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Linus Torvalds usa o Claude Code e triplica a vazão de leituras pequenas no Linux

Capa do Watcher com o título Torvalds usa o Claude Code no kernel do Linux
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Linus Torvalds, criador do Linux, publicou em seu repositório um ramo de oito patches que muda como o kernel lê arquivos do cache de páginas. Na carta de apresentação, ele diz que o código, os programas de teste, a revisão e o primeiro rascunho do texto foram feitos com o Claude Code, sob a direção dele, e que as medições rodaram na máquina dele. Em leituras pequenas com 8 threads, a vazão subiu de cerca de 10 milhões para 30 a 33 milhões de leituras por segundo. O ramo foi achado pela Phoronix em 11 de outubro de 2026 e ainda não entrou no kernel.

Em resumo

  • O que é: ramo noref-filemap-read-with-llm, com oito patches sobre o Linux 7.3-rc6, que permite ler do cache de páginas sem tomar referência ao folio.
  • Papel da IA: o Claude Code escreveu o código, os testes, a revisão por trás da lista de problemas e o primeiro rascunho da carta. Torvalds dirigiu o trabalho e rodou as medições.
  • Ganho: com 8 threads lendo 16 bytes do mesmo arquivo, os ciclos do kernel por leitura caíram de cerca de 2.950 para 725, e a vazão triplicou.
  • Custo: uma leitura em página de usuário ainda não mapeada ficou mais lenta, e a memória retida por liberações adiadas é, nas palavras de Torvalds, a parte menos resolvida.
  • Status: não incorporado. Tudo foi medido num único notebook de 4 núcleos, e ninguém testou ainda em servidor grande.

O que Torvalds publicou?

Michael Larabel, da Phoronix, esperava a versão 7.3-rc7 do kernel quando viu um ramo novo no repositório pessoal de Torvalds, que costuma ter só o ramo principal. O nome do ramo é noref-filemap-read-with-llm, e a sigla LLM no fim já anuncia o uso de um modelo de linguagem. O primeiro commit, “mm: read from the page cache without folio references”, tem data de 10 de outubro, segundo o Linuxiac e a PBX Science. A série tem oito patches, foi montada sobre o 7.3-rc6 e não foi incorporada.

A carta de apresentação é explícita sobre a divisão de trabalho. Nas palavras de Torvalds, reproduzidas pela Phoronix e pelo Linuxiac: “O código, os programas de teste, a revisão por trás da lista acima e o primeiro rascunho deste texto foram feitos com um assistente de programação LLM (Claude Code) sob a minha direção. As medições foram feitas na minha máquina.”

O Startup Fortune e a PBX Science dizem que a série foi enviada à lista de discussão do kernel em 12 de outubro. A Phoronix, o Linuxiac e o Hardware Busters falam só do ramo no repositório. Este texto não conseguiu abrir o arquivo da lista para confirmar o envio.

Que problema o patch resolve?

Quando vários threads leem pedaços pequenos do mesmo arquivo, cada leitura pega e solta uma referência na estrutura que representa a página no cache, o folio. As duas operações escrevem na mesma linha de cache do processador, e essa linha fica pulando entre os núcleos. O Hardware Busters conta que Matthew Wilcox, desenvolvedor do kernel, levantou o problema em 2024 a partir da carga de um cliente. No notebook de Torvalds, com 8 threads fazendo leituras de 16 bytes numa mesma página, essa linha respondia por 99,92% das disputas entre núcleos.

Houve tentativas antes. Em outubro de 2025, uma proposta de “leituras curtas rápidas” para o mesmo código foi debatida na lista do kernel, e Torvalds entrou na conversa sobre referências especulativas a folios. Segundo o Hardware Busters, as tentativas anteriores usavam um buffer intermediário com validação depois da cópia e travaram em corridas que a validação não pegava, como uma página liberada e reinserida no mesmo índice.

A solução nova abandona a referência. Páginas removidas do cache só voltam ao alocador de memória depois de um período de graça do RCU, o mecanismo do kernel para leituras sem trava. Assim, o leitor pode copiar direto da página para o buffer do usuário. Como válvula de segurança, quando uma CPU acumula mais de 1.024 páginas esperando liberação, o kernel força um período de graça acelerado, segundo o Hardware Busters e o Startup Fortune.

