está garantindo?

O Google é o caso mais documentado. Em agosto de 2025, a TeraWulf informou à SEC que o Google garantiria US$ 1,8 bilhão das obrigações de aluguel da Fluidstack no campus de Lake Mariner, em Nova York. O contrato soma cerca de US$ 3,7 bilhões em dez anos, com mais de 200 MW de carga de TI. Em troca, o Google recebeu warrants de cerca de 41 milhões de ações, perto de 8% da TeraWulf. Em setembro de 2025, a Cipher Mining anunciou contrato de US$ 3 bilhões em dez anos com a mesma Fluidstack, no Texas, com garantia do Google de US$ 1,4 bilhão.

A Nvidia foi além. Segundo a Capacity, ela garante uma ocupação mínima a neoclouds e aluga de volta as GPUs que os clientes não usarem, o que tira o risco do credor. O primeiro acordo assim foi da Sharon AI, com 40 mil GPUs por seis anos na Austrália. Em 30 de setembro, a Bisnow registrou que a Nvidia garantiu um contrato de nuvem de US$ 35 bilhões entre a Lambda e a Anthropic e, segundo o Financial Times, procura seguradoras para cobrir perdas de credores se uma neocloud quebrar.

Como chegamos até aqui?

Março de 2026: a CoreWeave fecha US$ 8,5 bilhões com GPUs como colateral, primeira dívida do tipo com grau de investimento, segundo a Bisnow. Abril: a Fluidstack capta mais de US$ 750 milhões a US$ 7 bilhões de avaliação, segundo o Dealroom, que cita o Telegraph, e o Google negocia participação, segundo o Wall Street Journal. Agosto: a Nvidia passa a alugar de volta capacidade ociosa. Setembro: a Bloomberg mostra que a garantia virou condição para as startups e a Nvidia busca seguradoras, tema já tratado pela Marcio.AI. A Marcio.AI também cobriu a disputa de neoclouds por contratos de inferência na primeira semana de outubro.

O que isso muda para o Brasil?

O Brasil entrou na corrida por data centers, como a Marcio.AI mostrou no início de outubro. Quem desenvolve um campus aqui para alugar a operadoras de GPU vai ouvir a mesma pergunta do credor: quem garante o inquilino. Sem uma big tech ou um fabricante de chips no contrato, o dinheiro sai mais caro.

Para a empresa brasileira que compra GPU de uma neocloud estrangeira, o ponto é continuidade. A capacidade contratada depende da saúde de uma startup cuja dívida está apoiada no crédito de outra empresa. A pergunta a fazer ao fornecedor é quem garante o data center e o que acontece com o serviço se o garantidor sair do acordo.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: até o fim de 2026, a capacidade de IA fora das big techs vai se concentrar nas neoclouds com garantidor nomeado, e as demais vão pagar mais caro ou vender. Google e Nvidia ganham poder de escolher quem cresce e ficam com participação ou receita em troca. Sinais para conferir: novos contratos com garantia de valor residual em comunicados à SEC, o primeiro acordo da Nvidia com seguradoras, a conclusão da participação do Google na Fluidstack e o refinanciamento das dívidas de GPU que vencem entre 2026 e 2028, citado pela Capacity.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #DataCenters #Neoclouds #InfraestruturaDeIA #Nvidia #Google

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Nvidia procura seguradoras para empréstimos com GPUs e Tencent aluga 100 mil chips da Oracle, e Nebius, PaleBlueDot e Gimlet disputam a inferência.

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