Internet of Agents: Uma nova arquitetura para lidar com o ecossistema de agentes com eficiencia

Diagrama da arquitetura Internet of Agents proposta por pesquisadores da Cisco

Pesquisadores da Cisco trouxeram um ponto importante para a discussão atual sobre Agentes.

Se a forma como sistemas conversam hoje já representa um desafio para integrações complexas, o que dizer quando começarmos a conectar agentes de IA que precisam se entender e não apenas trocar dados?

Talvez estejamos entrando em um momento em que a arquitetura em torno da IA importa tanto quanto os modelos em si.
E talvez já exista um caminho sendo desenhado para isso: Internet of Agents.

Vale a leitura.

https://www.linkedin.com/pulse/internet-agents-por-que-essa-nova-arquitetura-importa-marcio-ro3qf/

Edição: Marcio Sampaio N. SANTANA (Marcio.AI)

hashtag#IA hashtag#GenAI hashtag#MarcioAI hashtag#Tecnologia
hashtag#ArquiteturaDeSistemas hashtag#Agentes hashtag#GovernancaDeIA hashtag#Inovacao


Leia também: IA Agêntica no Ecossistema de Pagamentos Visa.

Consultoria em arquitetura corporativa é uma das frentes da Marcio.AI.

O artigo completo

Empresas estão começando a usar agentes de inteligência artificial para automatizar tarefas, integrar sistemas, responder clientes e coordenar atividades complexas. Mas existe um problema estrutural. A internet e seus protocolos não foram criados para agentes inteligentes. Foram criados para enviar documentos, páginas e dados simples.

O artigo A Layered Protocol Architecture for the Internet of Agents, produzido por pesquisadores da Cisco, propõe um novo caminho. Eles chamam esse caminho de Internet of Agents, ou simplesmente IoA. A ideia é criar uma base própria para agentes de IA conversarem, negociarem e colaborarem sem depender de integrações improvisadas e pouco confiáveis.

Se agentes de IA vão fazer parte da operação, é preciso ter uma infraestrutura que permita que eles funcionem bem, com segurança e previsibilidade.

1. O limite da internet atual

A internet que usamos hoje funciona sobre um modelo criado há mais de trinta anos. A estrutura tradicional, chamada de modelo OSI, organiza a comunicação em camadas como rede, transporte e aplicação. Em cima disso, protocolos como HTTP permitem que páginas, APIs e serviços conversem entre si.

Esse mundo funciona bem para aplicativos, sites, microsserviços e integrações via API. Mas não funciona tão bem quando o que está sendo trocado entre sistemas não é apenas um dado, e sim intenção, objetivo, explicação e significado.

Quando conectamos agentes de IA usando protocolos tradicionais, toda a inteligência da conversa fica dentro de textos improvisados. Isso gera ruído, ambiguidade e alto custo operacional.

2. Os protocolos atuais não resolvem o problema

Existem protocolos modernos feitos para conectar agentes e modelos de IA:

  • A2A, Agent to Agent protocol
  • MCP, Model Context Protocol
  • NLIP, Natural Language Interaction Protocol
  • SLIM, Secure Low-latency Interactive Messaging

Existem também linguagens de comunicação mais antigas, como a FIPA-ACL, a Agent Communication Language. A sigla FIPA significa Foundation for Intelligent Physical Agents, uma organização internacional de padronização criada em 1996 que funcionou como um W3C dos agentes. Ela foi incorporada ao IEEE em 2005 e virou o IEEE FIPA Standards Committee.

Esses protocolos padronizam alguns aspectos técnicos, mas todos têm o mesmo limite. Nenhum deles garante que os agentes realmente entendem a mesma coisa.

Na prática, isso significa que um agente pode interpretar errado um pedido, que podem surgir loopings de clarificação, que o sistema fica imprevisível, que o custo de uso de modelos aumenta e que auditoria e governança ficam mais difíceis. A empresa perde eficiência e aumenta risco ao mesmo tempo.

3. O que é o Internet of Agents

O IoA propõe que agentes tenham uma estrutura própria acima da internet atual. Além das camadas tradicionais, que vão da camada física, passando por enlace, rede, transporte, sessão e apresentação, até a camada de aplicação, essa estrutura adiciona duas camadas novas.

L8, comunicação entre agentes. Permite que agentes troquem mensagens de forma organizada, com padrões claros de pedido, resposta, confirmação e cooperação. É como transformar uma conversa desorganizada em uma reunião com agenda, regras e papéis definidos.

L9, negociação de significado. É a parte mais importante. Antes de executar qualquer tarefa, os agentes alinham o que cada termo significa, definem objetivos, estabelecem restrições e parâmetros e garantem que estão falando a mesma língua. Isso reduz falhas e torna o comportamento mais previsível e confiável.

Para empresas, isso significa menos retrabalho, menos custo de processamento, respostas mais consistentes e menor risco operacional.

4. Por que isso altera a estratégia de IA das empresas

Se agentes inteligentes forem usados para automatizar processos críticos, a empresa precisa de previsibilidade, governança, rastreabilidade, padronização e segurança.

O IoA cria um caminho para isso. Em vez de depender de prompts e integrações improvisadas, os agentes passam a operar em uma infraestrutura padronizada, desenhada especificamente para colaboração entre inteligências artificiais. Daí saem automações mais robustas, integrações mais seguras, menor dependência de solução customizada, maior escalabilidade e mais confiança no resultado automatizado.

5. Impactos diretos para lideranças

O IoA não é apenas uma proposta técnica. É uma mudança na forma como empresas vão estruturar sistemas baseados em IA. Os impactos esperados são cinco.

  • Redução de custos. Menos erros de interpretação significam menos processamento e menor uso de modelos grandes.
  • Aumento da confiabilidade. Agentes passam a operar com objetivos claros e alinhados.
  • Melhor governança. A negociação semântica torna auditoria e controle mais simples.
  • Escalabilidade. A empresa consegue adicionar mais agentes e mais automações sem multiplicar complexidade.
  • Padronização. Assim como REST padronizou APIs, o IoA pode padronizar automações inteligentes.

6. Conclusão

O conceito de Internet of Agents representa um próximo passo natural para empresas que querem usar IA de forma séria e sustentável. A proposta da Cisco não se limita a criar mais um protocolo. Ela traz uma visão estruturada para que agentes se comuniquem com clareza e propósito, reduzindo riscos e aumentando eficiência.

A adoção de IA não depende apenas de modelos melhores. Depende de infraestrutura adequada para que esses modelos cooperem entre si de forma segura, auditável e eficiente.

A empresa que compreender isso mais cedo terá vantagem competitiva na corrida pela automação inteligente.

Referência

FLEMING, Charles; PANDEY, Vijoy; MUSCARIELLO, Luca; KOMPELLA, Ramana. A Layered Protocol Architecture for the Internet of Agents. arXiv preprint arXiv:2511.19699, 2025. Disponível em arxiv.org/abs/2511.19699. Acesso em 8 de dezembro de 2025.

Publicado originalmente no LinkedIn em 9 de dezembro de 2025.

Rolar para cima