A Marcio.AI cobre o AI Brasil Experience, 28 e 29 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

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Startups de IA fazem 195 compras de outras startups de IA em 2026, e a OpenAI lidera com 10

Capa do Watcher com o título Startups de IA já fizeram 195 compras em 2026
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

As startups de IA mais bem financiadas viraram compradoras em série. Levantamento da Crunchbase publicado em 6 de outubro conta 195 aquisições de startups de IA por outras empresas de IA com capital de risco até 29 de setembro, 14% mais que em todo o ano de 2025. A OpenAI fez 10 compras no ano. Anthropic e Legora vêm em seguida, com 5 cada.

Em resumo

  • Volume: 195 negócios até 29 de setembro, 14% acima de todo 2025. O número de empresas compradoras subiu só 2%.
  • Quem compra: OpenAI com 10, Anthropic e Legora com 5, Harvey com 4, Sierra e Cursor com 3 e Cohere com 2.
  • Onde: jurídico, saúde, atendimento ao cliente e desenvolvimento de software concentram os exemplos.
  • Preço: só 12 dos 195 negócios tiveram valor divulgado. O maior foi a compra da Anyscale pela Nscale, por US$ 1,65 bilhão.
  • Brasil: aqui o volume caiu. A Questum contou 87 fusões e aquisições de tecnologia no 1º semestre de 2026, cerca de 33% menos que um ano antes.

O que a Crunchbase contou?

A conta inclui só startups de IA compradas por outras empresas de IA que receberam capital de risco. Ficam fora as compras feitas por big techs e os negócios que não foram divulgados. Por isso Nvidia, AMD e Stripe não entram na lista, apesar de terem feito as maiores compras do trimestre.

O crescimento veio de poucos compradores cada vez mais ativos. O número de empresas compradoras subiu 2%. Em três anos, 67 compradores recorrentes responderam por cerca de 42% das transações. A OpenAI soma 20 aquisições ligadas a IA no período, 10 delas em 2026.

Os cinco maiores negócios com preço conhecido foram a compra da Anyscale pela Nscale, por US$ 1,65 bilhão, a da Oasis Security pela Cyera, por US$ 1 bilhão, a da Coefficient Bio pela Anthropic, por US$ 400 milhões, a da Glass Imaging pela OpenAI, por US$ 300 milhões, e a da Kaia Health pela Sword Health, por até US$ 285 milhões.

Quem está comprando o quê?

O jurídico tem os compradores mais ativos fora da OpenAI. A Legora, de Estocolmo, fez cinco compras: Walter AI, que põe agentes no Word e no Outlook, Qura, de pesquisa jurídica, Graceview, de monitoramento regulatório, Cadastral, de documentos imobiliários, e Wexler AI, de extração de fatos para litígio. Segundo a Legal Technology, a Wexler, de Londres, tem 18 pessoas, multiplicou a receita por oito em um ano e atende escritórios como Clifford Chance e Goodwin. A Legora captou US$ 600 milhões em 2026, avaliada em US$ 5,6 bilhões. A Harvey comprou quatro empresas, a última delas a Guardrails AI, de teste de agentes, em 9 de setembro.

Na saúde, a Anthropic comprou a Coefficient Bio, de Nova York, por US$ 400 milhões em ações, segundo The Information e Eric Newcomer, citados pela Fierce Biotech em abril. A startup tinha seis funcionários, segundo o PitchBook, e usa IA em descoberta de remédios. A OpenAI comprou em janeiro a Torch Health, app que reúne prontuários médicos.

Em atendimento, a Sierra comprou a japonesa Opera Tech, a francesa Fragment e a TakeOff, de agentes que trabalham em tarefas longas. Em software, a OpenAI comprou a Promptfoo, de teste de aplicações de IA, anunciou a compra da Astral, de ferramentas abertas para desenvolvedores, e fechou acordo pela Ona, antiga Gitpod. A Cursor fez três compras no ano.

Por que comprar em vez de construir?

“No mundo da IA, tudo é velocidade”, disse à Crunchbase Rama Sekhar, sócio da Menlo Ventures. Para ele, comprar um time ou um produto sai mais rápido do que fazer em casa. Sekhar aponta um segundo motivo: com avaliações altas, essas startups usam a própria ação como moeda barata, com pouca diluição. A Coefficient Bio, por exemplo, foi paga em ações. “M&A é parte explícita de como aceleramos o que construímos”, disse David Eckstein, diretor financeiro da Legora.

Há também quem compre para descer na pilha. A Nscale, nuvem britânica de IA avaliada em US$ 14,6 bilhões em março, comprou a Anyscale, criadora do framework aberto Ray, para controlar a camada de software que roda as cargas dos clientes, segundo o TechCrunch. O preço de US$ 1,65 bilhão foi informado pela Bloomberg. Os cerca de 200 funcionários da Anyscale foram para a Nscale.

Como chegamos até aqui?

A OpenAI fez 1 aquisição em 2023 e 2 em 2024, segundo a Crunchbase. Em 2025 foram 8, com a io, de dispositivos, por US$ 6,5 bilhões, como maior preço conhecido. No fim de março de 2026 já eram 6. No fim de setembro, 10.

Fora da conta de startup comprando startup, os maiores negócios do terceiro trimestre vieram de empresas grandes: a proposta da Nvidia pela Hugging Face, de US$ 12,9 bilhões, a compra da World Labs pela AMD, de US$ 8,2 bilhões, que a Marcio.AI cobriu, e a compra da OpenRouter pela Stripe, de US$ 7,5 bilhões. Na China, a repercussão da Zhidx, republicada pela 36Kr, observou que as startups locais de IA compram pouco. O título em inglês da 36Kr fala em US$ 11 bilhões, mas o texto converte o preço da Anyscale para 11,06 bilhões de iuanes. O valor em dólar é US$ 1,65 bilhão.

E no Brasil?

O mercado brasileiro anda em sentido contrário no volume. O M&A Deals Report 2026, da consultoria Questum, divulgado pelo Startups, contou 87 fusões e aquisições de tecnologia no primeiro semestre de 2026, queda de cerca de 33% sobre as 131 do mesmo período de 2025. Os compradores seriais daqui são de telecom e software vertical, como Unifique e Vela LatAm, da Constellation, com quatro negócios cada.

Segundo a Questum, a IA reorganizou a tese de compra, e quem vende precisa mostrar dado próprio e IA aplicada ao fluxo do negócio. Dois exemplos citados: a Elo comprou a tecnologia de IA generativa da Chatbank, e a Teachy comprou a Nero.AI pelo time técnico e pela propriedade intelectual. Para uma startup brasileira de IA jurídica ou de atendimento, o comprador mais provável pode estar fora do país. Legora, Harvey e Sierra estão comprando exatamente nesses nichos.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: no ritmo de 2026, a contagem da Crunchbase passa de 250 negócios até dezembro, com OpenAI e Anthropic comprando para mostrar produto vertical a investidores. Ganham as startups de nicho com time e cliente. Perde quem cresce devagar, porque, como lembrou Sekhar, o investidor de crescimento prefere quem cresce rápido e deixa as demais sem rodada. Sinais para conferir: o número final da Crunchbase para 2026, se OpenAI ou Anthropic divulgam o preço de alguma compra, a sexta aquisição da Legora e o relatório de segundo semestre da Questum sobre o Brasil.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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