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Itaú abre com a OpenAI como montou a ia.i, que já tem 3 milhões de clientes e mira toda a base

Capa do Watcher com o título Itaú mostra como a OpenAI entra na ia.i
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A OpenAI publicou em 16 de outubro de 2026 um estudo de caso sobre a ia.i, o assistente de IA generativa que o Itaú Unibanco pôs dentro do app em julho. O texto diz que modelos da OpenAI sustentam a experiência e que o banco organiza tudo numa plataforma própria de governança, a IARA. O caso fala em cerca de 300 mil clientes na primeira fase. Dez dias antes, o CEO Milton Maluhy disse à CNN Brasil que 3 milhões de clientes já usam a plataforma e que a base inteira terá acesso até o fim de 2026.

Em resumo

  • O que saiu: um caso da OpenAI, em 16/10, que põe o nome da empresa na ia.i. O comunicado do banco em julho não citava fornecedor.
  • Alcance: 300 mil clientes no lançamento, em 27/07. O CEO falou em 3 milhões em 06/10. A meta é 100% da base de pessoa física do app até dezembro.
  • Arquitetura: a IARA dá acesso controlado a vários modelos, e a OpenAI é um dos fornecedores. Modelos GPT-5.x ajudam a manter um perfil financeiro de cerca de 70 milhões de clientes.
  • Jurídico: mais de 90 milhões de documentos na base, mais de 2 milhões de tarefas por mês e ganhos de 20% a 80% de eficiência em etapas dos processos.
  • Limite atual: a ia.i ainda está em beta. Pix é a única operação que ela executa, e recomendação de investimento segue em piloto restrito.

O que o Itaú contou à OpenAI?

O caso descreve três peças. A primeira é a ia.i, uma camada de conversa por texto ou voz que reúne conta corrente, crédito, cartões, seguros e outros serviços num só lugar e passa o cliente para um atendente humano quando precisa. A segunda é o DNA do cliente, uma camada de contexto financeiro que cobre cerca de 70 milhões de clientes. Segundo a OpenAI, modelos GPT-5.x ajudam a manter e enriquecer esse perfil, sob controles de governança. A terceira é a IARA, plataforma que dá às equipes acesso a vários modelos sob políticas internas, com controle de custo por token, checagem de precisão das respostas e regras de IA responsável.

Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú, deu duas frases que resumem a divisão de papéis. “Os modelos da OpenAI foram bastante importantes para a entrega dessa experiência”, disse. E sobre a plataforma: “A IARA é uma plataforma fundamental, porque ela garante que a gente consiga ter governança e observabilidade”. O texto da OpenAI deixa claro que o banco usa vários modelos dela, mais baratos e rápidos para tarefas simples e com raciocínio para as complexas.

A área jurídica aparece como o caso de maior escala. A IARA automatiza leitura, análise e interpretação de documentos sobre uma base de mais de 90 milhões de arquivos e executa mais de 2 milhões de tarefas por mês, com ganhos de 20% a 80% de eficiência em etapas dos processos, segundo o caso. Em julho, o Mobile Time tinha registrado outro recorte do mesmo trabalho: 43 milhões de documentos e 300 mil ligações transcritos para o jurídico.

Quantos clientes já usam a ia.i?

Os números de alcance mudaram ao longo de três meses, e as fontes nem sempre falam do mesmo momento. No lançamento, em 27 de julho, o comunicado do Itaú falava em cerca de 300 mil clientes, 3 milhões até setembro e 100% da base até o fim de 2026. IT Forum, Tecnoblog, Mobile Time e Seu Dinheiro registraram o mesmo plano. O Let’s Money publicou na época uma meta de 1 milhão para setembro, número que nenhuma outra fonte confirma.

Em 6 de outubro, Milton Maluhy disse à CNN Brasil: “A gente já tem 3 milhões de clientes usando na plataforma”. O caso da OpenAI, de 16 de outubro, cita os 300 mil como o tamanho da primeira fase, quando o banco entrou num período de aprendizado. E um guia do Let’s Money publicado no mesmo dia fala em “centenas de milhares”. A leitura mais atual, e a única dada pelo próprio banco depois de julho, é a do CEO: 3 milhões no início de outubro. O Itaú não informou o tamanho total da base de pessoa física do app.

Como a IARA organiza os modelos?

