
A SpaceX divulgou na terça, 20 de outubro, o balanço do terceiro trimestre de 2026. A receita foi de US$ 14,6 bilhões, alta de 161% sobre o mesmo período de 2025. Pela primeira vez, o segmento de IA, chamado Super Intelligence, faturou mais que a conectividade da Starlink: US$ 7,56 bilhões contra US$ 5,25 bilhões. A empresa teve lucro operacional de US$ 2,79 bilhões, o primeiro como companhia aberta, segundo a Fortune, e lucro líquido de US$ 4,4 bilhões. O investimento do trimestre chegou a US$ 19,6 bilhões.
Em resumo
- Receita: US$ 14,58 bilhões no trimestre, acima das estimativas de US$ 12,72 bilhões (LSEG, citada pela Reuters) e de US$ 12,86 bilhões (Visible Alpha, citada pela Fortune).
- IA na frente: o segmento Super Intelligence faturou US$ 7,56 bilhões, alta de 830% em um ano, e teve lucro operacional de US$ 431 milhões.
- Starlink: a conectividade faturou US$ 5,25 bilhões, alta de 69%, e chegou a 13,6 milhões de assinantes residenciais. A adição de 1,6 milhão ficou abaixo dos 2,29 milhões esperados.
- Gasto: US$ 19,6 bilhões em investimento no trimestre, sendo US$ 16,4 bilhões em IA. Para o quarto trimestre, a empresa prevê de US$ 35 bilhões a US$ 40 bilhões.
- Mercado: a ação subiu cerca de 10% na quarta, 21 de outubro, e chegou a US$ 162,49 à tarde, segundo o Benzinga.
O que a SpaceX mostrou no balanço?
Os números do comunicado oficial: receita de US$ 14,575 bilhões, contra US$ 5,576 bilhões um ano antes. Lucro líquido de US$ 4,404 bilhões, contra prejuízo de US$ 1,054 bilhão. Lucro operacional de US$ 2,791 bilhões, contra prejuízo de US$ 273 milhões. O EBITDA ajustado subiu 306%, para US$ 8,809 bilhões. O lucro por ação foi de US$ 0,35, segundo a Fortune.
As estimativas de mercado aparecem diferentes em cada veículo. A Reuters cita US$ 12,72 bilhões de receita esperada, pela LSEG. A Fortune cita US$ 12,86 bilhões, pela Visible Alpha. O 24/7 Wall St. fala em US$ 13,02 bilhões, sem dizer quem compilou. Cada casa ouve um grupo diferente de analistas. Em qualquer das três réguas, a SpaceX superou a expectativa em mais de US$ 1,5 bilhão. No lucro operacional, a Fortune registra expectativa de US$ 2,33 bilhões.
Por que a IA passou a Starlink?
O segmento Super Intelligence é o antigo segmento de IA, que mudou de nome. Ele reúne o Grok, a rede X, a Cursor e o aluguel de computação para outras empresas. A Fortune cita Anthropic, Google, Grok e X entre os usuários dessa capacidade. A Reuters cita Anthropic, Google e Reflection AI como clientes de contratos de computação. O comunicado oficial não nomeia clientes.
Três motores aparecem nas fontes. O primeiro é capacidade: a SpaceX tinha 1,7 GW de computação instalada em 30 de setembro, contra 1,4 GW em junho e 0,6 GW um ano antes, segundo o comunicado. O segundo é a Cursor, comprada com valor implícito de US$ 60 bilhões e incorporada em 14 de agosto, que somou US$ 608 milhões de receita até setembro, segundo o Tesla North. O terceiro é publicidade, que rendeu US$ 538 milhões, contra US$ 367 milhões no segundo trimestre.
O segmento teve lucro operacional de US$ 431 milhões, contra prejuízo de US$ 1,722 bilhão um ano antes. O resultado já desconta US$ 1,2 bilhão em remuneração em ações ligada à compra da Cursor, segundo o Tesla North. Na teleconferência, Elon Musk disse que a SpaceX é procurada “sem parar por todos os hyperscalers” e que poderia “alugar a computação várias vezes” se dissesse sim a todos, segundo a transcrição publicada pelo Investing.com. A empresa afirmou que a capacidade nova se paga em menos de um ano aos preços atuais.
E a Starlink e os foguetes?
A conectividade faturou US$ 5,248 bilhões, alta de 69%, e o lucro operacional do segmento quase dobrou, para US$ 2,367 bilhões. A base residencial chegou a 13,6 milhões de assinantes, com receita média de US$ 69 por mês, 5% acima do trimestre anterior. A receita com empresas e governos subiu 91%, segundo o Tesla North. O ponto fraco foi o ritmo: 1,6 milhão de novos assinantes, contra 2,29 milhões esperados por analistas, segundo a Fortune. O 24/7 Wall St. lembra que a margem bruta de 55% da conectividade incluiu cerca de 3 pontos de reembolso de tarifas, que não se repete.
O segmento Space faturou US$ 1,767 bilhão, alta de 6%, e teve prejuízo operacional de US$ 7 milhões, contra lucro de US$ 259 milhões um ano antes. Parte da explicação é contábil: a SpaceX não reconhece receita entre segmentos pelos lançamentos de satélites da própria Starlink, segundo o The Motley Fool. O voo 14 da Starship foi a primeira missão com receita do foguete e levou 26 satélites Starlink V3.
Quanto a SpaceX está gastando?
