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Cibersegurança: startups captam US$ 6,8 bi no 3º trimestre, com menos rodadas e cheques maiores

Capa do Watcher com o título Cibersegurança capta US$ 6,8 bi no trimestre
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Startups de cibersegurança e privacidade captaram US$ 6,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026, cerca de 50% a mais que no segundo, segundo levantamento da Crunchbase publicado nesta quinta-feira, 15 de outubro. A Pinpoint Search Group, com outra base de dados, chegou a US$ 5,26 bilhões, quase o dobro do trimestre anterior e o maior valor desde 2022. As duas contas apontam a mesma origem do salto: o tamanho dos cheques. Segundo a Crunchbase, o número de rodadas caiu em todas as fases. Identidade, dados e segurança de agentes de IA levaram as maiores rodadas.

Em resumo

  • Crunchbase: US$ 6,8 bilhões no 3º trimestre, contra US$ 4,4 bilhões no 2º. Empata com o maior trimestre em anos. Pelo menos 18 empresas de segurança ligadas à IA fecharam rodadas de US$ 100 milhões ou mais.
  • Pinpoint: US$ 5,26 bilhões, alta de 78% sobre o 3º trimestre de 2025 e maior valor desde o 1º trimestre de 2022. Foram 104 rodadas e 49 aquisições.
  • Maiores cheques: Keyfactor com mais de US$ 1 bilhão, Island e Cyera com US$ 400 milhões cada, Upwind com US$ 300 milhões.
  • Israel: empresas israelenses levaram ao menos US$ 2,425 bilhões, perto de metade do total global, segundo o CTech.
  • Compras: Visa leva a BioCatch por US$ 2,4 bilhões e a Cyera fecha carta de intenção pela Oasis Security por US$ 1 bilhão.

Quanto entrou no trimestre?

A Crunchbase soma rodadas de semente a estágio de crescimento, no mundo todo. No segundo trimestre, o setor tinha captado US$ 4,4 bilhões, queda de cerca de 30% sobre o primeiro, segundo a própria Crunchbase em julho. No terceiro, o valor subiu para US$ 6,8 bilhões. Joanna Glasner, autora do levantamento, resume que o aumento veio de rodadas maiores, com menos rodadas em todas as fases.

A Pinpoint é uma consultoria de recrutamento que mantém uma base de transações de segurança desde maio de 2020. Os números dela para o trimestre saíram na ChannelVision em 7 de outubro. Foram US$ 5,26 bilhões no trimestre, contra US$ 2,79 bilhões no segundo e US$ 2,95 bilhões no terceiro de 2025. No acumulado do ano, US$ 12,7 bilhões, o maior valor para o período desde o início da série. Setembro sozinho somou US$ 2,43 bilhões em 46 rodadas, o melhor mês desde fevereiro de 2022.

Por que as duas contas dão números diferentes?

A diferença de US$ 1,5 bilhão no trimestre tem pelo menos uma origem visível. A Crunchbase inclui rodadas de crescimento e coloca a Keyfactor, com mais de US$ 1 bilhão em julho, no topo da lista. O resumo de julho da Pinpoint não cita a Keyfactor entre as maiores rodadas do mês e lista a Spur, com US$ 200 milhões, em primeiro lugar. A Pinpoint diz contar só capital divulgado, a partir de relatos públicos.

As contagens de rodadas grandes também não batem, e por isso este texto não as soma. A Crunchbase fala em pelo menos 18 empresas de segurança ligadas à IA com rodadas de US$ 100 milhões ou mais. A Pinpoint conta 17 empresas nessa faixa em todo o setor, contra 7 no segundo trimestre e 11 no primeiro, com 68% do capital divulgado. Os dois levantamentos concordam na direção: muito dinheiro concentrado em poucas empresas.

A Pinpoint mostra um detalhe que a Crunchbase não traz. Rodadas de semente e série A ainda são maioria em número, 62 das 104, mas somaram só US$ 1,16 bilhão. Mark Sasson, sócio da Pinpoint, disse à ChannelVision que a grande mudança do trimestre foi a volta das rodadas grandes.

Quem levou os maiores cheques?

A Keyfactor, de Ohio, recebeu mais de US$ 1 bilhão liderado pela Summit Partners, anunciado em 7 de julho. A empresa gerencia identidades de máquinas e criptografia, inclusive de agentes de IA, e diz ter mais de 2.500 clientes. Insight Partners e Sixth Street continuam como sócios relevantes. O valor da empresa não foi divulgado.

A Island, de Dallas, captou US$ 400 milhões numa série F liderada pela Evolution Equity Partners, com avaliação de US$ 6,4 bilhões, mais que o dobro de 2024, segundo a D Magazine. A empresa criou o navegador corporativo e hoje vende controle sobre o que pessoas e agentes de IA fazem em aplicativos e dados. Tem cerca de mil funcionários e diz dobrar a receita recorrente a cada ano fiscal desde 2022.