O caso da OpenAI conta a parte que envolve a OpenAI. As entrevistas de julho mostram que a pilha é mais larga. O Mobile Time e o Tecnoblog registraram o GPT 5.6, da OpenAI, ao lado de modelos da Anthropic e de modelos abertos como o Qwen 32B. O Tecnoblog informou que o banco conversa com OpenAI, Anthropic, Google e AWS. Mazzei disse ao Mobile Time que é preciso “uma plataforma que seja capaz de orquestrar diferentes modelos” e que o banco escolhe o modelo de melhor custo para cada tarefa.

O efeito aparece no custo. Desde 2022, quando começou o trabalho com IA generativa, o Itaú reduziu em 65% o gasto com essa tecnologia, segundo o Mobile Time. O IT Forum registrou outra peça de governança: uma camada que confere a precisão factual das respostas em tempo real, antes de chegar ao cliente. “Não teremos alucinações com informações factuais”, disse Mazzei. O Let’s Money mostra que o próprio app ainda avisa que o beta pode dar informação imprecisa e marca o conteúdo gerado por IA.

Como chegamos até aqui?

O comunicado do banco conta a sequência. Em 2024 vieram as primeiras capacidades da Inteligência Itaú. Nos 12 meses antes do lançamento, Pix pelo WhatsApp, a Inteligência Itaú para Investimentos, o Itaú Emps para pequenos empreendedores e a maquininha Laranjinha+ com IA generativa. Segundo o IT Forum, a ia.i foi mostrada no AWS re:Invent em dezembro e no Web Summit Rio em junho de 2026, antes de chegar aos clientes em 27 de julho.

Em 24 de agosto, Maluhy citou a ia.i no painel de abertura do Febraban Tech e disse que “A IA não substitui o capital humano”, segundo a Convergência Digital. No mesmo evento, como a Marcio.AI registrou, o banco falou da ampliação do time de computação quântica. Do lado da OpenAI, o Brasil já tinha ganhado peso em agosto, quando a empresa escolheu São Paulo para o primeiro escritório nas Américas. Um caso público com o maior banco privado do país reforça essa aposta.

O que isso muda para bancos e empresas no Brasil?

A disputa é por principalidade, ou seja, ser o banco onde o cliente concentra salário, pagamentos, investimentos e crédito. João Araújo, diretor de Estratégia, Ciclo de Vida do Cliente e IA do Itaú, explicou a lógica ao Seu Dinheiro: “Quanto mais principalidade, mais dados. Quanto mais dados, mais valor entregamos”. O mesmo veículo lembra que BTG Pactual, Bradesco e Nubank oferecem conversas com IA no app ou no WhatsApp. O assistente virou item de competição entre os grandes.

O dinheiro também é grande. Os bancos brasileiros devem gastar R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, alta de 8% sobre 2025, segundo pesquisa Febraban e Deloitte citada pelo IT Forum. O mesmo veículo informou que o Itaú destina R$ 5,4 bilhões a iniciativas desse tipo.

Para quem desenha IA em empresa regulada, o caso deixa um roteiro concreto. Uma camada própria de orquestração fica entre o produto e os fornecedores de modelo. Ela controla custo, registra o que acontece e confere a resposta antes da entrega. Com isso, o banco troca de modelo sem refazer o produto e não fica preso a um fornecedor. A ressalva é a escala real das funções: a ia.i ainda executa só Pix, e simulação e contratação de produtos estão na lista de próximas etapas.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: grandes bancos brasileiros vão adotar o desenho do Itaú, com plataforma própria de governança e vários modelos atrás dela, e o fornecedor de modelo vai perder poder de negociação para quem controla a camada de orquestração. A OpenAI ganha vitrine, mas o ativo que fica com o banco é a IARA e o DNA do cliente.

Sinais para conferir até o fim de dezembro. Se o Itaú chega a 100% da base de pessoa física do app, como prometeu. Se a ia.i passa a simular e contratar produtos dentro da conversa. Se a recomendação de investimento sai do piloto restrito. E se o banco publica, nos resultados trimestrais, efeito em principalidade e em perda de clientes, os indicadores que o banco disse ao Mobile Time que vai medir antes das métricas de negócio.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #Itau #OpenAI #IAGenerativa #Bancos #GovernancaDeIA #Pix

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Febraban Tech 2026: Itaú amplia o time de computação quântica e São Paulo será o 1º escritório da OpenAI nas Américas e o 3º fora dos EUA.

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