O investimento do trimestre foi de US$ 19,593 bilhões, dos quais US$ 16,444 bilhões foram para IA. Em nove meses, o total chega a US$ 48,069 bilhões. A empresa tinha US$ 51,3 bilhões em caixa e US$ 38,6 bilhões em títulos negociáveis em 30 de setembro. Na teleconferência, a SpaceX projetou de US$ 35 bilhões a US$ 40 bilhões de investimento no quarto trimestre e receita de US$ 33 bilhões a US$ 37 bilhões no primeiro trimestre de 2027. Musk falou em 2,5 a 3 GW de computação até o fim de 2026 e disse que ficaria surpreso com menos de 13 GW até o fim de 2027.
Os analistas se dividiram sobre a conta. A Cantor Fitzgerald elevou o preço-alvo de US$ 246 para US$ 345, e o TD Cowen, de US$ 200 para US$ 224, segundo o Benzinga. A KeyBanc, que não tem preço-alvo, elevou a projeção de investimento para cerca de US$ 86 bilhões em 2026 e US$ 473 bilhões em 2027. Pela conta da casa, a SpaceX vai precisar de cerca de US$ 475 bilhões em capital adicional até 2028. O Benzinga observa que a reportagem não detalha como a KeyBanc chegou a esse total.
Como chegamos até aqui?
A SpaceX abriu capital na Nasdaq em junho, a US$ 135 por ação, com o código SPCX. No primeiro balanço como empresa aberta, em agosto, mostrou receita de US$ 7,8 bilhões e prejuízo de US$ 541 milhões. Em um trimestre, a receita quase dobrou e o prejuízo virou lucro.
O portal acompanhou o lado do financiamento. Em 6 de outubro, o Financial Times informou que a SpaceX negociava US$ 40 bilhões em dívida com a Apollo para comprar chips da Nvidia, informação ainda sem confirmação da empresa. Em 13 de outubro, a SpaceX juntou Grok, Cursor e X Premium numa assinatura só. O balanço mostra para onde vai esse dinheiro: computação para terceiros e produtos de IA próprios.
O que muda para o Brasil?
A Starlink tinha 936,8 mil acessos de banda larga no Brasil em agosto, segundo dados enviados à Anatel e publicados pelo Teletime e pelo Tecnoblog. Foram 65 mil novos acessos no mês, a maior adição do mercado, e a base passou a da TIM, que tinha 929,9 mil. Em 9 de outubro, a Anatel autorizou a Starlink a usar a banda S, em 2 GHz, para um futuro serviço de conexão direta entre satélite e celular. A agência avisou que a autorização, sozinha, não permite a operação comercial, segundo o Olhar Digital.
O balanço ajuda a ler esse avanço. A Reuters lembra que a expansão fora dos países ricos pode baixar a receita média por assinante ao longo do tempo. O Brasil entra nessa conta como mercado de volume. Para empresas brasileiras que usam Claude ou Gemini, há outro efeito: Anthropic e Google alugam capacidade da SpaceX, e parte da computação desses fornecedores passa a vir de data centers de Musk.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: a SpaceX virou, no resultado, uma vendedora de computação para IA que também opera satélites e foguetes. O lucro do segmento de IA ainda é pequeno perto do investimento, e o quarto trimestre vai mostrar se a margem aguenta um gasto quase duas vezes maior. Quem ganha no curto prazo são Nvidia e os fornecedores de data center. O risco fica com o acionista se a conta passar a depender de dívida.
Sinais para conferir até o balanço do quarto trimestre: se o investimento fica entre US$ 35 bilhões e US$ 40 bilhões, se a capacidade chega a 2,5 a 3 GW em dezembro, se o financiamento com a Apollo se confirma, se a Starlink volta a somar mais de 2 milhões de assinantes no trimestre e se o voo 15 da Starship, previsto para novembro, recupera foguete e nave. A conversa sobre fusão com a Tesla, anunciada na mesma teleconferência, tem post próprio no Watcher.
Fontes
- SpaceX (comunicado), SpaceX Reports Third Quarter 2026 Results, 20/10/2026
- Fortune, SpaceX posts first operating profit as public company as AI revenue nearly triples, 20/10/2026
- Reuters via Investing.com, SpaceX quarterly revenue jumps, beats estimates as AI business surges, 20/10/2026
- Tesla North, SpaceX Posts $4.4 Billion Profit as Q3 Revenue Jumps 161%, 20/10/2026
- Investing.com, Transcrição da teleconferência de resultados da SpaceX do 3º trimestre de 2026, 20/10/2026
- Teslarati, SpaceX delivers blockbuster Q3 results as Super Intelligence segment booms, 20/10/2026
- 24/7 Wall St., SpaceX Just Reported a 161% Jump in Quarterly Revenue, 21/10/2026
- Benzinga, SpaceX Bulls Get Louder After Q3 Earnings Print, But One Firm Flags $475B Funding Gap, 21/10/2026
- The Motley Fool, Why SpaceX Stock Popped After Earnings, 21/10/2026
- Teletime, Starlink lidera adições de banda larga em agosto e passa a TIM, 05/10/2026
- Tecnoblog, Starlink atropela TIM no ranking da banda larga, 06/10/2026
- Olhar Digital, Anatel libera frequência para futura internet da Starlink no celular, 16/10/2026
Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.
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Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
Leia também: SpaceX busca US$ 40 bi em dívida com a Apollo para chips da Nvidia e SpaceX junta Grok, Cursor e X Premium numa assinatura só.

