17º CMEP 2024 – Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento

17º CMEP 2024, Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento

O 17º CMEP, Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento, aconteceu em 12 e 13 de março de 2024 em São Paulo. O evento é realizado pela Abecs, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, e é um dos principais fóruns do setor de pagamentos no país. Foram 17 painéis ao longo dos dois dias. Estive lá representando a Edenred como arquiteto e especialista em meios de pagamento.

Capa do 17 CMEP, Congresso de Meios Eletronicos de Pagamento
Area de credenciamento do 17 CMEP em Sao Paulo
Registro na entrada do 17 CMEP
Painel sobre inclusao financeira na pratica no 17 CMEP
Palco principal do 17 CMEP
Plateia acompanhando o 17 CMEP
Apresentacao da Visa sobre padroes para ecossistemas de moeda digital
Apresentacao sobre tokenizacao no 17 CMEP
Encerramento do 17 CMEP

Abertura e agenda estratégica da Abecs

A abertura ficou com Giancarlo Greco, CEO da Elo e então presidente da Abecs, e com Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente da associação. A agenda apresentada tinha duas frentes.

A primeira era eficiência, com o Sistema Unificado de MCC, a certificação padronizada e a padronização de chargeback. A segunda era expansão de uso, com Click to Pay, débito online, novo crediário e pagamento por aproximação. É uma agenda de infraestrutura, do tipo que o usuário final não vê mas que define o custo e a fricção de todo mundo na cadeia.

Panorama econômico

Fernando Honorato Barbosa, do Bradesco, tratou do efeito da queda da inflação e do incremento de renda sobre o mercado de pagamentos. Os números apresentados para 2024 previam crescimento de 8,5% a 10,5% em valor transacionado, o que colocaria o setor entre R$ 4,05 trilhões e R$ 4,12 trilhões no ano.

Desafios concorrenciais

O painel de concorrência discutiu livre competição no mercado de pagamentos, tema que sempre volta quando a régua regulatória se mexe.

Com Alexandre Barreto (Cade) e Caio Mário da Silva Pereira Neto (FGV), sob mediação de Ricardo de Barros Vieira (Abecs).

Padronização setorial

A mesa de padronização mostrou processos padronizados como caminho para destravar a indústria. Fabiana Sahd, da Elo, apresentou o Sistema Unificado de MCC. Mariana Dias, também da Elo, apresentou o selo de conformidade.

Esse é um ponto que costuma ser subestimado. Padronizar código de categoria de estabelecimento e certificação reduz retrabalho de integração em todo o ecossistema. É trabalho invisível com efeito direto em prazo de projeto.

Varejo e pagamentos B2B

Estanislau Bassols, da Cielo, destacou a recorrência como a grande aposta do varejo para assegurar volume e rentabilidade. Gloria Colgan, da Visa, trouxe as tendências globais de pagamento B2B, segmento que no Brasil ainda tem muito espaço para digitalizar.

Tecnologia e inovação

Este bloco foi o que mais dialogou com arquitetura. Catalina Tobar, da Visa, falou de criptoativos e carteiras digitais, com a apresentação mostrando os pilares que a bandeira vinha desenvolvendo para ecossistemas de moeda digital, entre eles tokenização, escalabilidade, privacidade, identidade, interoperabilidade e programabilidade.

Eduardo Merighi, da Elo, tratou de tokenização em blockchain. Tamer Hussein El Kutby, do Itaú Unibanco, falou de inteligência artificial na jornada do cliente. Renato Migliacci, da Adyen, trouxe a perspectiva do consumidor no desenvolvimento tecnológico.

Segurança com inteligência artificial

O painel de segurança tratou da proteção do ecossistema digital com IA. É o tema em que defesa e ataque evoluem na mesma velocidade, e onde a decisão de arquitetura precisa considerar risco desde o desenho.

Com Johan Gerber (Mastercard), Edson Ortega (Visa), Felipe Gomes (Banco Carrefour), Renan Correia Martino (Caixa Econômica Federal) e Rodrigo Climaco (Fiserv), sob mediação de Ana Lucia Magliano (Mastercard).

Moeda digital e ativos digitais

A mesa discutiu Drex e a regulamentação de ativos virtuais trazida pela Lei 14.478 de 2022. Era o momento em que o setor estava calibrando o que significaria, na prática, operar com moeda digital de banco central junto com os trilhos existentes.

Com Eduardo Merighi (Elo), Euricion Murari (ABBC) e Raul Moreira (Abecs), sob mediação de Tamara Adler (Mastercard Brasil).

Inclusão financeira na prática

Um dos painéis do congresso tratou de inclusão financeira na prática, cruzando tecnologia, empreendedorismo e transformação digital. É o contraponto necessário a uma agenda muito centrada em infraestrutura e regulação.

O que o congresso mostrou

O 17º CMEP colocou três agendas na mesma mesa. A primeira é padronização, com MCC, certificação e chargeback. A segunda é expansão de uso, com Click to Pay, débito online e aproximação. A terceira é tecnologia, com tokenização, criptoativos, IA em jornada de cliente e IA em segurança.

A leitura que fica é que o setor brasileiro de pagamentos estava tratando inovação e infraestrutura como o mesmo projeto. Não adianta lançar produto novo sobre uma base que ainda cobra o preço da falta de padrão.

Este resumo foi reconstruído a partir da cobertura pública do evento publicada pelo Panorama Abecs, já que o material que registrei no congresso era fotográfico. Fontes: 17º CMEP debate concorrência, segurança e digitalização da economia e Tecnologia e inovação norteiam debates na 17ª edição do CMEP.

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