
O Biohub, organização sem fins lucrativos de Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, anunciou em 7 de outubro, em São Francisco, US$ 1,8 bilhão em compromissos para a Virtual Biology Initiative. O objetivo é gerar bases abertas de dados biológicos para treinar modelos de IA que prevejam como as células se comportam. Google DeepMind, Isomorphic Labs e Meta entram com US$ 300 milhões somados, e o Departamento de Energia dos EUA com mais de US$ 500 milhões em cinco anos.
Em resumo
- Composição: US$ 500 milhões do próprio Biohub, prometidos em abril, US$ 300 milhões de Google DeepMind, Isomorphic Labs e Meta, mais de US$ 500 milhões do Departamento de Energia e bases de dados do NIH que vieram de mais de US$ 500 milhões em verba federal anterior.
- Dinheiro novo: só parte do total. O Biohub diz que boa parte do valor é dado, computação e tecnologia de medição. O acervo do NIH já existia.
- Prazo: primeira base de dados em cerca de um ano e modelos preditivos precisos em até cinco anos, segundo Alex Rives, chefe de ciência do Biohub.
- Acesso: os dados pagos pelas empresas ficam um ano com elas antes de abrir ao público. Dado pago pelo governo não tem embargo.
- Leitura: a biologia virou disputa por dados de treino, e quem financia a coleta sai 12 meses na frente.
Quem colocou o quê?
O Biohub lançou a Virtual Biology Initiative em 29 de abril de 2026, com US$ 500 milhões próprios em cinco anos. Foram US$ 400 milhões para gerar dados internamente e desenvolver tecnologia de medição, imagem e engenharia biológica, e US$ 100 milhões para pesquisa externa. A Nvidia entrou como parceira de computação, sem valor divulgado.
Em 7 de outubro, no primeiro evento AIxBio do Biohub, vieram os novos parceiros, segundo o pharmaphorum. O Departamento de Energia promete mais de US$ 500 milhões em cinco anos em medição de laboratório, modelagem e computação, dentro da Genesis Mission, segundo o Unite.AI. Isso inclui supercomputação em exaescala, espalhamento de raios X e nêutrons, crio-microscopia eletrônica e laboratórios autônomos. O NIH entra com bases de dados, repositórios e acervos que vieram de mais de US$ 500 milhões em financiamento federal anterior. Google DeepMind, Isomorphic Labs e Meta somam US$ 300 milhões em tecnologia e bases de dados multimodais.
A conta pede leitura atenta. Os itens com dinheiro ou compromisso novo somam cerca de US$ 1,3 bilhão. O restante para chegar a US$ 1,8 bilhão é o acervo do NIH, produzido com verba antiga. A página do Biohub chegou a falar em “quase US$ 2 bilhões”. O eWeek lembra ainda que a parte do Departamento de Energia se espalha por cinco anos e que os US$ 300 milhões somam as três empresas juntas.
O que é a célula virtual?
A ideia é um modelo de IA que preveja como uma célula reage a uma intervenção, como um remédio ou uma edição genética. Nicole Kleinstreuer, vice-diretora do NIH, falou em “modelos universais de célula” com complexidade suficiente para prever a resposta de qualquer célula. Alex Rives chamou a criação da célula virtual de “um dos desafios mais importantes da próxima era da ciência”.
O obstáculo é o volume de dados. As bases atuais cobrem centenas de milhões de células, disse Rives, segundo o eWeek. Um modelo preciso pode exigir bilhões e, mais adiante, trilhões. O Biohub vai medir em várias escalas, da molécula ao organismo, com crio-tomografia eletrônica, transcriptômica espacial e microscopia de tecido vivo. O ponto de partida inclui o atlas ESM, com 6,8 bilhões de proteínas e 1,1 bilhão de estruturas, segundo o pharmaphorum.
