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SpaceX assina com a Apollo arrendamento de US$ 40 bilhões para chips da Nvidia

Capa do Watcher com o título SpaceX e Apollo: US$ 40 bi em GPUs por arrendamento
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A SpaceX assinou no sábado, 24 de outubro, um compromisso vinculante para um arrendamento financeiro de cerca de US$ 40 bilhões com uma entidade gerida pela Apollo Global Management. O dinheiro paga GPUs Vera Rubin, da Nvidia, e o equipamento que vem junto. A empresa divulgou o acordo na segunda, 26, em comunicado e em documento entregue à SEC, o regulador do mercado americano. O fechamento está previsto para antes do fim de 2026, e os contratos começam a valer no primeiro semestre de 2027, conforme os chips forem entregues. No post sobre o balanço do terceiro trimestre, a Marcio.AI ainda tratava essa dívida como negociação sem confirmação da empresa. Agora há documento oficial.

Em resumo

  • Formato: arrendamento financeiro. A entidade gerida pela Apollo compra os servidores de GPU e aluga para a SpaceX, em data centers escolhidos pela SpaceX.
  • Prazo e pagamento: cada lote de equipamento tem contrato de 5 a 5,25 anos. O aluguel é trimestral e antecipado, com 1/20 do custo do lote mais juro fixo sobre o saldo.
  • Juro: a taxa fixa ainda será definida. Antes, a fatia subordinada era negociada com retorno perto de 8,5%, e a turbulência no crédito reabriu a conversa, segundo a Bloomberg.
  • Quem financia: Apollo e Goldman Sachs lideram o grupo, o Goldman é o único estruturador, e fundos da BlackRock, da Goldman Sachs Asset Management e contas assessoradas pela KKR são âncoras.
  • Tamanho: os US$ 40 bilhões equivalem a toda a dívida com arrendamentos que a SpaceX tinha em 30 de setembro, de US$ 38,8 bilhões.

Como funciona o arrendamento?

O documento entregue à SEC descreve um arrendamento financeiro mestre. A entidade gerida pela Apollo compra conjuntos de GPUs e equipamentos ligados a eles e aluga tudo para a SpaceX, que escolhe em quais data centers instalar. O equipamento chega em lotes. Cada lote tem o próprio contrato, com prazo de cerca de cinco anos a cinco anos e três meses a partir do início.

O aluguel é pago a cada trimestre, adiantado. Cada parcela inclui um vigésimo do custo financiado do lote, juro fixo anual sobre o saldo devedor e alguns custos de manutenção do contrato. Vinte parcelas trimestrais quitam o principal em cinco anos. Quando todos os lotes estiverem ativos, só a parte do principal soma cerca de US$ 2 bilhões por trimestre, conta da Marcio.AI, antes do juro. A SpaceX espera que o principal pago ao longo dos contratos chegue a cerca de US$ 40 bilhões.

O compromisso ainda tem condições. A taxa fixa será definida na precificação, antes da assinatura do contrato mestre. O próprio documento avisa que a operação pode não fechar nos termos e no prazo esperados, ou nem fechar. Segundo a Bloomberg, reproduzida pelo Yahoo Finance, a dívida sai como títulos privados emitidos por uma entidade fora do balanço.

Quem entra no financiamento?

O comunicado da SpaceX, repetido pela Apollo, diz que Apollo e Goldman Sachs lideram o grupo de financiadores. O Goldman é o único agente estruturador. Fundos e contas geridos pela BlackRock e pela Goldman Sachs Asset Management, e contas assessoradas pela KKR, fizeram compromissos âncora. A SpaceX chama a operação de o maior financiamento de GPUs já comprometido.

Na sexta, 23, a Bloomberg tinha descrito outro desenho, segundo o Investing.com. Seriam três fatias de títulos privados, com a subordinada estimada em US$ 25 bilhões a US$ 30 bilhões e retorno na faixa de 8,5%. A Atlas SP, apoiada pela Apollo, administraria o veículo, e a Pimco estudava participar. A alta do custo do crédito na semana fez os investidores reabrirem a discussão de preço. A Pimco não aparece no comunicado final.

