A Marcio.AI cobre o AI Brasil Experience, 28 e 29 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

CoberturaIngressos

Foxconn fatura recorde de US$ 95,4 bilhões no trimestre com servidores de IA

Capa do Watcher com o título Foxconn passa de US$ 95 bilhões no trimestre
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A taiwanesa Foxconn (Hon Hai), maior montadora de eletrônicos do mundo e principal integradora dos servidores de IA da Nvidia, informou em 5 de outubro de 2026 que faturou T$ 3,03 trilhões (US$ 95,4 bilhões) no terceiro trimestre, alta de 47% em um ano. O número superou a projeção de T$ 2,83 trilhões compilada pela LSEG. Setembro sozinho somou T$ 1,16 trilhão, o primeiro mês da história da empresa acima de T$ 1 trilhão.

Em resumo

  • Trimestre: T$ 3,03 trilhões (US$ 95,4 bilhões), alta de 47% em um ano e cerca de 7% acima da projeção da LSEG.
  • Setembro: T$ 1,16 trilhão, alta de 38% em um ano e de cerca de 26% sobre agosto. Primeiro mês acima de T$ 1 trilhão.
  • Motor: a divisão de nuvem e redes, que monta os racks de servidores de IA, cresceu forte. iPhones também ajudaram.
  • Ação: subiu 1,2% no dia, mas acumula só 10% em 2026, contra 72% do índice de Taiwan.
  • Próximo passo: balanço completo em 12 de novembro. A empresa espera que a área de IA siga crescendo no quarto trimestre.

O que a Foxconn divulgou?

A Foxconn publica o faturamento todo mês, sem esperar o balanço. Os números de 5 de outubro fecham o terceiro trimestre: T$ 3,03 trilhões entre julho e setembro, segundo a Reuters e a Bloomberg. A conta bate com a série mensal. Julho teve T$ 946,51 bilhões e agosto T$ 921,77 bilhões, segundo a Focus Taiwan, a agência oficial de Taiwan. Somados aos T$ 1,16 trilhão de setembro, dão os T$ 3,03 trilhões do trimestre.

Segundo a Reuters, a empresa atribuiu o resultado à demanda por IA na divisão de nuvem e redes. A linha de eletrônicos de consumo, que inclui o iPhone, também cresceu. No acumulado de janeiro a setembro, o faturamento chegou a T$ 7,67 trilhões, alta de 39,5%, segundo o BigGo Finance.

A Foxconn não dá projeção numérica. Disse que a área de IA deve continuar crescendo no quarto trimestre e que, junto com a temporada forte de eletrônicos, isso sustenta um desempenho “em linha com as expectativas atuais do mercado”. E repetiu um alerta das divulgações anteriores: é preciso acompanhar o efeito de um ambiente político e econômico global instável.

Por que o número importa para o mercado de IA?

A Foxconn monta e integra os racks completos de servidores da Nvidia, como os GB200 e GB300 NVL72, com energia, refrigeração e rede, segundo o Invezz. Por isso o faturamento mensal dela serve como termômetro adiantado das entregas de infraestrutura de IA. Ele sai semanas antes dos balanços das fabricantes de chips.

O mercado usou o dado assim. No mesmo dia a Nvidia renovou o recorde na bolsa, movimento que a Marcio.AI trata no post “Nvidia renova recorde e fica a cerca de 4% de valer US$ 6 trilhões”. A AMD, por sua vez, teve a CEO Lisa Su reunida com a Foxconn em Taipé no dia seguinte, assunto do post “AMD vai ampliar muito a oferta de chips em 2027, diz Lisa Su em Taipé”.

Como chegamos até aqui?

A virada para servidores começou em 2024, quando eles viraram o principal motor de crescimento da empresa, segundo o International Business Times. No segundo trimestre de 2026 a divisão de nuvem e redes passou, pela primeira vez, de 50% do faturamento total. O trimestre fechou em T$ 2,53 trilhões, alta de 41%.

Depois vieram três meses seguidos de recorde ou quase recorde. Julho foi o mês mais forte da história até então. Agosto ficou em segundo lugar, com alta de 51,98% em um ano. Setembro passou dos dois. O Bloomberg Intelligence projeta que a Foxconn pode manter crescimento anual de 25% a 35% em receita e lucro nos próximos anos, segundo o BigGo Finance.

Por que a ação ficou para trás?

Este é o dado menos óbvio. A ação da Foxconn sobe cerca de 10% em 2026, enquanto o índice da bolsa de Taiwan sobe 72%, segundo a Reuters e a Bloomberg. O investidor paga caro pelos donos dos chips e da memória e paga pouco pela montagem, que tem margem baixa. A margem é o que o balanço de 12 de novembro vai mostrar. O faturamento mensal não diz nada sobre ela.

O que isso muda para o Brasil?

Para quem compra servidores de IA no Brasil, a fila passa pelas mesmas fábricas. Quase todo rack de GPU que chega a um data center brasileiro foi integrado por uma montadora de Taiwan, e a Foxconn é a maior delas. Com a capacidade tomada pelos grandes provedores americanos, o prazo de entrega para clientes menores tende a ficar longo. A Marcio.AI já mostrou que o gargalo também está no encapsulamento dos chips e na memória.

O dado também ajuda quem planeja os projetos de data center anunciados para o país. Quem contrata capacidade para 2027 deve pedir ao fornecedor a data de entrega do rack, além da data de energização do prédio.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: o volume de IA da Foxconn continua subindo no quarto trimestre, mas a margem fica perto da atual, e a ação segue atrás do índice de Taiwan até a empresa mostrar lucro maior por rack. Três sinais para conferir. O faturamento de outubro, que sai no início de novembro. O balanço completo de 12 de novembro, com margem bruta e a fatia de nuvem e redes. E o balanço da TSMC em 15 de outubro, que mostra se a oferta de chips que alimenta os racks continua crescendo.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #Foxconn #ServidoresDeIA #Nvidia #CadeiaDeSuprimentos #Taiwan

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Encapsulamento vira gargalo dos chips de IA e Corrida global por data centers chega ao Brasil.

Deixe um comentário

Rolar para cima