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Nvidia negocia comprar a Reflection AI ou ampliar sua fatia, diz o FT (não confirmado)

Capa do Watcher com o título Nvidia avalia comprar a Reflection AI
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

No sábado, 10 de outubro, o Financial Times informou que a Nvidia negocia comprar a Reflection AI ou ampliar o investimento na startup americana de modelos abertos. Segundo o jornal, a conversa está no início e um acordo pode sair nas próximas semanas, mas ainda pode fracassar. Uma das opções é a Nvidia contratar a equipe e licenciar a tecnologia, formato que tende a escapar de uma longa análise antitruste. A Bloomberg ouviu uma fonte própria que confirma a negociação, mas fala em mais investimento ou oferta de capacidade de computação, sem citar compra. Nenhuma das duas empresas confirmou.

Em resumo

  • O relato: o FT, citando pessoas a par do assunto, descreveu três caminhos: compra, aumento da fatia com mais chips e computação, ou contratação da equipe com licença da tecnologia.
  • A confirmação parcial: a Bloomberg confirmou conversas sobre mais investimento ou capacidade de computação, em fase inicial e sem termos definidos. A Reflection não comentou e a Nvidia não respondeu de imediato.
  • A Reflection: fundada em 2024 por Misha Laskin e Ioannis Antonoglou, ex-pesquisadores do Google DeepMind. A Nvidia já investiu US$ 800 milhões, segundo o FT. Em 5 de outubro lançou o Beam, modelo aberto de 501 bilhões de parâmetros.
  • O padrão: a Nvidia fez acordo de cerca de US$ 20 bilhões com a Groq em dezembro, no formato de licença e contratação, e topou pagar US$ 12,9 bilhões pela Hugging Face em setembro. O acordo da Groq está sob investigação do Departamento de Justiça dos EUA.
  • O que está em jogo: a Nvidia tem a família Nemotron, mas não tem um modelo aberto de ponta. A Reflection é a aposta americana mais citada para disputar com os modelos abertos chineses.

O que o FT e a Bloomberg informaram?

O Financial Times ouviu pessoas com conhecimento direto da negociação. A reportagem foi reproduzida pela Reuters e detalhada pelo SiliconANGLE. Há três formatos na mesa. O primeiro é a compra da Reflection. O segundo é a Nvidia aumentar a participação, possivelmente com mais oferta de chips e de computação. O terceiro é o chamado acqui-hire: a Nvidia contrata a equipe e licencia a tecnologia, sem assumir o controle da empresa. Segundo o FT, esse terceiro caminho provavelmente evitaria uma revisão longa dos reguladores.

O FT também informou, segundo o The Next Web, que o governo Trump espera que a Reflection rivalize com os modelos abertos chineses de baixo custo, como o DeepSeek. Um acordo pode vir nas próximas semanas, mas as conversas ainda podem fracassar, diz o jornal.

A Bloomberg publicou a própria versão no mesmo sábado, reproduzida pelo The Star na segunda, 12. Uma pessoa a par do assunto disse que a Nvidia negocia aumentar o investimento na Reflection ou fornecer capacidade de computação à startup. A conversa está no início e não há termos acertados. A Nvidia não respondeu de imediato ao pedido de comentário e a Reflection preferiu não comentar. A Reuters disse que não conseguiu verificar o relato do FT. Por isso o título deste post mantém a marca de não confirmado.

Quem é a Reflection AI?

A Reflection foi fundada em 2024 por Misha Laskin e Ioannis Antonoglou, que eram pesquisadores do Google DeepMind. O primeiro foco foi em agentes que automatizam o desenvolvimento de software. Em setembro de 2025, o FT informou que a empresa captava cerca de US$ 1 bilhão a uma avaliação de US$ 4,5 bilhões a US$ 5,5 bilhões, com pelo menos US$ 250 milhões do braço de investimento da Nvidia. Seis meses antes, a PitchBook avaliava a startup em US$ 545 milhões, segundo a Reuters. Em outubro de 2025, a Nvidia liderou uma rodada de US$ 2 bilhões, segundo o SiliconANGLE. Sequoia, Lightspeed e DST Global também estão entre os investidores.

Sobre a avaliação atual, todas as fontes chegam a US$ 25 bilhões, mas divergem no detalhe. Em abril, Laskin disse à CNBC que a empresa levantava dinheiro a US$ 25 bilhões antes do aporte novo. A Reuters trata a rodada como em andamento. O SiliconANGLE diz que ela fechou. O Traders Union e o Seoul Economic Daily situam a rodada em março. A Bloomberg lembra que o Wall Street Journal noticiou conversas para captar US$ 2,5 bilhões a esse valor. Uma compra provavelmente sairia acima dos US$ 25 bilhões, avalia o CoinCentral.