O primeiro relato era diferente também. Em 6 de outubro, o Financial Times, confirmado depois por uma fonte da Reuters, falou em cerca de US$ 10 bilhões em empréstimos bancários e US$ 30 bilhões em dívida com grau de investimento. O formato final troca a dívida direta por aluguel de equipamento.

A dívida fica fora do balanço da SpaceX?

As fontes divergem. A Bloomberg informou que o veículo separado manteria a dívida fora do balanço da SpaceX, para proteger as notas de crédito com grau de investimento. O documento à SEC chama a operação de arrendamento financeiro. Pela regra contábil americana, esse tipo de arrendamento entra como obrigação no balanço de quem recebe o equipamento. A análise do Terrain lê o acordo assim: cada lote somaria às obrigações da SpaceX quando começasse. Os títulos ficam com a entidade da Apollo. A obrigação de pagar o aluguel fica com a SpaceX.

Há precedente. Um arranjo anterior ligado à xAI não teve o tratamento contábil pretendido, segundo a Bloomberg. Os auditores concluíram que a venda com arrendamento de volta não tinha se completado, e a SpaceX reconheceu cerca de US$ 13 bilhões em dívida. O balanço de 30 de setembro mostra US$ 12,9 bilhões em dívida e arrendamentos com partes relacionadas, dentro de um total de US$ 38,8 bilhões.

O que Musk disse e o que o documento mostra?

No domingo, 25, Elon Musk escreveu no X que a SpaceX tinha fechado US$ 40 bilhões em dívida para GPUs porque tem grau de investimento e receita da Starlink e de lançamentos. Disse que é dívida “principalmente resgatável antes do prazo” para GPUs que chegam no primeiro e no segundo trimestres, sem peso relevante no trimestre atual. No mesmo dia, a Bloomberg publicou que as conversas ainda continuavam. O documento de segunda confirma o compromisso vinculante, com fechamento ainda sujeito a condições e taxa a definir.

Musk também afirmou que o mercado de dívida quase fechou nas últimas semanas para empresas sem receita relevante fora de data centers de IA. Previu “morte e consolidação” entre as mais de 200 neoclouds, empresas que alugam capacidade de GPU, e disse que a SpaceX não vai comprar nenhuma. O TheStreet registrou que esse congelamento do crédito não foi confirmado de forma independente.

Como chegamos até aqui?

Em agosto, a Nvidia firmou memorandos com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para plataformas de financiamento de infraestrutura de IA, com meta de mais de US$ 500 bilhões, segundo a Reuters. Em 6 de outubro surgiu o relato da dívida de US$ 40 bilhões da SpaceX. Em 20 de outubro, a SpaceX divulgou o balanço: US$ 51,3 bilhões em caixa, US$ 38,6 bilhões em títulos negociáveis e previsão de investir US$ 35 bilhões a US$ 40 bilhões só no quarto trimestre. O arrendamento cobre perto de um trimestre desse gasto.

A semana de 19 a 25 de outubro foi de crédito caro para a infraestrutura de IA, tema do Nexus da semana, edição para associados. Foi nesse ambiente que o preço da dívida da SpaceX voltou à mesa, e o acordo saiu em formato de aluguel de equipamento.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: o aluguel de GPU por meio de veículo de crédito privado vira o caminho de quem compra chip em escala e tem outra receita para mostrar. Ganham as gestoras de crédito privado, como Apollo, BlackRock e KKR, e a Nvidia, que vende os Vera Rubin com financiamento já garantido. Perdem as empresas que vivem só de alugar GPU e disputam o mesmo crédito sem a receita da Starlink por trás.

Sinais para conferir até o fim de dezembro: a taxa fixa definida na precificação, comparada aos cerca de 8,5% discutidos antes, o fechamento dentro do prazo, a forma como a dívida aparece no balanço anual da SpaceX e se outros compradores grandes de chips adotam o mesmo modelo.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #SpaceX #Apollo #Nvidia #CreditoPrivado #InfraestruturaDeIA

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: SpaceX fatura US$ 14,6 bilhões no 3º trimestre, e a IA passa a Starlink como maior negócio e Nvidia procura seguradoras para empréstimos com GPUs, e bancos questionam vida útil.

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