Gabriel Galípolo abriu o Febraban Tech 2026 com uma cobrança direta ao setor. Não dá para comemorar a alta do crédito e reclamar do endividamento ao mesmo tempo. Foi o diagnóstico mais duro dos três dias, e veio da autoridade que regula o sistema.
Ele separou os dois tipos de endividamento. Crédito para adquirir ativo forma patrimônio. O problema está no crédito caro, sem garantia, que não gera ativo nenhum.
Os números sustentam o tom. Entre 2020 e 2024, os usuários de cartão de crédito passaram de 52,8 milhões para 96 milhões. No mesmo período, o comprometimento médio da renda familiar com o cartão subiu de 30,1% para 54%. Mais da metade desses 96 milhões carrega dívida no rotativo ou no parcelado. Em junho de 2026, o rotativo estava em 15,13% ao mês.
A pergunta que ele fez ao setor foi incômoda. Com renda subindo e desemprego caindo, por que essa renda não foi revertida para reduzir endividamento?
E sinalizou o que vem. O Banco Central está debruçado sobre medidas macroprudenciais, com o princípio de que cada instituição esteja provisionada para o risco efetivo que corre. No Pix, o material oficial detalhou alerta para movimentação atípica no SPI, o MED 2.0 para identificar contas usadas em golpes, um botão de contestação e limite de R$ 15 mil para Pix e TED feitos por instituições de pagamento não autorizadas.
Sobre o próprio Pix, os números da defesa. Cerca de 80 bilhões de transações em 2025, R$ 35 trilhões movimentados e mais de 900 milhões de chaves cadastradas. E a constatação de que o meio de pagamento vem sendo alvo de desinformação.
O relatório completo traz as falas na íntegra, o detalhamento das medidas anunciadas e a leitura de quem trabalha com pagamentos sobre onde essa régua vai apertar primeiro.
