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Amazon negocia comprar a Decart por US$ 7 bi para reforçar os chips Trainium (não confirmado)

Capa do Watcher com o título Amazon mira a Decart por US$ 7 bi
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Amazon negocia comprar a Decart por cerca de US$ 7 bilhões, segundo o Wall Street Journal, que publicou a informação no domingo, 11 de outubro, com base em pessoas a par das conversas. O acordo pode sair nos próximos dias, se as negociações não travarem e nenhum outro comprador aparecer. A Decart faz o DOS, software que adapta modelos de IA a processadores diferentes, e já roda no Trainium3, o chip de IA da AWS. Nem a Amazon nem a Decart comentaram. A Reuters disse que não conseguiu confirmar a reportagem.

Em resumo

  • O que o WSJ informou: a Amazon negocia comprar a Decart por cerca de US$ 7 bilhões, com acordo possível nos próximos dias. Nada foi assinado.
  • O ativo: o DOS, pacote de otimização que faz modelos de IA rodarem em GPUs, TPUs do Google, Trainium e chips da AMD. Há ainda os modelos de mundo Lucy e Oasis.
  • O preço: em maio a Decart captou US$ 300 milhões a cerca de US$ 4 bilhões de avaliação, segundo o WSJ. US$ 7 bilhões são 75% a mais.
  • Quem já tentou: a Nvidia teve conversas avançadas que não deram em nada, segundo o Calcalist. A Anthropic avaliou pagar cerca de US$ 6 bilhões e desistiu em setembro depois da diligência, segundo a Bloomberg.
  • Leitura: quem tem chip próprio precisa do software que tira o cliente da Nvidia. A Amazon tenta comprar esse atalho pronto.

O que a Amazon estaria comprando?

A Decart tem dois negócios. O primeiro é o DOS, sigla de Decart Optimization Stack. É um conjunto de ferramentas que ajusta redes neurais a um processador específico, para treinar e rodar modelos mais rápido. Segundo o SiliconANGLE, essa adaptação levava meses e com o DOS cai para algumas semanas. Isso permite que uma empresa mude a carga de IA de um chip para outro sem refazer o trabalho do zero.

A página do produto lista GPUs, TPUs, Trainium e chips da AMD, além de “outros aceleradores”. No anúncio de maio, a Decart afirmou que o DOS 2.0 passa de 1.600 tokens por segundo em inferência de agentes, contra média de cerca de 200 no setor, e que chega a 100 quadros por segundo em vídeo full HD. São números da própria empresa.

O segundo negócio são os modelos de mundo. O Lucy edita vídeo ao vivo e é usado em prova virtual de roupa, publicidade e jogos. O Oasis gera ambientes simulados para treinar robôs e sistemas de direção autônoma. A Decart diz que os dois rodam sobre o DOS.

Por que isso interessa ao Trainium?

O Trainium é o chip de IA que a AWS projeta para disputar espaço com as GPUs da Nvidia. O obstáculo de qualquer chip alternativo é o software. Modelos e equipes estão acostumados ao ecossistema da Nvidia, e mudar de chip custa tempo de engenharia. O Business Standard resume a lógica: o DOS ajudaria desenvolvedores a otimizar cargas para os chips da Amazon, o que pode baixar o custo de computação dos clientes da AWS e reduzir a dependência de um fornecedor só.

A relação já existe. Segundo o WSJ, citado pelo SiliconANGLE e pelo PYMNTS, a AWS deu à Decart acesso antecipado ao Trainium3 em 2025, depois de engenheiros seniores da AWS se reunirem com os fundadores. No anúncio de maio, a Decart chamou a Amazon de cliente e parceira estratégica, com acordo comercial e venda conjunta na AWS. No mesmo texto, Nafea Bshara, vice-presidente da Annapurna Labs, a divisão de chips da Amazon, disse que o Lucy2, modelo que roda no Trainium3, passa de 80% de utilização de FLOPS.

O Eastern Herald faz uma ressalva que pesa. As reportagens não dizem se o DOS continuaria atendendo GPUs da Nvidia e TPUs do Google depois de uma compra. Essa resposta define se a Amazon compra uma ferramenta para todo o mercado ou um diferencial só da AWS.

Quanto vale a Decart e de onde vem o dinheiro?

