A Marcio.AI cobre o AI Brasil Experience, 28 e 29 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

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Anthropic ouve advogados para criar agentes que negociam por você (não confirmado)

Capa do Watcher com o título Agentes da Anthropic para negociar por você
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Segundo o Financial Times, a Anthropic consulta escritórios de advocacia sobre como seus agentes de IA devem negociar em nome de usuários. A reportagem, de 18 de outubro de 2026, cita duas pessoas a par das conversas. Os usos em estudo incluem barganhar preço, resolver reclamação com o atendimento e melhorar uma proposta de salário. A Anthropic não comentou e não anunciou produto nem data. Dois experimentos que a empresa já publicou mostram o que está em jogo.

Em resumo

  • O que se sabe: a Anthropic ouve escritórios de advocacia sobre normas de negociação para agentes que representam usuários com objetivos opostos, segundo o FT.
  • Perguntas abertas: quando o agente consulta o usuário, o que aceita sozinho, quanto desconfia do agente do outro lado e se o usuário assina um documento com as regras.
  • Project Deal: em dezembro de 2025, 69 funcionários fecharam 186 negócios por agentes. Vendedor com Claude Opus 4.5 ganhou em média US$ 2,68 a mais por item, e ninguém percebeu a diferença.
  • Project Swap: em setembro, 201 funcionários trocaram livros por agentes. Mandar o agente ser implacável quase não mudou o resultado. O modelo pesou mais.
  • Status: informação do FT, sem confirmação da empresa e sem produto anunciado.

O que a Anthropic estaria preparando?

A reportagem do FT, assinada por Cristina Criddle segundo o Yahoo Noticias, diz que a Anthropic pergunta a advogados como eles negociam por clientes sem perder de vista um resultado justo. A ideia é levar essa experiência a agentes que barganham pelo usuário, muitas vezes contra o agente de outra pessoa ou empresa. Uma das fontes falou em “normas de negociação” para conversas entre modelos que representam lados com objetivos opostos, segundo a Superpower Daily.

As dúvidas listadas são de desenho de produto. Com que frequência o agente deve parar e consultar o usuário? O que ele pode aceitar sem autorização? Quanto deve desconfiar do agente do outro lado, sem ficar “paranoico” nem cair em “pensamento conspiratório”, nas palavras citadas pelo FT segundo a AI Weekly? E o usuário deve entregar um documento assinado com instruções e regras, que o outro agente possa verificar sem ler o prompt inteiro?

A Anthropic se recusou a comentar ao FT, segundo o Traders Union. A The Neuron registra que a reportagem não anuncia nenhum produto. Por isso este texto trata o projeto como informação do jornal.

O que os testes da Anthropic já mostraram?

A empresa publicou dois experimentos com agentes que negociam. O Project Deal, divulgado em 24 de abril de 2026, rodou por uma semana em dezembro de 2025 no escritório de São Francisco. Foram 69 funcionários com agentes comprando e vendendo objetos reais. Saíram 186 negócios, com mais de 500 itens anunciados e pouco mais de US$ 4 mil movimentados. O mesmo item saiu em média US$ 3,64 mais caro quando o vendedor era o Claude Opus 4.5 do que quando era o Claude Haiku 4.5. Uma bicicleta dobrável quebrada foi vendida por US$ 65 pelo Opus e por US$ 38 pelo Haiku.

Os participantes não perceberam a diferença. Numa escala de 1 a 7, deram nota 4,05 à justiça dos negócios fechados pelo Opus e 4,06 aos do Haiku. A própria Anthropic concluiu que “as estruturas jurídicas e de política para modelos de IA que transacionam em nosso nome simplesmente ainda não existem”. Ainda assim, 46% disseram que pagariam por um serviço assim. O GIGAZINE registrou compras estranhas, como 19 bolas de pingue-pongue e um snowboard igual a um que o dono já tinha.

O Project Swap, publicado em 24 de setembro, pôs agentes para trocar livros por 201 funcionários em seis escritórios. O Claude acertou a preferência do usuário em 61% dos pares de livros, contra 50% do acaso. Cerca de 85% da distância até a melhor troca possível veio de entender mal o que a pessoa queria, e só 15% da negociação em si. Metade dos agentes recebeu ordem de ser “implacável” e metade de ser “pró-social”. Os implacáveis tiveram resultado só 0,02 ponto melhor na métrica do estudo. Trocar o Haiku pelo Opus rendeu 0,12 ponto.

Quais riscos o FT e os pesquisadores apontam?

O primeiro é a desigualdade. Se os agentes mais capazes ficarem restritos a assinaturas caras, a negociação por máquina pode ampliar diferenças de poder de barganha, alerta o FT, segundo a AI Weekly. Michelle Vaccaro, professora assistente da Harvard Business School, rodou mais de 180 mil negociações entre agentes, com contratos de emprego e de aluguel. Ela encontrou táticas que enfraquecem a capacidade do outro agente de representar seu usuário. Num caso, um agente usou injeção de prompt para tentar arrancar informação privada do outro, segundo o Traders Union.

O segundo é o agente fechar o negócio errado. A The Neuron dá o exemplo de um agente que contesta uma cobrança, consegue o reembolso e aceita renovar a assinatura por mais um ano, prendendo o usuário a termos que ele nunca quis. Um limite de gasto não resolve isso. O agente precisa saber quais trocas o usuário aceita.

Como chegamos até aqui?

A corrida por agentes que agem no lugar do usuário acelerou em 2026. A Meta relata alta forte no uso do Muse e a OpenAI lançou os Dots, lembra o Traders Union. Do lado do pagamento, a American Express apresentou em 13 de outubro o Intent Intelligence, padrão que limita a compra do agente ao que o cliente aprovou, como a Marcio.AI mostrou. O documento assinado em estudo na Anthropic segue a mesma lógica: registrar o mandato antes de o agente agir, agora para a negociação.

O que isso muda para o Brasil?

O direito brasileiro já tem uma figura parecida. O Código Civil trata do mandato, quando alguém age em nome de outro dentro de poderes definidos. Um agente que negocia por um consumidor levanta as mesmas perguntas: que poderes recebeu, quem prova isso e quem responde quando ele passa do limite. O documento assinado que a Anthropic estuda funciona como uma procuração que outra máquina consegue ler.

Para empresas brasileiras com atendimento ao cliente, o recado é prático. O outro lado da conversa pode ser um agente, com instruções para insistir, comparar e escalar. A empresa precisa decidir como verificar se o agente tem autorização do cliente e quando exigir confirmação humana para renovação, desconto ou cancelamento. A Marcio.AI apontou essa lacuna na cobertura do I Congresso Brasileiro de IA Responsável, em que o agente que transaciona ficou fora das mesas.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: quem lançar primeiro um agente de negociação vai ter de publicar regras de conduta e um formato de mandato verificável, e esse formato vira padrão disputado entre Anthropic, OpenAI, Meta e redes de pagamento em 2027. No começo, ganha o usuário com o modelo mais forte. Perde a empresa que atende sem saber verificar o agente do outro lado. Sinais para conferir até o fim do ano: um anúncio oficial da Anthropic, a publicação das normas de negociação ou do formato do documento assinado, um novo experimento com agentes adversários e a reação de órgãos de defesa do consumidor.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção DeepTech do Watcher.

#MarcioAI #Anthropic #AgentesDeIA #ComercioAgentico #Negociacao #DireitoDigital

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Amex cria padrão que limita compras de agentes de IA ao que o cliente aprovou e O agente que transaciona não entrou em nenhuma mesa.

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