
A EverWind anunciou em 16 de outubro de 2026 um plano de mais de C$ 10 bilhões, cerca de US$ 7,1 bilhões, para um campus de data centers e parques eólicos em Point Tupper, na Nova Escócia, Canadá. O comunicado dizia que a primeira fase, de 95 MW, já tinha contrato de longo prazo com “um desenvolvedor líder de IA de fronteira”, sem nome. No mesmo dia a Anthropic anunciou que é a inquilina. É o primeiro contrato de data center da empresa no Canadá, com 20 anos de prazo, segundo The Canadian Press e The Logic.
Em resumo
- Inquilina: a Anthropic, que confirmou o contrato em 16/10. A EverWind não tinha dito o nome no comunicado.
- Tamanho: primeira fase de 95 MW no fim de 2027 e expansão de 325 MW em 2028, para 420 MW no total.
- Dinheiro: mais de C$ 8 bilhões no campus e C$ 2 bilhões em quatro parques eólicos. Valor do aluguel não divulgado.
- Compromissos: a EverWind paga conexão e reforços da rede, instala baterias e usa refrigeração em circuito fechado. A Anthropic promete dezenas de milhões de dólares para a comunidade.
- Ponto aberto: os parques eólicos não ficam prontos até o fim de 2027, e o campus começa ligado à rede existente.
O que a EverWind anunciou?
O plano soma mais de C$ 10 bilhões em capital privado. São mais de C$ 8 bilhões para o campus de data centers no terreno industrial de Point Tupper e C$ 2 bilhões para quatro parques eólicos em terra: Bear Lake, Windy Ridge, Kmtnuk e Upper Afton. A empresa chama o projeto de maior investimento privado da história da província. A primeira fase, de 95 MW, fica pronta no fim de 2027. A segunda, de 325 MW, está prevista para 2028. Os prazos dependem de condições comerciais, técnicas e regulatórias, diz o comunicado.
A EverWind promete cerca de 2 mil vagas na construção e 215 empregos permanentes. The Canadian Press acrescenta que esses cargos pagarão de C$ 135 mil a C$ 185 mil por ano e que o prédio da primeira fase terá 18.600 metros quadrados. A consultoria Davis Pier, citada no comunicado, projeta C$ 137 milhões por ano no PIB da província com o campus em operação e cerca de C$ 1,5 bilhão em imposto de renda provincial em 20 anos. Um consórcio de Primeiras Nações liderado pela Membertou Development Corporation negocia participação no campus. The Canadian Press fala em 9%.
Como a Anthropic entrou?
O comunicado da EverWind não deu o nome do cliente. No mesmo dia, a Anthropic anunciou o contrato. Jacob Glick, chefe de políticas públicas da empresa no Canadá, disse em nota citada pelo The Logic que os canadenses usam o Claude em número crescente e que a empresa quer sua infraestrutura mais perto de quem depende dela. Segundo The Canadian Press, a Anthropic informou que o Canadá é o sexto maior usuário do Claude no mundo. A Reuters registrou a confirmação por um executivo da empresa.
Sobre o prazo, The Canadian Press e The Logic falam em 20 anos. A Crypto Briefing diz “pelo menos 20 anos”. O valor do aluguel não foi divulgado. Glick escreveu no LinkedIn, segundo a W.Media e a Data Centre Magazine, que a Anthropic assinou os princípios federais de desenvolvimento responsável de data centers e vai destinar “dezenas de milhões de dólares” a prioridades escolhidas com a comunidade. A Anthropic também se comprometeu a pagar os reforços de rede necessários e a proteger os consumidores de energia de aumentos ligados ao projeto, segundo o The Logic.
O formato muda o jeito como a Anthropic compra capacidade. O The Logic lembra que a empresa costuma comprar computação de grandes nuvens, como AWS e Google. Na Nova Escócia, ela aluga direto do dono do data center, que também é a empresa de energia.
De onde vem a energia e a água?
Os parques eólicos não ficam prontos a tempo da primeira fase, segundo The Canadian Press e The Logic. O campus começa ligado à infraestrutura elétrica que já existe. A EverWind cita um estudo do operador da rede da província que conclui que a rede aguenta a carga. A empresa diz que vai pagar toda a conexão e os reforços da rede atribuídos ao projeto e que o campus pode reduzir ou cortar o consumo da rede quando for preciso para manter a confiabilidade.
