
A Daytona, que aluga computadores isolados para agentes de IA, anunciou na terça, 20 de outubro de 2026, uma Série B de US$ 60 milhões liderada pela FirstMark, com avaliação de US$ 1 bilhão. A notícia saiu primeiro na Fortune. A empresa, fundada por croatas em 2023, diz que a receita anualizada cresceu 25 vezes entre janeiro e setembro e cita Anthropic, OpenAI, Nvidia e Cursor entre os clientes.
Em resumo
- Rodada: US$ 60 milhões, dos quais cerca de US$ 50 milhões vieram de quem já era investidor. Total captado de US$ 91 milhões.
- Investidores: FirstMark na liderança, fundadores como Patrick Collison (Stripe), Tobi Lütke (Shopify) e Aravind Srinivas (Perplexity), e os braços de investimento de Qualcomm, Samsung e Okta.
- Produto: sandboxes, máquinas virtuais em que o agente roda código, usa ferramentas e navega, configuradas em cerca de 60 milissegundos.
- Crescimento: receita anualizada 25 vezes maior de janeiro a setembro, média de 50,9% ao mês, segundo o CEO à Fortune.
- Atenção: a Daytona apareceu entre as sete plataformas com ao menos uma fuga de rede no teste que a Perplexity publicou com o SPACE.
Quem investiu e quanto?
A FirstMark liderou a rodada, como já tinha feito na Série A de US$ 24 milhões, em fevereiro. Matt Turck, sócio do fundo, entrou no conselho da Daytona naquela ocasião. Cerca de US$ 50 milhões vieram de quem já era investidor, segundo a Fortune e a Dealroom. O Tech.eu detalha: a Pace Capital dobrou o aporte, a Upfront Ventures triplicou e a E2VC quadruplicou. Entre os novos nomes estão Patrick Collison, da Stripe, Tobi Lütke, da Shopify, Aravind Srinivas, da Perplexity, Adam D’Angelo, do Quora, Eric Yuan, do Zoom, Brendan Foody, da Mercor, e Olivier Pomel, da Datadog, além de Qualcomm Ventures, Samsung Next e Okta Ventures.
A conta do total fecha. Pré-semente de cerca de US$ 2 milhões em 2023, semente de US$ 5 milhões em 2024, liderada pela Upfront, Série A de US$ 24 milhões e Série B de US$ 60 milhões somam US$ 91 milhões, o número da Fortune e da FinSMEs. A ficha da Dealroom mostra US$ 79 milhões. A diferença aparece num registro Form D na SEC, de 17 de agosto, em que a Daytona declarou US$ 48,3 milhões vendidos de uma oferta de US$ 60 milhões. Com esse valor no lugar dos US$ 60 milhões, chega-se aos US$ 79 milhões. Ou seja, boa parte da rodada já estava fechada dois meses antes do anúncio. A Dealroom diz ainda que a avaliação está entre os 8% maiores em Séries B de software corporativo nos EUA.
O que a Daytona vende?
Cada sandbox é uma máquina virtual isolada onde o agente escreve e roda código, chama ferramentas e navega na web, com estado guardado entre sessões. A empresa diz configurar uma nova em cerca de 60 milissegundos. Nas grandes nuvens, uma máquina virtual leva de 30 segundos a vários minutos para subir, segundo a Fortune. O método, descrito pelo CEO Ivan Burazin, é espalhar antes pelos discos dos servidores snapshots de máquinas já configuradas. Quando o agente pede, a Daytona liga processamento e memória e retoma o snapshot. O agente também pode clonar um computador em uso para testar caminhos diferentes em paralelo.
O Tech.eu acrescenta que a plataforma roda Linux, Windows e macOS e é acionada por uma única API. Os clientes usam as sandboxes para treinar e avaliar modelos e para rodar agentes em produção. A Snorkel, de dados para IA, já criou mais de 1 milhão de sandboxes na plataforma. A lista de clientes da FinSMEs inclui ainda Meta, Cohere, Mercor, Surge AI, Postman, Bolt.new, n8n e Clay. Burazin resumiu a divisão de trabalho à Fortune: “A nuvem de inferência é onde o agente pensa, e a nossa nuvem é onde o agente trabalha.”
Quanto a empresa cresce?
Burazin disse à Fortune que a receita anualizada cresceu 25 vezes entre janeiro e setembro, com média de 50,9% ao mês. Os dois números conversam: 50,9% ao mês por oito meses dão cerca de 27 vezes. A empresa não divulga a receita em dólar. A Crypto Briefing registra marcos anteriores: US$ 1 milhão de receita anualizada projetada em menos de 50 dias depois do lançamento e US$ 3 milhões em 95 dias depois da virada para agentes, sem time de vendas.
O caminho teve um susto. A Daytona nasceu para automatizar ambientes de desenvolvimento de programadores humanos em grandes empresas. Na virada para agentes, perdeu a maior parte dos clientes para concorrentes e ficou com receita para cerca de três meses, contou Burazin à Fortune. O dinheiro novo vai, na maior parte, para contratar vendedores, além de engenheiros. O Tech.eu e a FinSMEs citam contratações em São Francisco, na Croácia e em Singapura.
