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Tenstorrent, de Jim Keller, capta US$ 1,5 bilhão e passa a valer US$ 6,2 bilhões

Capa do Watcher com o título Tenstorrent capta US$ 1,5 bi e vale US$ 6,2 bi
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Tenstorrent, fabricante de chips de IA comandada por Jim Keller, anunciou em 19 de outubro de 2026 uma série E de US$ 1,5 bilhão, com avaliação de US$ 6,2 bilhões depois do aporte. Trace Capital e Innovation X lideraram a rodada. Fidelity, T. Rowe Price, Morgan Stanley, ARK Invest, Sandisk e Tether Investments também entraram. A empresa diz que o dinheiro vai para a produção em volume dos servidores Galaxy e para os núcleos de CPU e de IA que licencia a outros fabricantes de chips.

Em resumo

  • Rodada: US$ 1,5 bilhão na série E, liderada por Trace Capital e Innovation X, com outros 15 investidores nomeados no comunicado.
  • Avaliação: US$ 6,2 bilhões depois do aporte, mais que o dobro dos cerca de US$ 2,7 bilhões da rodada de dezembro de 2024.
  • Uso do dinheiro: servidores Galaxy em escala, modelos de pesos abertos de texto e vídeo e nova geração de núcleos RISC-V e de IA para licenciar.
  • Venda fora da mesa: em junho, a The Information noticiou conversa com a Qualcomm por US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões. Keller disse à Bloomberg TV que a empresa segue sozinha.
  • Leitura: a avaliação ficou abaixo da faixa daquela conversa. O investidor paga pelo time de Keller e cobra prova de escala.

Quem colocou dinheiro e para quê?

O comunicado da empresa, datado de Santa Clara, lista 15 participantes além dos dois líderes. Há gestoras de fundos, como Fidelity e T. Rowe Price, bancos, como o Morgan Stanley, e empresas como Sandisk e Tether Investments. A Virtu Financial, que já usa os servidores Galaxy segundo o SiliconANGLE, também entrou. A XTX Markets, que estava na rodada de 2024, voltou. O The Rio Times observa que nenhuma fonte informou quanto cada um pôs nem quanto da rodada é ação nova.

A Tenstorrent diz que vai usar o dinheiro em três frentes. Pôr os servidores Galaxy em operação em escala. Servir modelos de pesos abertos de linguagem e de geração de vídeo. E avançar os núcleos de IA e de CPU que licencia a quem desenha o próprio chip. Samsung e LG já licenciam o processador TT-Ascalon, de arquitetura RISC-V, e os núcleos de IA Tensix. Keller resumiu a estratégia no comunicado: “construímos uma arquitetura e a vendemos em todos os tamanhos”.

O catálogo vai de placas avulsas e estações de trabalho a racks e superclusters. Uma configuração do Galaxy reúne 32 chips Blackhole e cerca de 23 petaflops de computação de IA, e chegou à disponibilidade geral em 28 de abril de 2026, segundo o The Rio Times. O software é aberto. O compilador TT-Forge liga o PyTorch aos chips, e o kit TT-Metalium serve para escrever kernels próprios, segundo o SiliconANGLE.

Quem já usa os servidores da Tenstorrent?

A TechTarget reuniu os clientes que a empresa nomeia. A Virtu Financial roda agentes de IA de negociação e de operação em servidores Galaxy dentro de casa. A Equinix oferece os sistemas no seu Distributed AI Hub. A Smallest.ai roda um modelo de voz em tempo real nos Galaxy Blackhole. E a japonesa ai& tem mais de 120 sistemas Galaxy na sua infraestrutura de IA soberana, segundo a própria Tenstorrent.

A empresa não divulga receita nem volume de entregas. Em dezembro de 2024 falava em cerca de US$ 150 milhões em contratos fechados, segundo a Unite.AI. Uma fonte disse à The Information, citada pela The Logic, que a receita relevante só começou em 2025, depois da chegada de clientes no Japão.

Os números batem entre as fontes?

Há duas diferenças pequenas. A primeira é a sede. O SiliconANGLE fala em Toronto, onde a empresa nasceu em 2016. O comunicado é datado de Santa Clara, na Califórnia, e lista escritórios em Austin, Toronto, Belgrado, Tóquio e Bangalore. Este texto segue o comunicado.

A segunda é a avaliação anterior. A TechStartups fala em cerca de US$ 2,6 bilhões. A série D, anunciada em 2 de dezembro de 2024, levantou mais de US$ 693 milhões sobre uma avaliação de US$ 2 bilhões antes do aporte, segundo a Unite.AI. Isso dá perto de US$ 2,7 bilhões depois do aporte, conta que a TechTarget e a The Logic também fazem. Nas duas bases, a nova avaliação passa do dobro.

Como chegamos até aqui?

Em novembro de 2025, a The Information noticiou que a Tenstorrent negociava US$ 800 milhões a uma avaliação de US$ 3,2 bilhões antes do aporte, com a Fidelity na liderança, segundo a The Logic. Em junho de 2026, o mesmo veículo informou que a Qualcomm conversava para comprar a empresa por US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões, em dinheiro e ações, segundo o DCD. A Qualcomm disse que não comenta rumores. Nenhum acordo foi anunciado.

Quatro meses depois, a empresa capta sozinha, a um valor abaixo da faixa daquela conversa. Em entrevista à Bloomberg TV no dia do anúncio, Keller disse que o foco é crescer com os sistemas Galaxy e com a propriedade intelectual, sem buscar uma venda, segundo o RuntimeWire. Dois dias depois, em 21 de outubro, a Tenstorrent e a japonesa Preferred Networks foram escolhidas pela agência japonesa NEDO para um projeto de cinco anos de processadores com integração fotônica. A Tenstorrent fica com os chiplets de CPU de arquitetura aberta e com suporte a computação confidencial.

O que muda para quem compra infraestrutura de IA no Brasil?

A Tenstorrent mira três perfis que existem no mercado brasileiro: quem quer inferência dentro de casa, quem precisa de IA soberana e quem desenha chip próprio. Bancos e corretoras que rodam modelos perto dos dados ganham um caso de referência do setor financeiro, a Virtu. Governos e estatais que discutem IA com dados no país têm o caso da ai&, no Japão.

O analista Stephen Sopko, da HyperFrame Research, deu à TechTarget um roteiro de compra. Exigir testes independentes em condição de produção, pedidos repetidos de clientes nomeados, prazos de entrega transparentes e roteiro de vários anos. Ele lembrou que vencer um benchmark não fecha a conta do custo total, que inclui uso, rede, engenharia de software, suporte e reposição. Para a empresa brasileira, o suporte local de um fornecedor novo entra nessa conta e precisa ser verificado antes do contrato.

O que observar nos próximos meses

A tese da Marcio.AI: a avaliação de US$ 6,2 bilhões paga o time de Keller e cobra escala. Até o fim do primeiro semestre de 2027, a Tenstorrent precisa mostrar três coisas para sustentar o valor. Um cliente de grande porte com pedido repetido de Galaxy. Um chip de licenciado, como Samsung ou LG, com núcleo Tenstorrent chegando ao mercado. E algum número público de receita ou de entregas. Sem isso, a conversa com um comprador tende a voltar.

Sinais para conferir: novos clientes nomeados nos próximos anúncios da empresa, o andamento do projeto com a Preferred Networks no Japão e qualquer notícia nova sobre interesse de compra da Qualcomm ou de outro grupo.

Fontes

Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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