
Os piratas mudaram de lado?
Há alguns anos, eu escrevi um artigo com uma provocação que, para mim, continua muito atual:
Os “piratas” da tecnologia de ontem podem facilmente se tornar os novos guardiões do sistema.
No texto, eu uso um caso bastante conhecido do mercado digital para levantar uma reflexão sobre poder, plataformas, regras do jogo e inovação.
É um tema que vai além de uma disputa entre empresas.
Ele toca em algo maior: quem desafia o sistema hoje pode acabar controlando esse mesmo sistema amanhã.
Publiquei esse artigo em 2020, mas a discussão continua relevante.
Leitura aqui:
https://www.linkedin.com/pulse/os-piratas-do-vale-sil%25C3%25ADcio-marcio-sampaio-nunes-de-santana
E você, quantos “piratas” viraram império no setor de tecnologia?
Edição: @Marcio Sampaio N. SANTANA
#Tecnologia #Inovacao #PlataformasDigitais #Governanca #MercadoDigital #EconomiaDigital #BigTech #TransformacaoDigital #IA #MarcioAI
Leia também: A origem esquecida da IA contemporânea.
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O artigo completo
A mensagem foi forte e ela mexe com os brios.
Quem assistiu ao filme Piratas do Vale do Silício, que narra o nascimento e a ascensão da Apple e da Microsoft em paralelo enquanto enfrentavam o status quo, representado por grandes como a IBM da época, sabe da referência do filme ao comercial do lançamento do Macintosh em 1984, por acaso baseado no livro 1984. A cena final do filme, com o comercial sendo exibido, trazia uma crítica ao crescimento da Microsoft, como se ela estivesse substituindo a antiga IBM.
O jogo virou
Hoje a Apple está no antigo lugar da Microsoft, enquanto a Epic Games está no antigo lugar da Apple.
Na semana em que escrevi este texto, o jogo Fortnite, da Epic Games, foi banido da Apple Store e do Google Play por ter infringido os termos de uso. O pano de fundo dessa infração é a criação de um sistema de pagamentos digitais em separado, que permitiria reduzir os preços dos serviços prestados pela Epic, já que tanto a Google quanto a Apple cobram uma comissão de 30% em cima de qualquer pagamento.
A resposta da Epic veio em vídeo, com paródia direta do comercial de 1984. A ironia pegou e talvez tenha doído mais do que o imaginado. Apesar de fazer referência ao filme 1984, ela dói em medida superior quando se lembra do outro filme comentado acima, em que a Apple se punha no papel de desafiadora e agora aparece como a desafiada.
Quem faz a regra também joga
Alguns poderiam dizer que a Epic Games já conhecia as regras antes de entrar no jogo. Mas precisamos lembrar também que quem está fazendo as regras também ganha com o mesmo jogo. Ou seja, tanto a Apple quanto a Google tinham a letra da lei a seu favor, e ainda assim o resultado final deixou um gosto amargo na boca.
Semelhanças com monopólios precisam ser apontadas para que o mercado possa realizar autorregulação adequadamente e evoluir. A discussão é saudável e faz bem para todos os envolvidos. Principalmente para os clientes.
O tema voltou com força nos anos seguintes, em processos judiciais e em regulação de loja de aplicativos em vários países. A taxa de 30% e o direito de oferecer pagamento próprio continuam no centro da disputa.
Publicado originalmente no LinkedIn em 15 de agosto de 2020, com contribuições de leitores.