A Cyera, de Nova York, recebeu US$ 400 milhões da área de crescimento do Goldman Sachs em setembro, com avaliação acima de US$ 12 bilhões. Três meses antes tinha captado US$ 600 milhões. No ano, a empresa soma cerca de US$ 1,4 bilhão, segundo a HedgeCo, que cita o CTech e a The Next Web. A Upwind levou US$ 300 milhões numa série C liderada pela Bessemer. A HiddenLayer, de segurança de modelos de IA, fechou US$ 100 milhões, segundo a Pinpoint.

Qual o peso de Israel?

Empresas israelenses captaram pelo menos US$ 2,425 bilhões em 26 rodadas divulgadas no trimestre, cerca de 46% do total global medido pela Pinpoint, segundo levantamento do CTech reproduzido pela Jewish News. Cerca de 20 dessas 26 rodadas foram para empresas de agentes de IA, identidades de máquinas ou infraestrutura para a era da IA. Além de Island e Cyera, entram na lista Glow, com US$ 180 milhões a US$ 1,2 bilhão de avaliação, Zenity, com US$ 125 milhões, e Onyx Security, com US$ 113 milhões. Em todo o ano de 2025, as israelenses tinham levantado US$ 4,4 bilhões em 130 rodadas, segundo a YL Ventures, citada pela Jewish News.

E as compras do trimestre?

Startups bem capitalizadas viraram compradoras. Em 28 de julho, a Cyera assinou carta de intenção para comprar a Oasis Security por US$ 1 bilhão, segundo o Globes. A Oasis gerencia identidades não humanas e agentes de IA. O negócio ainda depende de acordo definitivo. Em 4 de agosto, a Visa assinou acordo definitivo para comprar a BioCatch, de biometria comportamental, por US$ 2,4 bilhões em dinheiro. A BioCatch atende mais de 350 bancos em 21 países e protege 1,8 bilhão de aparelhos, segundo a TI Inside. O fechamento está previsto até o fim do segundo trimestre fiscal de 2027 da Visa.

Setembro teve 24 aquisições no setor, recorde mensal da série da Pinpoint. Do lado da bolsa, a Crunchbase classifica o trimestre como fraco: a única estreia relevante de empresa com capital de risco foi a da Aura, que comprou a australiana Qoria, listada em bolsa, e adotou o nome Aura. O quarto trimestre começou com a compra da Varonis pela Proofpoint, tema de outro texto do Watcher desta sexta.

O que isso muda para o Brasil?

A compra da BioCatch é a mais próxima do dia a dia brasileiro. A tecnologia compara o jeito de digitar, tocar a tela e segurar o aparelho com o padrão do usuário para barrar sequestro de conta e golpes em que a vítima é convencida a autorizar a transferência. A BioCatch vai para a divisão de serviços de valor agregado da Visa. Depois do fechamento, bancos e emissores brasileiros que compram serviços antifraude da bandeira podem passar a encontrar essa camada no mesmo catálogo.

Para quem compra segurança no Brasil, o mapa do dinheiro também indica onde estão os fornecedores com fôlego. Identidade foi o segmento mais ativo do trimestre na Pinpoint, com 23 transações. Segurança de IA, fraude e governança, risco e conformidade tiveram 13 cada. Startups com caixa grande tendem a disputar contratos com preço agressivo, mas também têm mais chance de serem compradas. Em contratos com fornecedores jovens, a cláusula de mudança de controle passa a ser item de checklist.

Como chegamos até aqui?

Há um ano, no terceiro trimestre de 2025, a Pinpoint contava US$ 2,95 bilhões. O segundo trimestre de 2026 foi fraco na Crunchbase, com queda de 30%. A virada veio com a corrida para proteger agentes de IA. A Marcio.AI cobriu em outubro a rodada de US$ 255,5 milhões da Armadin, de Kevin Mandia, para agentes que atacam a própria rede do cliente. E registrou o recorde de 42 novas empresas avaliadas em US$ 10 bilhões em 2026, puxado pela IA.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: o quarto trimestre de 2026 terá menos rodadas e mais aquisições do que o terceiro, com startups de identidade e dados para agentes no papel de compradoras e as de nicho no papel de alvo. Quem tem caixa grande, como Cyera e Island, ganha. Quem captou pouco em 2025 e depende de semente perde poder de negociação.

Quatro sinais para conferir. O acordo definitivo entre Cyera e Oasis, que ainda está em carta de intenção. Os números de outubro da Pinpoint, no começo de novembro, para ver se o ritmo de setembro continua. A aprovação regulatória da compra da BioCatch pela Visa. E o levantamento do quarto trimestre da Crunchbase, em janeiro, que vai mostrar se o número de rodadas voltou a subir ou se o dinheiro segue concentrado.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Armadin, de Kevin Mandia, capta US$ 255,5 milhões para agentes que atacam o cliente e 2026 bate recorde com 42 novas empresas avaliadas em US$ 10 bilhões, puxado pela IA.

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