
A AMD apresentou em 12 de outubro de 2026, no OCP Global Summit, em San José, na Califórnia, o Helion, um projeto aberto de rack para rodar agentes de IA. A versão só com processadores reúne até 32.768 núcleos de CPU EPYC de sexta geração. A versão para empresas junta CPUs, até 16 GPUs Instinct MI350P e um roteador de tokens que distribui as chamadas dos agentes entre modelos. A AMD vai doar a especificação ao Open Compute Project, e as primeiras configurações devem sair em novembro, com parceiros como Dell, HPE, Lenovo e Supermicro.
Em resumo
- Duas versões: uma só com CPUs EPYC “Venice”, com até 32.768 núcleos, para rodar agentes ao lado de racks de inferência separados. Outra com CPUs, até 16 GPUs MI350P e servidores de uso geral no mesmo rack.
- Roteador de tokens: direciona as chamadas dos agentes para modelos de fronteira na nuvem ou para modelos abertos rodando no próprio rack.
- Padrão aberto: rack ORv3 de 21 polegadas, refrigeração a ar ou líquida, até 102 Tbps de rede. A especificação vai para o OCP, mas a doação ainda não foi feita.
- Prazo: configurações com parceiros previstas para novembro de 2026. Preço, consumo do rack e número de nós não foram divulgados.
- Tese da AMD: Lisa Su disse que o tráfego gerado por agentes cresceu cerca de 14 vezes neste ano e projeta um mercado de CPUs para servidor acima de US$ 200 bilhões em 2030.
O que é o Helion?
O Helion é um desenho de referência de rack, baseado em especificações do Open Compute Project, a comunidade que padroniza hardware de data center. Ele segue a linha do Helios, o rack de GPUs que a AMD lançou neste ano para treino e inferência em grande escala. A diferença está no foco. O Helion foi pensado para a parte do trabalho dos agentes que roda fora da GPU: abrir ambientes isolados, executar código, chamar ferramentas e coordenar etapas.
Dan McNamara, vice-presidente sênior de computação e IA corporativa da AMD, resumiu a premissa no comunicado: “IA agêntica não é uma carga de trabalho única”. Segundo ele, agentes vão de assistentes pessoais a aplicações corporativas, execução de código e fluxos complexos, e cada caso pede uma combinação diferente de computação.
Como são as duas versões?
A versão para hiperescala leva só CPUs. São processadores EPYC 9006, de nome “Venice”, com arquitetura Zen 6. A página do produto lista três tipos de servidor: denso, com 256 núcleos a 400 W, para agentes pessoais. Equilibrado, com 256 núcleos a 600 W, para agentes corporativos. E de desempenho, com 96 núcleos de alta frequência, para agentes técnicos. O StorageReview e o Wccftech fizeram a conta: 32.768 núcleos equivalem a 128 processadores de 256 núcleos por rack. Nessa versão, a inferência dos modelos fica em outro rack, como um Helios.
A versão para empresas junta tudo num rack só. Ela combina os mesmos servidores de CPU com até dois servidores de 5U, cada um com 8 GPUs Instinct MI350P, mais nós de uso geral para banco de dados e armazenamento. A página da AMD informa que os dois servidores de GPU não têm interconexão de escala entre eles. O StorageReview e o Wccftech registram 74 petaflops em FP4 para as 16 GPUs. É nessa versão que entra o roteador de tokens: o agente pode chamar um modelo de fronteira na nuvem ou um modelo aberto rodando no próprio rack, segundo o Back2Gaming.
O rack segue o padrão ORv3 de 21 polegadas, com 44 unidades OpenU, refrigeração a ar ou líquida e até 102 Tbps de rede. O Back2Gaming lista os padrões abertos usados, entre eles DC-MHS para as placas e Caliptra para a raiz de confiança em silício.
O que ainda não se sabe?
A AMD não divulgou preço, consumo total do rack nem número de nós da versão de hiperescala, lembra o StorageReview. A doação da especificação ao OCP está prometida, mas ainda não aconteceu, observa o Back2Gaming. O Wccftech fala em disponibilidade mais ampla no primeiro semestre de 2027, dado que o comunicado não traz.
Há uma divergência de número. A Stocktwits escreveu que o Helion aceita até 32 GPUs MI350P. A página oficial da AMD diz até 16, em dois servidores de 8. Este texto segue a AMD. As fontes também divergem sobre o Helios: a Stocktwits diz que as entregas de produção começaram em setembro, e o JKN diz que a produção em massa começou a ser enviada no dia da palestra.
Por que agentes pedem mais CPU?
Na palestra de abertura do OCP, Lisa Su, CEO da AMD, disse que o tráfego gerado por agentes de IA cresceu cerca de 14 vezes neste ano, segundo o JKN. A AMD projeta um mercado de CPUs para servidor acima de US$ 200 bilhões em 2030, com crescimento perto de 50% ao ano, segundo a Stocktwits. Su disse que a empresa elevou essa projeção três vezes em nove meses. O JKN também registra a alegação da AMD de densidade de computação 40% maior que a dos concorrentes, sem detalhar a comparação.