Há uma diferença nos números de bateria. O comunicado fala em “várias centenas de MWh”. The Canadian Press informa cerca de 200 MWh. A refrigeração usa água e glicol em circuito fechado, com ar na maior parte do tempo e água só no calor mais forte. O consumo médio previsto é de cerca de 100 mil litros por dia na primeira fase e 500 mil litros por dia com os 420 MW, perto de 1% da vazão diária segura do lago Landrie, de 34 milhões de litros.
Quem critica o projeto?
Claudia Chender, líder do NDP na província, disse que o governo de Tim Houston apoia o projeto “sem nenhuma discussão, consulta, legislação ou regulação”, segundo The Canadian Press. Ela pede proteção contra choques de tarifa causados por data centers. Houston indicou que não pretende criar regras novas e citou as aprovações ambientais e industriais que já existem.
O debate é nacional. The Canadian Press lista protestos em Vancouver, a recusa do premiê de Manitoba a um grande projeto perto de Winnipeg, a negativa de reguladores de Alberta a uma usina a gás que alimentaria um data center em Olds e moratórias de um ano em Oakville e Mississauga.
Como chegamos até aqui?
A EverWind nasceu há cerca de quatro anos para fazer energia eólica e hidrogênio verde no Atlântico canadense, segundo The Canadian Press. O fundador, Trent Vichie, passou por Stonepeak, Blackstone e Macquarie. A empresa diz que mantém os planos de hidrogênio e amônia em Point Tupper. Já tem aprovação ambiental para quatro parques eólicos com 650 MW, dos quais 51% pertencem a um consórcio liderado pela Membertou. “Velocidade importa, e parceiros capazes importam”, disse Vichie.
Do lado da Anthropic, o The Logic informou em agosto que a empresa contratava gente no Canadá para achar terrenos e garantir energia, com uma vaga que falava em pôr “gigawatts de computação” no país. A W.Media lembra dois contratos recentes: um aluguel de 20 anos com a TeraWulf no Kentucky, de 401 MW, em julho, e o primeiro data center na Austrália, em Queensland, em setembro. Segundo a Reuters, a Anthropic gastou US$ 7,33 bilhões em computação e infraestrutura no ano passado, cerca de três vezes o valor de 2024. A Marcio.AI tem acompanhado os números da empresa antes do IPO.
O que isso significa para o Brasil?
O Brasil disputa o mesmo tipo de investimento. Pelo levantamento da JLL que a Marcio.AI publicou em outubro, o país tinha 706 MW de data centers em operação e 660 MW em construção, com Fortaleza como polo emergente. O incentivo do Redata, aprovado no Senado em setembro, exige energia renovável e uso eficiente de água.
O contrato da EverWind mostra o pacote que um laboratório de fronteira aceita assinar hoje. O dono do campus traz energia eólica própria, paga a conexão e os reforços da rede, instala baterias, usa refrigeração em circuito fechado e divulga o consumo de água. O inquilino promete fundo para a comunidade. Projetos brasileiros que quiserem atrair esse cliente vão ser comparados com esse padrão, e a pergunta sobre quem paga a rede vai aparecer na mesa do regulador e do município.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: laboratórios de fronteira vão alugar cada vez mais direto de quem tem energia contratada, em prazos de 20 anos, e o contrato vai vir com compromissos públicos de tarifa, água e comunidade. Ganha o desenvolvedor que tem energia própria e licença ambiental. Perde o projeto que depende só da rede existente.
Sinais para conferir. Quem fica com os 325 MW da segunda fase e se a Anthropic amplia o contrato. Se a Membertou fecha a participação no campus. Se o governo da Nova Escócia cria alguma regra para data centers depois da pressão da oposição. E o andamento dos quatro parques eólicos, que precisam entrar em operação para o campus deixar de depender só da rede atual.
Fontes
- EverWind (GlobeNewswire), EverWind Announces $10 billion Investment in Point Tupper Data Centre Campus and Renewable Energy Portfolio Across Nova Scotia, 16/10/2026
- The Canadian Press via CP24, EverWind says $10B AI data centre proposal largest private investment in N.S. history, 16/10/2026
- The Logic, Anthropic revealed as client for EverWind’s $10B Nova Scotia data centre, 16/10/2026
- Reuters via The Star, Anthropic signs lease for first Canadian data center, 17/10/2026
- Investing.com, Anthropic signs first Canada data centre lease as EverWind plans C$10B investment, 16/10/2026
- Data Centre Magazine, Anthropic’s 1st Canadian Data Centre Lease is With EverWind, 19/10/2026
- W.Media, EverWind plans US$ 7 billion Nova Scotia data center campus with Anthropic as tenant, 19/10/2026
- Crypto Briefing, Anthropic signs lease for first Canadian data center with EverWind, 16/10/2026
Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.
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