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Salesforce compra a Braze por US$ 5,66 bilhões para levar decisão por IA ao marketing

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Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Salesforce vai comprar a Braze por cerca de US$ 5,66 bilhões em valor de empresa, pagando US$ 47,50 por ação em dinheiro. O acordo foi assinado em 19 de outubro de 2026 e anunciado no dia seguinte. A Braze faz plataforma de engajamento de clientes, com decisão por IA sobre qual mensagem enviar, por qual canal e em que hora. A Salesforce quer ligar essa decisão ao Agentforce e ao Marketing Cloud. O preço tem prêmio de 58% sobre o fechamento anterior, e a ação da Braze subiu 51,7% no dia.

Em resumo

  • O negócio: US$ 47,50 por ação em dinheiro, cerca de US$ 5,66 bilhões em valor de empresa. Fechamento previsto no ano fiscal 2028 da Salesforce, que começa em fevereiro de 2027.
  • Prêmio: 58% sobre o fechamento de US$ 30,04 em 19 de outubro. A ação fechou o dia 20 a US$ 45,57, alta de 51,7%.
  • Multas: a Braze paga US$ 191,39 milhões se trocar de comprador. A Salesforce paga US$ 300 milhões se o negócio for barrado ou não fechar no prazo.
  • Estratégia: ligar a decisão por IA da Braze ao Agentforce, ao Data 360 e ao Marketing Cloud. A Fin, ex-Intercom, comprada em junho, cobre o atendimento.
  • Mercado: pelo menos nove casas rebaixaram a Braze para neutro ou equivalente, a maioria com preço-alvo igual à oferta. A Jefferies manteve recomendação de compra para a Salesforce.

O que a Salesforce comprou?

A Braze, de Nova York, fundada por Bill Magnuson e Jon Hyman, vende uma plataforma de engajamento para marcas que falam com muitos consumidores ao mesmo tempo. Segundo o comunicado, ela tem cerca de 2.770 clientes, entre eles Canva, Dairy Queen, Equinox, Instacart, Urban Outfitters e Venmo, e processa trilhões de mensagens e ações por ano. A camada de IA, chamada BrazeAI, escolhe conteúdo, oferta, canal e horário para cada cliente final.

A Salesforce diz que a Braze vai complementar as quatro camadas da sua arquitetura: Data 360, Customer 360, Agentforce e uma quarta que o comunicado grafa como “SIForce”. O uso imediato é reforçar a personalização entre canais do Marketing Cloud. Patrick Stokes, presidente de aplicações e marketing da Salesforce, disse que “cada interação é uma oportunidade de encantar seus clientes”. Magnuson disse que a Salesforce “compartilha nosso compromisso com os profissionais de marketing” e, segundo o CMSWire, que a empresa vai seguir construindo “como Braze”.

Quais são as condições do acordo?

O 8-K da Braze traz os detalhes. O acordo foi assinado em 19 de outubro. O fechamento depende da maioria das ações classe A, do fim do prazo de espera da lei antitruste americana (HSR) e de outras aprovações de concorrência e de investimento estrangeiro, que o documento não nomeia. Alguns acionistas assinaram acordo de voto a favor, sem nome nem percentual divulgados no texto principal.

Há multas dos dois lados. Se a Braze aceitar proposta melhor ou se os acionistas rejeitarem, ela paga US$ 191,39 milhões à Salesforce. Se o negócio for proibido em definitivo ou não fechar até 19 de outubro de 2027, a Salesforce paga US$ 300 milhões à Braze. Esse prazo pode ser estendido duas vezes, por até 90 dias cada, para obter aprovações regulatórias. A Salesforce manteve a projeção do ano fiscal 2027 e ainda não deu projeção para 2028.

O preço foi alto?

Depende da régua, e as fontes usam réguas diferentes. O Motley Fool calcula cerca de 7 vezes a receita dos últimos 12 meses. O BTIG fala em 5,3 vezes a receita estimada do ano fiscal 2028. A Piper Sandler calcula 5,7 vezes a receita dos próximos 12 meses, 60% acima da média de dois anos da própria Braze (3,6 vezes) e acima da mediana de 5,0 vezes das compras de software desde 2025, segundo o Benzinga. Os números não se contradizem: quanto mais à frente a receita usada na conta, menor o múltiplo.