A TrendForce explica a mecânica num relatório de 29 de setembro. Data centers de IA operam hoje com uma CPU para cada 4 a 8 GPUs. Com agentes, a proporção tende a ficar entre 1 para 1 e 1 para 2. A consultoria cita um artigo de novembro de 2025 em que o processamento de ferramentas na CPU chega a 90,6% da latência total de um agente. E cita estimativa da Arm de que a IA agêntica exige cerca de 120 milhões de núcleos de CPU por gigawatt, quatro vezes os 30 milhões de um data center de IA tradicional. Intel e AMD subiram preços de algumas linhas de CPU no fim do primeiro trimestre.
A disputa pelo rack de CPU já tem três concorrentes. O rack de CPUs Vera, da Nvidia, soma 256 processadores e 22.528 núcleos, segundo a TrendForce. A versão com refrigeração líquida do rack da Arm chega a 45.696 núcleos. A Intel lançou o Xeon 6+ com 288 núcleos por chip. Os números não são diretamente comparáveis, porque cada rack tem consumo e tamanho diferentes, mas mostram que o núcleo de CPU por rack virou métrica de venda.
Como chegamos até aqui?
Em março de 2026, a Nvidia passou a vender a CPU Vera de forma avulsa e a Arm lançou sua primeira CPU própria, segundo a TrendForce. A AMD lançou o Venice, em 2 nanômetros da TSMC, com 256 núcleos. Em julho apresentou o Helios, com 72 GPUs, que segundo a Stocktwits já chegou a Meta, Microsoft, OpenAI, Oracle e Anthropic. No início de outubro, Lisa Su disse em Taipé que a AMD vai ampliar muito a oferta de chips em 2027, como a Marcio.AI registrou. O Helion fecha o desenho: GPU no Helios para os modelos, CPU no Helion para os agentes.
O que isso significa para empresas brasileiras?
Para quem planeja rodar agentes em data center próprio, a versão empresarial do Helion responde a uma demanda comum no Brasil: manter dados e execução no país e mandar à nuvem só a chamada ao modelo de fronteira. O roteador de tokens dentro do rack facilita esse arranjo. O isolamento da execução do agente também virou produto de software: a AWS abriu o Strands Box, sandbox que limita o que o agente faz, tema coberto pela Marcio.AI.
O recado prático para áreas de infraestrutura é refazer a conta de capacidade. Projetos de IA costumavam ser dimensionados em GPUs. Com agentes, o número de ambientes isolados abertos ao mesmo tempo e o consumo de CPU por agente passam a pesar. Quem negocia com provedores de nuvem ou com integradores locais deve pedir as duas métricas. A falta de preço publicado e a dependência dos parceiros para entregar o rack tornam prematuro qualquer pedido antes de dezembro.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: em 2027, a compra de infraestrutura para agentes vai ser feita em núcleos de CPU por agente, e os racks novos vão sair com proporção perto de uma CPU para cada duas GPUs. AMD e Arm ganham com isso. A Nvidia precisa provar que a Vera compete fora dos próprios racks. Sinais para conferir até dezembro. A publicação da especificação do Helion no OCP. As primeiras configurações de Dell, HPE, Lenovo e Supermicro em novembro, com preço e consumo. E números de pedidos de racks de CPU para agentes nos balanços do quarto trimestre de AMD, Intel e Nvidia.
Fontes
- AMD, Introducing AMD Helion, Agentic AI Compute at Rack Scale, 12/10/2026
- AMD, AMD Helion Agentic AI Rack (página do produto), 12/10/2026
- StorageReview, AMD Helion Agentic AI Rack Packs Up to 32,768 EPYC Cores in an Open OCP Blueprint, 12/10/2026
- DCD, AMD unveils Helion rack to support agentic AI workloads, 12/10/2026
- Wccftech, AMD Helion Rack Crams 32,768 EPYC Zen 6 Cores Into One CPU-Only Agentic AI Blueprint, 12/10/2026
- Back2Gaming, AMD’s Helion Rack Separates Agent Execution From Model Inference, 13/10/2026
- JKN, AMD’s Lisa Su: AI Agent Traffic Soaring, Unveils CPU-Centric Helion Rack, 13/10/2026
- Stocktwits, AMD CEO Lisa Su Sees AI Inference Boom Fueling $1.5T Demand By 2030, 13/10/2026
- TrendForce, Not Just GPUs: Agentic AI Brings CPUs Back, 29/09/2026
Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção DeepTech do Watcher.
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Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
Leia também: AMD vai ampliar muito a oferta de chips em 2027, diz Lisa Su em Taipé e AWS abre o Strands Box, sandbox que limita o que agentes de IA fazem pelo histórico.

