
O iFood Benefícios assinou nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, o acordo para comprar a Caju. As duas empresas atuam em vale-refeição, vale-alimentação e benefícios flexíveis. Juntas, somam cerca de 3 milhões de usuários e 135 mil empresas clientes. O valor não foi divulgado. O negócio já foi comunicado ao Cade e ainda depende do Banco Central.
Em resumo
- Quem compra: o iFood Benefícios, braço de benefícios corporativos do iFood, que é controlado pela Prosus.
- Quem é comprada: a Caju, startup de São Paulo fundada em 2020, com cerca de 700 funcionários.
- Tamanho somado: cerca de 3 milhões de usuários e 135 mil empresas, sem descontar quem está nas duas.
- Valor: não divulgado. A imprensa publicou estimativas que vão de centenas de milhões a mais de R$ 1,2 bilhão.
- Próximos passos: aval do Cade e do Banco Central. Até lá, as duas empresas operam separadas.
Quanto o iFood vai pagar pela Caju?
As empresas não divulgaram o valor. Três veículos publicaram estimativas diferentes, todas atribuídas a fontes sem nome:
- Folha de S.Paulo: na faixa de centenas de milhões de reais.
- Brazil Journal: a Caju foi avaliada em cerca de R$ 1 bilhão.
- NeoFeed: mais de R$ 1,2 bilhão, pela compra de 100% da empresa.
Segundo o NeoFeed, os fundos que investiram na Caju vendem suas participações. São eles Volpe Capital, Caravela Capital, Valor Capital Group, Canary e K1 Investment Management. Segundo o Brazil Journal, a Caju levantou cerca de US$ 50 milhões desde a fundação.
Qual o tamanho das duas empresas?
- iFood Benefícios: fundado em 2020, com sede em Osasco (SP). Tem 65 mil empresas clientes e 1,7 milhão de usuários. Movimenta cerca de R$ 1,3 bilhão por mês.
- Caju: fundada em 2020 por Eduardo Del Giglio e Renan Mendes. Tem mais de 70 mil empresas clientes e 1,3 milhão de usuários. Também movimenta cerca de R$ 1,3 bilhão por mês.
Segundo a Exame, o cartão da Caju é aceito em mais de 12 milhões de estabelecimentos. Além do benefício, a empresa oferece despesas corporativas, reembolso, adiantamento salarial, crédito consignado e conta para o funcionário.
Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, disse à Folha que a compra pode “dobrar o tamanho da operação”. Segundo ele, a receita da empresa cresce 80% ao ano desde 2023. Ao Brazil Journal, Freitas disse que o iFood Benefícios opera no azul em 2025 e 2026. A Caju deve ter lucro ainda em 2026.
Como fica a disputa com Alelo, Ticket, Pluxee e VR?
O mercado é grande. O PAT, programa federal que regula o vale-refeição e o vale-alimentação, reúne cerca de 470 mil empresas e mais de 22 milhões de trabalhadores. O setor movimenta perto de R$ 150 bilhões por ano.
Quatro empresas dominam esse mercado. Pelos dados do Cade citados pela Bloomberg Línea, a Alelo lidera com cerca de 30%. Somadas, Alelo, Pluxee, Ticket e VR ficam com cerca de 80%.
Com 3 milhões de usuários, a operação combinada chega perto da VR, que tem cerca de 4 milhões, segundo a Folha. Alelo e Edenred, dona da Ticket, passam de 10 milhões de trabalhadores cada. A Pluxee, antiga Sodexo Benefícios, também está à frente. Entre os desafiantes, a disputa inclui ainda Flash e Swile.
Por que o negócio sai agora?
As regras do setor mudaram. O Decreto 12.712, de novembro de 2025, trouxe quatro mudanças principais:
- Teto de 3,6% para a taxa cobrada de restaurantes e supermercados.
- Limite de 2% para a tarifa de intercâmbio.
- Prazo de 15 dias para o repasse ao estabelecimento.
- Abertura dos arranjos de pagamento, que antes eram fechados.
Em novembro de 2026, o cartão do PAT passa a ser aceito em qualquer maquininha do país, segundo a Bloomberg Línea. A compra foi anunciada um mês antes dessa data.
As operadoras tradicionais ainda questionam partes das novas regras, segundo o Brazil Journal. O jornal lembra também que um decreto pode ser alterado por outro governo sem passar pelo Congresso.
Para Del Giglio, CEO da Caju, a regra nova é “um pano de fundo interessante”. Ele disse à Folha que a motivação é criar valor para empresas e funcionários.