A Reflection também fechou contratos grandes de computação. Em junho, alugou da SpaceX sistemas GB300 da Nvidia no data center Colossus 2, em Memphis, por até US$ 6,3 bilhões, com pagamentos de US$ 150 milhões por mês até 2029. Em julho, a Nebius topou vender mais US$ 1 bilhão em capacidade. Os dois contratos aparecem no SiliconANGLE. O Traders Union cita parcerias com o Pentágono e o Departamento de Energia dos EUA e o compromisso de desenvolver modelos para aliados americanos, entre eles a Coreia do Sul.

Por que o Beam pesa na conversa?

O FT publicou a reportagem cinco dias depois de a Reflection lançar o Beam, seu primeiro modelo aberto, em 5 de outubro. É um modelo de mistura de especialistas com 501 bilhões de parâmetros, voltado a código e a tarefas de agentes, e treinado em sistemas GB300 da Nvidia. A empresa diz que ele tem desempenho comparável ao do GLM-5.2, da chinesa Z.ai, em testes de raciocínio avançado e que custa menos que muitos concorrentes, segundo a Bloomberg. A Marcio.AI detalhou o lançamento, a licença Apache 2.0 e os números de benchmark no post de 6 de outubro.

O interesse da Nvidia se explica pelo que falta no catálogo dela. A empresa oferece a família Nemotron de modelos abertos, mas não tem um modelo de ponta próprio, segundo o Traders Union e o Seoul Economic Daily. Em julho, Jensen Huang defendeu um ecossistema americano de modelos abertos. O governo dos EUA vai na mesma linha. O plano de ação de IA de julho de 2025 diz, em tradução livre, que o país precisa “garantir que os Estados Unidos tenham modelos abertos de ponta, fundados em valores americanos”, conforme citado pela Bloomberg.

Por que o formato do acordo importa?

A Nvidia já usou os dois formatos em discussão. Em dezembro de 2025, fechou com a Groq um acordo de licença não exclusiva de cerca de US$ 20 bilhões. O fundador Jonathan Ross e o presidente Sunny Madra foram para a Nvidia, e a Groq seguiu independente, com Simon Edwards como CEO, segundo o Crypto Briefing. Em 3 de setembro de 2026, a Nvidia topou pagar US$ 12,9 bilhões pela Hugging Face, numa compra direta, segundo o Semafor e o SiliconANGLE. Na época, Huang disse que a Hugging Face continuaria uma plataforma aberta.

O formato da Groq está sob questionamento. Em setembro, o New York Times informou que o Departamento de Justiça investiga se o acordo foi montado para evitar a notificação prévia exigida pela lei Hart-Scott-Rodino. O departamento não confirmou a investigação, segundo o Let’s Data Science. No começo de outubro, os ex-engenheiros Benjamin Serebrin e Joshua Rubin processaram o conselho da Groq em Delaware, alegando que o acionista comum saiu prejudicado. A Marcio.AI cobriu o processo em 6 de outubro.

Um acqui-hire na Reflection repetiria o modelo que hoje está sob investigação. Uma compra direta passaria pela análise antitruste completa e, pelo tamanho da avaliação, seria a maior aquisição da história da Nvidia, segundo o CoinCentral.

O que isso significa para empresas no Brasil?

Para empresas e órgãos públicos brasileiros que avaliam rodar modelo aberto em infraestrutura própria, o Beam é uma das poucas opções americanas de grande porte com licença Apache 2.0. Pesos publicados sob Apache 2.0 continuam utilizáveis, seja qual for o dono da empresa. Mas eles ainda não saíram, a Reflection prometeu a publicação para outubro. O risco maior está no roteiro. Num acqui-hire, a equipe vai para a Nvidia e a empresa original segue com menos gente, como aconteceu com a Groq. Quem pretende adotar o Beam deve perguntar à Reflection quem vai manter o modelo, com que frequência sairão versões novas e quando os pesos chegam de fato.

Para o investidor brasileiro que tem Nvidia via BDR, a notícia chegou com o mercado fechado. A ação terminou a sexta, 9, a US$ 229,28, em queda de 0,52%, quarto recuo seguido, segundo o CoinCentral. A reação ao relato do FT aparece a partir do pregão desta segunda.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: a Nvidia está montando uma pilha americana de modelos abertos sobre o próprio hardware. A Hugging Face cuida da distribuição, o Nemotron cobre os modelos menores e a Reflection preencheria a ponta. Quem ganha é a Nvidia, que vende a GPU para quem roda modelo aberto em casa. Quem perde são os laboratórios chineses na disputa por governos e empresas de países aliados dos EUA. A neutralidade da Reflection também perde, já que hoje ela compra computação de SpaceX e Nebius.

Sinais para conferir até o fim de novembro: se sai anúncio oficial e em qual formato, compra, aumento de fatia ou contratação da equipe. Se o Departamento de Justiça toma alguma medida sobre o acordo da Groq, o que pesaria na escolha do formato. Se os pesos do Beam saem em outubro, como a Reflection prometeu. E se os contratos com SpaceX e Nebius continuam de pé depois do acordo.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Reflection lança o Beam, modelo aberto de 501 bilhões para disputar com os chineses e Ex-engenheiros da Groq processam o conselho pelo acordo de US$ 20 bilhões com a Nvidia.

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