A Decart foi fundada em 2023 pelos engenheiros israelenses Dean e Orian Leitersdorf, que são irmãos, e Moshe Shalev. Tem sede em San Francisco. Em agosto de 2025 captou US$ 100 milhões a US$ 3,1 bilhões de avaliação, segundo o Globes. Em 18 de maio de 2026 anunciou rodada de US$ 300 milhões liderada pela Radical Ventures, com a Nvidia como investidora nova, além de Atreides, Valor Equity Partners, Adobe Ventures, Toyota Ventures e eBay Ventures. Sequoia, Benchmark e Zeev Ventures voltaram a investir.

Há uma diferença no total captado. O WSJ, segundo o SiliconANGLE e o Business Standard, fala em mais de US$ 400 milhões. A própria Decart, o Globes e o Calcalist falam em cerca de US$ 450 milhões. Este texto usa o número da empresa. A avaliação de cerca de US$ 4 bilhões em maio vem do WSJ, com dados da PitchBook. O anúncio da Decart não traz avaliação.

Pela conta deste texto, US$ 7 bilhões ficam 75% acima da avaliação de maio e US$ 1 bilhão acima do valor noticiado nas conversas com a Anthropic. O Business Standard diz que, nesse valor, a compra ficaria entre as maiores da história da Amazon.

Como chegamos até aqui?

A Decart está à venda há pelo menos dois meses. Em 10 de agosto, o Calcalist informou que os fundadores estavam em conversas avançadas para vender a empresa por US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões, e que um concorrente tinha superado uma oferta da Nvidia. Em 13 de agosto, o mesmo jornal noticiou, com base em Bloomberg e Reuters, que a Anthropic negociava a compra por cerca de US$ 6 bilhões. Amazon, Nebius e SpaceX apareciam como interessadas, e Elon Musk negou o interesse da SpaceX. Em 14 de agosto, a Simply Wall St registrou que a Amazon avaliava fazer uma oferta.

No começo de setembro, a Bloomberg informou que a Anthropic desistiu depois da diligência. Uma fonte disse que as duas empresas ainda podem trabalhar juntas de outra forma. O motivo da desistência não veio a público. Segundo a The Next Web, o que interessava à Anthropic era a tecnologia de eficiência de chips. Cerca de um mês depois, a Amazon voltou ao centro da disputa.

O movimento combina com outro acordo da Amazon na área de chips. No começo de outubro, a Synopsys fechou com a Amazon um contrato de mais de US$ 1 bilhão para licenciar propriedade intelectual e ferramentas de projeto de chips próprios, como a Marcio.AI mostrou. A Decart cobriria a outra ponta: o software que faz o modelo rodar bem no chip depois que ele existe.

O que isso muda para empresas brasileiras?

Para quem compra computação de IA no Brasil, a disputa por chips chega pelo preço e pela dependência de fornecedor. Hoje, trocar de GPU para outro acelerador exige reescrever e reotimizar modelos, e esse custo prende o cliente. Uma ferramenta que reduz esse trabalho de meses para semanas, se cumprir o que promete, torna mais viável usar chips alternativos dentro da nuvem.

Na prática, empresas que negociam capacidade de IA com a AWS ou outras nuvens podem pedir duas coisas. Primeiro, preço comparado entre GPU e chip próprio do provedor para a mesma carga. Segundo, garantia de que o modelo otimizado continua portável, caso o contrato mude. Se o DOS ficar restrito à AWS depois da compra, a portabilidade fica mais difícil de negociar fora dela.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: os donos de chip próprio passaram a comprar a camada de software que reduz o custo de sair da Nvidia, e a Amazon é quem mais precisa disso agora, porque o Trainium só ganha escala com essa camada. Se a compra sair, a AWS ganha um argumento de custo para clientes que hoje rodam tudo em GPU. A Nvidia perde parte da vantagem que vem do software, e o Google perde um parceiro neutro para as TPUs, caso o DOS deixe de atender outros chips.

Quatro sinais para conferir até o fim de outubro. O anúncio oficial da Amazon ou da Decart, que o WSJ dá como possível em dias. O valor final e se ele fica perto dos US$ 7 bilhões. A posição sobre os clientes atuais do DOS em GPUs e TPUs. E se algum outro comprador entra na disputa, risco que o próprio WSJ apontou.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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