O que falta para a compra ser concluída?
- Aprovações: o Cade já foi comunicado. O Banco Central ainda vai analisar o negócio.
- Operação: até a aprovação, as empresas seguem independentes. Segundo o anúncio, nada muda para clientes, funcionários e parceiros nesse período.
- Prazo: Del Giglio prevê a conclusão para 2027, segundo a Reuters.
- Comando: os fundadores da Caju ficam no negócio. A estrutura de comando da operação somada ainda não foi definida, segundo o Brazil Journal.
- Marca: ainda não se sabe se a marca Caju continua depois da aprovação, segundo a Folha.
- Assessores: Lazard e Pinheiro Neto atenderam a Caju. Mattos Filho atendeu o iFood.
Como a compra entra na estratégia do iFood?
A Caju é a maior aquisição do iFood Benefícios desde a criação da área, em 2020. O valor faz parte do plano do iFood de investir R$ 24 bilhões no Brasil até março de 2027.
O iFood fechou o ano fiscal encerrado em março de 2026 com receita líquida de R$ 10,1 bilhões, alta de 29%. Cerca de um terço já vem de fora do delivery, segundo a Exame.
Segundo a Folha, o iFood conversou com outras empresas do setor antes de fechar com a Caju. Houve também uma tentativa de comprar a própria Caju cerca de três anos atrás. A conversa que deu certo começou em junho. Em 2025, o iFood negociou a compra da Alelo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil e avaliada em até R$ 5,5 bilhões. Segundo o NeoFeed, a conversa travou com as mudanças nas regras do PAT.
O argumento do iFood é o ecossistema. O aplicativo reúne mais de 500 mil restaurantes e mercados, 600 mil entregadores e 65 milhões de consumidores. Freitas diz que custo menor por transação deixa mais margem para o estabelecimento.
Perguntas frequentes
Quem comprou a Caju?
O iFood Benefícios, braço de benefícios corporativos do iFood. O iFood é controlado pela holding de tecnologia Prosus.
Quanto o iFood pagou pela Caju?
O valor não foi divulgado. A Folha fala em centenas de milhões de reais. O Brazil Journal fala em cerca de R$ 1 bilhão e o NeoFeed, em mais de R$ 1,2 bilhão.
A compra da Caju já está valendo?
Ainda não. O negócio depende do Cade e do Banco Central. Até a aprovação, as duas empresas operam de forma independente. O CEO da Caju prevê a conclusão em 2027.
O que muda para quem usa o cartão da Caju?
Por enquanto, nada. Segundo o anúncio, clientes, funcionários e parceiros não têm impacto enquanto o processo estiver em análise.
Qual o tamanho do mercado de vale-refeição no Brasil?
Cerca de R$ 150 bilhões por ano. O PAT reúne cerca de 470 mil empresas e mais de 22 milhões de trabalhadores.
Fontes
- iFood, iFood Benefícios assina acordo para comprar a Caju, 20/10/2026
- Folha de S.Paulo, C-Level, iFood Benefícios assina acordo para compra da Caju e se aproxima das líderes de segmento, 20/10/2026
- NeoFeed, iFood Benefícios compra Caju por mais de R$ 1,2 bilhão, 20/10/2026
- Brazil Journal, iFood paga R$ 1 bilhão pela Caju e dobra a aposta em benefícios, 20/10/2026
- Bloomberg Línea, iFood Benefícios acerta a compra da Caju e amplia disputa por mercado de R$ 150 bi, 20/10/2026
- InvestNews, iFood compra Caju e amplia disputa com gigantes do vale-refeição, 20/10/2026
- InfoMoney, com Reuters, iFood compra empresa de benefícios Caju e dobra presença em vales-alimentação, 20/10/2026
- Exame, iFood compra Caju e reforça aposta no mercado de vale-refeição, 20/10/2026
- Reuters via TradingView, iFood está em negociações avançadas para comprar a Caju, diz Valor Econômico, outubro de 2026
Também noticiaram: CNN Brasil, Diário do Comércio, Money Report, SpaceMoney, Mundo RH e Finimize.
Rating Marcio.AI: 4/5 (Regional, Totalmente relevante, Afastado do hype).
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Leia também: Ramp capta US$ 1,85 bilhão, vale US$ 60 bilhões e dá cartão corporativo a agentes de IA e Agentes de IA que pagam pelo Link da Stripe já são cerca de 200, e as compras subiram 38 vezes.