Dois dados divergem entre as fontes. O time tem cerca de 30 pessoas, segundo a Crypto Briefing, e 35, segundo o Today’s Startup News. Em fevereiro, o Novi list contava cerca de 20, a maioria em Split e Zagreb. A sede aparece em São Francisco nas reportagens de outubro e em Nova York na de fevereiro. O registro na SEC usa endereço de Nova York.
Quem disputa esse mercado?
Burazin admite que AWS, Azure e Google Cloud poderiam montar algo parecido, mas diz que seria difícil refazer a nuvem pensando em agentes. Segundo a Dealroom, investidores perguntaram várias vezes por que o mercado precisa da Daytona se a AWS pode fazer o mesmo. Ele separa a empresa das neoclouds como CoreWeave e Nebius, focadas em GPU para treinar e rodar modelos. Entre os especialistas, a Modal levantou US$ 355 milhões com avaliação de US$ 4,65 bilhões em maio, e a Sail Research, US$ 80 milhões em junho, segundo a Dealroom.
A aposta de Burazin é uma falta de CPU. “Acredito fortemente que vai haver uma crise de CPU”, disse à Fortune. A reportagem lista os sinais: a AMD elevou a previsão de crescimento do mercado de CPUs de servidor de cerca de 18% para mais de 35% ao ano, acima de US$ 120 bilhões em 2030. A Arm estima que data centers de IA agêntica possam precisar de 120 milhões de núcleos por gigawatt, quatro vezes o padrão. E a Intel teria dito a clientes chineses que o prazo de entrega de alguns processadores chegou a seis meses. Burazin calcula que o Muse, da Meta, precisaria de US$ 2,8 bilhões em sandboxes para atender 100 milhões de usuários.
A segurança é o ponto que as reportagens da rodada não tocam. A Perplexity, ao abrir o código do SPACE, publicou um teste com plataformas de terceiros. A Daytona ficou entre as sete com ao menos uma fuga de rede, ao lado de E2B, Vercel Sandbox, Modal, Fly.io Sprites, microsandbox e Deno Sandbox, como a Marcio.AI registrou em 19 de outubro. O CEO da Perplexity, Aravind Srinivas, está entre os investidores pessoais da nova rodada.
O que isso significa para empresas brasileiras?
Times brasileiros que constroem agentes que rodam código precisam decidir onde esse código roda. Hoje há três caminhos: serviço comercial especializado, como Daytona, E2B e Modal, sandbox aberta para rodar na própria infraestrutura, como o SPACE, e máquinas das grandes nuvens. Nenhuma das fontes sobre a rodada cita região de dados no Brasil ou na América Latina. Para quem põe dados pessoais de clientes dentro da sandbox, a LGPD exige saber onde eles são processados e sob qual base de transferência internacional.
A conta do projeto também muda. Se a falta de CPU se confirmar, o custo de um agente passa a ter duas linhas, o token do modelo e o tempo de máquina da sandbox. Quem orça projeto de agente no Brasil deve pedir as duas ao fornecedor e incluir na proposta o resultado de um teste de fuga.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: em 12 meses, a sandbox vira linha própria no custo de qualquer agente que roda código, e pelo menos uma grande nuvem lança produto com partida na casa dos milissegundos. A Daytona ganha enquanto for a opção mais rápida de contratar. Perde se não provar isolamento, porque o SPACE aberto é alternativa gratuita para quem tem equipe para operar. Sinais para conferir até o fim do ano: resposta pública da Daytona ao teste da Perplexity, novas regiões de nuvem, os primeiros produtos da Agent Cloud além da sandbox e anúncios de sandboxes para agentes nas grandes nuvens.
Fontes
- Fortune, Daytona, startup que constrói a nuvem agêntica, passa a valer US$ 1 bilhão, 20/10/2026
- Tech.eu, Daytona hits $1B valuation with $60M Series B for AI agent cloud, 20/10/2026
- FinSMEs, Daytona Raises $60M in Series B Funding, 20/10/2026
- Crypto Briefing, Daytona raises $60M Series B at $1B valuation to build a cloud for AI agents, 20/10/2026
- Dealroom, Daytona raises $60M Series B at $1B valuation to build the agentic cloud, 20/10/2026
- Today’s Startup News, Daytona Reaches $1B Valuation as FirstMark Leads $60M Round, 21/10/2026
- FormDs (SEC), Daytona Platforms Inc., registros Form D, 17/08/2026
- Novi list (Hina), Startup croata Daytona capta US$ 24 milhões e desenvolve computadores para agentes de IA, 06/02/2026
Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.
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Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
Leia também: Perplexity abre o código do SPACE, sandbox que isola os agentes do Computer em microVMs e Nvidia e Microsoft lançam PCs RTX Spark e Windows ganha camada para agentes.