As ressalvas aparecem na própria cobertura. O eWeek lembra que não existe modelo universal pronto. Citando o Axios, diz que ninguém sabe se esses modelos melhoram de forma previsível com mais dados. E as previsões precisam ser testadas em experimentos que o modelo não viu no treino.
Por que as big techs entraram?
Os dados pagos pelas empresas ficam um ano sob embargo com elas antes de abrir ao público, segundo o TIKR, publicado pelo Yahoo Finance. “Precisamos de algum incentivo para os atores comerciais participarem, e o período de embargo cria isso”, disse Rives. Os dados pagos pelo governo não têm embargo.
Para Alphabet e Meta, o valor é pequeno. O TIKR calcula que as duas gastaram juntas cerca de US$ 140,6 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos 12 meses, perto de US$ 385 milhões por dia. A Isomorphic Labs, braço de descoberta de remédios da Alphabet, tem parcerias com Eli Lilly e Novartis. O mesmo texto cita movimentos paralelos: a Anthropic tem laboratório próprio de biologia, e a OpenAI Foundation abriu um programa de mais de US$ 125 milhões para bases de dados de biologia.
Como chegamos até aqui?
O Biohub já reunia parceiros como Allen Institute, Arc Institute, Broad Institute, Wellcome Sanger Institute, Human Cell Atlas e Human Protein Atlas. Entre abril e outubro, lançou uma plataforma aberta de biologia virtual com modelos de proteína da família ESM. Na Marcio.AI, o tema apareceu em 1º de outubro com o Quine, modelo de biologia da Microsoft com o Broad Institute, e com a marca d’água do Google DeepMind para proteínas desenhadas por IA. A proposta do Biohub é juntar dados dessas frentes numa base comum, com padrões e identificadores compartilhados.
O que isso significa para a pesquisa no Brasil?
Os dados gerados pelo Biohub serão abertos e gratuitos para a comunidade científica global, segundo o anúncio de abril. Laboratórios brasileiros ganham acesso a uma base que nenhum grupo daqui teria verba para produzir. A ressalva é o calendário: o que for pago pelas empresas chega aos pesquisadores um ano depois de chegar a Google, Meta e Isomorphic.
Para a indústria farmacêutica e as healthtechs brasileiras, o efeito é de preparo. Se a primeira base sair em cerca de um ano, a corrida pelos modelos treinados com ela começa em 2027. Quem quiser usar precisa ter equipe de bioinformática pronta para receber o dado aberto e testar previsões em laboratório próprio.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: o embargo de um ano vai virar o modelo padrão de consórcio entre filantropia, governo e big tech em dados científicos, e quem financia a coleta terá vantagem de produto em descoberta de remédios antes da academia. Sinais para conferir: os termos detalhados do embargo e da licença dos dados, a entrada de novos financiadores, o primeiro conjunto de dados, previsto para cerca de outubro de 2027, e se OpenAI ou Anthropic aderem ao consórcio ou montam iniciativa própria.
Fontes
- Biohub, Biohub Launches the Virtual Biology Initiative to Galvanize a Global Effort to Create the Open Data Foundation for AI-Accelerated Biology, 29/04/2026
- pharmaphorum, Biohub raises $1.8bn for its ‘virtual biology’ initiative, 08/10/2026
- Unite.AI, Biohub, DOE e NIH investem US$ 1,8 bi em iniciativa de dados de biologia virtual, 07/10/2026
- Yahoo Finance (TIKR), Google DeepMind and Meta Join Biohub’s $1.8 Billion AI Biology Push, 07/10/2026
- eWeek, Google, Meta Join $1.8B AI ‘Virtual Cell’ Push, 09/10/2026
- Endpoints News, Zuckerberg’s Biohub expands virtual cell effort to $1.8B, looping in Isomorphic, Meta, Google, 07/10/2026
Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção DeepTech do Watcher.
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Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
Leia também: Microsoft apresenta o Quine, IA de biologia que triou drogas contra câncer em um fim de semana e Google DeepMind lança marca d’água invisível para proteínas desenhadas por IA.

