IA leva Hong Kong a recorde de US$ 47,5 bilhões em ofertas de ações no trimestre

Capa do Watcher com o título IA leva Hong Kong a trimestre recorde de ofertas
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Empresas listadas ou estreantes em Hong Kong levantaram US$ 47,5 bilhões em ações entre julho e setembro de 2026, recorde para o período, segundo dados compilados pela Bloomberg e publicados em 3 de outubro. A conta inclui IPOs, ofertas subsequentes e vendas de blocos. No ano, o total passa de US$ 92 bilhões. Os maiores negócios vêm de empresas de IA e da cadeia que a abastece.

Em resumo

  • Recorde: US$ 47,5 bilhões no trimestre e mais de US$ 92 bilhões no ano, segundo a Bloomberg. O recorde anual é de 2021, com US$ 112,5 bilhões.
  • Quem lidera: Alibaba, com oferta de US$ 10,2 bilhões, Zhongji Innolight, com IPO de quase US$ 8 bilhões, e Z.AI, com US$ 9,6 bilhões no ano somando todas as operações.
  • IPOs: a Deloitte contou 116 estreias e HK$ 387,9 bilhões levantados de janeiro a setembro, alta de 112% sobre 2025.
  • Alerta: só 2 dos 10 maiores negócios desde julho negociam acima do preço de oferta, segundo a Bloomberg.
  • Região: a Ásia-Pacífico somou US$ 120 bilhões em ofertas de ações no trimestre.

Quem puxou o recorde?

Três nomes concentram boa parte do volume. A Alibaba levantou HK$ 80 bilhões, ou US$ 10,2 bilhões, em agosto. Vendeu 710 milhões de ações a HK$ 112,70, desconto de 3,6%, para financiar chips, infraestrutura e modelos de IA. Segundo a Reuters, reproduzida pelo Khaleej Times, foi a maior oferta primária subsequente da história de uma empresa listada em Hong Kong.

A Zhongji Innolight, que fabrica transceptores ópticos para data centers de IA, abriu capital com oferta de cerca de US$ 8 bilhões. O South China Morning Post registrou preço de HK$ 1.010 por ação, 23% abaixo da cotação em Shenzhen, e mais de 30 investidores âncora, entre eles BlackRock, Temasek e o fundo de pensão canadense CPP Investments. Foi o maior IPO em Hong Kong em cerca de sete anos. A Z.AI, desenvolvedora chinesa de modelos que estreou em janeiro, levantou US$ 5 bilhões em setembro, sendo US$ 2 bilhões em ações e US$ 3 bilhões em títulos conversíveis sem juros, segundo o The Next Web. A Bloomberg soma US$ 9,6 bilhões captados pela Z.AI no ano.

Os números batem entre as fontes?

Eles medem coisas diferentes. A Bloomberg conta todo tipo de oferta de ações, incluindo vendas de blocos e ofertas de empresas já listadas. A Deloitte conta só IPOs. Por isso os valores não se somam. Pela conta da Deloitte, apresentada em 24 de setembro, foram 116 estreias e HK$ 387,9 bilhões nos nove meses, alta de 76% no número de operações e de 112% no valor. Nove megaofertas e vinte grandes responderam por 73% do total, e as listagens duplas de empresas que já negociam na China continental ficaram com quase 70%. A consultoria elevou a projeção do ano para pelo menos HK$ 480 bilhões e cerca de 160 estreias, com mais de 500 pedidos na fila.

Como chegamos até aqui?

O recorde anual de Hong Kong é de 2021, com US$ 112,5 bilhões. Em 2026 o mercado voltou a acelerar com as empresas chinesas de IA, e a Deloitte já elevou em 60% sua projeção para o ano. O dinheiro segue para três camadas da cadeia: modelos, como a Z.AI, componentes, como a óptica da Innolight, e nuvem e chips, como a Alibaba. A Marcio.AI já tinha mostrado o lado da óptica em Óptica e equipamentos para IA puxam alta dos chips.

Qual o sinal de alerta?

O desempenho depois da oferta. Segundo a Bloomberg, só 2 dos 10 maiores negócios fechados desde julho estão acima do preço de oferta. O veículo também registra empresas voltando à bolsa poucos meses depois de captar. É o padrão de mercado que vende enquanto o preço está alto. O alerta conversa com o que a KKR disse sobre a dívida da IA, coberto em KKR alerta que a dívida da IA já pesa demais no mercado de crédito. Agora o excesso aparece também em ações.

O que isso muda para o Brasil?

Para empresas brasileiras que compram infraestrutura de IA, o efeito é indireto e concreto. Fornecedores chineses de óptica, nuvem e modelos saem desse ciclo com caixa novo para competir em preço fora da China, inclusive aqui. Para investidores, Hong Kong virou a principal porta de acesso à IA chinesa listada, com o risco de preço que a própria Bloomberg aponta.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: 2026 vai bater o recorde anual de 2021, mas o desempenho fraco depois das ofertas vai reduzir o tamanho das próximas operações a partir do primeiro trimestre de 2027. Sinais para conferir até dezembro: se o total do ano passa de US$ 112,5 bilhões, o preço das ações de Alibaba, Innolight e Z.AI contra o valor de oferta, e quantas das três ou quatro megaofertas previstas pela Deloitte saem antes do fim do ano.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Óptica e equipamentos para IA puxam alta dos chips e KKR alerta que a dívida da IA já pesa demais no mercado de crédito.

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