Para o acionista da Braze, pesa mais o prêmio: 58% sobre os US$ 30,04 de 19 de outubro e cerca de 80% sobre a média de 30 dias, segundo o Stocktwits. Mesmo assim, a oferta fica abaixo dos US$ 65 do IPO de 2021, lembra o Axios. O BTIG estima crescimento de cerca de 25% ao ano e receita anualizada perto de US$ 900 milhões. A Braze ainda não dá lucro, segundo o Motley Fool. Por isso pelo menos nove casas rebaixaram a ação para neutro ou equivalente, a maioria com preço-alvo de US$ 47,50: BTIG, Piper Sandler, Wells Fargo, Oppenheimer, UBS, Mizuho, TD Cowen, Stifel e Loop Capital. O BTIG avaliou que o preço deixa pouco espaço para oferta concorrente. A ação da Salesforce ficou estável a US$ 242,44, e a da concorrente Klaviyo subiu 11,8% no dia.

Como chegamos até aqui?

O Axios lembra que a Salesforce desfez o comitê de fusões e aquisições do conselho em 2023, depois de integrações difíceis de MuleSoft, Tableau e Slack. Voltou às compras com a Informatica, por US$ 8 bilhões, no ano passado. Em 2026 o ritmo subiu. Em 15 de junho anunciou a Fin, antiga Intercom, por cerca de US$ 3,6 bilhões, um agente de IA que resolve atendimento de ponta a ponta. Segundo o MarTech, foi a quinta compra anunciada no ano e a terceira de junho, ao lado de M3ter e Contentful. A Braze vira a quinta maior aquisição da história da empresa, segundo o Axios.

O CMSWire faz a conta de longo prazo. A Braze custa mais que o dobro dos cerca de US$ 2,5 bilhões pagos pela ExactTarget em 2013, que deu origem ao Marketing Cloud. Desde 2010, a Salesforce gastou cerca de US$ 24,6 bilhões em 16 compras de marketing e experiência do cliente com preço divulgado. A Adobe gastou cerca de US$ 11,2 bilhões em sete. Holly Enneking, da Markup AI, disse ao CMSWire que o negócio parece a Salesforce “comprando o próximo capítulo e um dos desafiantes mais fortes do seu próprio negócio”.

O que muda para empresas brasileiras?

A Braze abriu o primeiro escritório em São Paulo em 2024 e montou equipe local com executivos vindos da própria Salesforce e da Zendesk, segundo o Grandes Nomes da Propaganda. Empresas brasileiras que usam Braze, Marketing Cloud ou as duas têm agora uma pergunta de contrato. Nem a Salesforce nem a Braze anunciaram mudança de preço, de pacote ou de produto, e o CMSWire aponta que não há roteiro conjunto publicado.

Na prática, a recomendação para quem renova contrato antes do fechamento é pedir por escrito a política de convivência entre Braze e Marketing Cloud e o prazo de suporte de cada uma. Quem usa Braze ligada a outro CRM deve pedir garantia de que as integrações abertas continuam. O comunicado fala em compromisso com uma abordagem “aberta e componível”, sem detalhar.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: a Salesforce está montando, por compra, um par de agentes para o ciclo inteiro do cliente. A Fin cuida do que o cliente pede e a Braze do que a marca oferece, com o Agentforce no meio. O teste é a integração, que historicamente foi o ponto fraco da empresa. Quatro sinais para conferir. O documento preliminar de procuração da Braze (Schedule 14A), que deve revelar quem assinou o acordo de voto e a história da negociação. A lista de jurisdições de concorrência e o andamento do HSR. O balanço do terceiro trimestre da Braze, estimado pelo Benzinga para 8 de dezembro. E o primeiro anúncio de produto conjunto ligando Braze ao Agentforce, que mostra se a promessa de convivência com o Marketing Cloud vale na prática.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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