Quanto melhorou e o que piorou?

Os testes rodaram num Core i7-8565U de 4 núcleos e 8 threads, com sistema de arquivos ext4 e parte das mitigações de segurança desligadas. Com 8 threads, os ciclos do kernel por leitura caíram de cerca de 2.950 para 725 e a vazão saiu de 9,9 a 10,4 milhões para 30 a 33 milhões de leituras por segundo. As disputas de linha de cache medidas pela ferramenta perf caíram de 30.538 para 101. Com 4 threads em núcleos separados, a vazão foi de 9 a 12 milhões para 25 a 26 milhões, segundo o Linuxiac. Com 1 thread, o ganho fica perto de 10%.

Há regressão. Se a leitura cai numa página do usuário ainda não mapeada, o caminho novo falha uma vez antes de voltar ao antigo. Uma leitura de 16 bytes com um thread subiu de cerca de 4.150 para 6.550 ciclos nesse caso. E as liberações adiadas seguram memória. Num teste de estresse em máquina virtual de 2 GiB, a versão de seis patches deixou o kernel matar processos por falta de memória com 4 e 8 CPUs. A versão completa, de oito, terminou o teste com 1, 2, 4 e 8 CPUs. Torvalds escreveu que esse custo é “a parte desta série que está menos resolvida”.

Torvalds espera ganhos maiores em máquinas com mais núcleos e vários soquetes, mas não testou nenhuma, segundo o Hardware Busters. A PBX Science lembra que o teste mede um caso estreito, de muita disputa pelo mesmo arquivo, e não serve como prova de que o Linux inteiro ficou mais rápido.

Como chegamos até aqui?

A relação de Torvalds com IA mudou ao longo de 2026. Em maio, ao lançar o 7.1-rc4, ele reclamou da enxurrada de relatórios de bugs gerados por IA, que lotavam a lista de segurança com duplicatas, segundo a Techzine. Em julho, escreveu na lista do kernel que “o Linux não é um desses projetos anti-IA” e que quem discorda pode fazer um fork, segundo o TechRadar. Em agosto, disse ter sido “enormemente ajudado por uma IA” para achar um bug no driver gráfico Xe, da Intel, segundo a Phoronix. Agora ele assina uma série de patches de memória em que a IA escreveu o código.

O padrão se repete em outros lugares. A Marcio.AI registrou em outubro que o Barclays quer metade dos desenvolvedores usando o Claude Code. A diferença no caso do kernel é a transparência: a carta diz o que a ferramenta fez, quem mediu e o que ainda está em aberto.

O que isso significa para times de desenvolvimento no Brasil?

A carta de Torvalds serve de modelo para empresas brasileiras que já usam agentes de código. Ela declara o que a IA produziu, deixa as medições com uma pessoa e lista os problemas sem solução, incluindo a regressão. Áreas de engenharia podem adotar o mesmo formato nas suas regras de pull request, com um campo para dizer o que o agente fez e outro para os testes feitos por gente.

Para quem roda Linux em servidor, o efeito prático ainda depende da incorporação. Cargas com muitos threads lendo o mesmo arquivo pequeno, como arquivos de configuração, índices e bibliotecas compartilhadas, são as candidatas a ganhar. Antes de qualquer conclusão, falta o teste em máquina com dezenas de núcleos.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: o debate sobre essa série vai girar em torno do custo de memória e da revisão dos mantenedores da área, e a origem do código vai pesar pouco. Se a série entrar no kernel, outros mantenedores vão adotar a mesma forma de declarar o uso de IA na carta. Sinais para conferir. A Phoronix informou que o Linux 7.3 era esperado para o fim de semana seguinte ao rc7, o que abre a janela do 7.4. Três pontos para acompanhar: se a série entra nessa janela, a resposta de Matthew Wilcox e dos mantenedores de memória, e o primeiro teste publicado em servidor de muitos núcleos.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção DeepTech do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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