A Marcio.AI cobre o AI Brasil Experience, 28 e 29 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

CoberturaIngressos

DeepSeek investe na Winverse AI, de IA para robôs, avaliada em US$ 400 milhões (não confirmado)

Capa do Watcher com o título DeepSeek aposta em IA para robôs (não confirmado)
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A DeepSeek, laboratório chinês conhecido pelos modelos de pesos abertos, aceitou liderar a primeira rodada da Winverse AI, startup de IA para robôs, segundo a Bloomberg. A notícia saiu em 12 de outubro de 2026 e cita pessoas a par do assunto. A rodada seed é de dezenas de milhões de dólares e avaliaria a empresa em cerca de US$ 400 milhões depois do aporte. O acordo ainda não foi fechado, e nenhuma das partes comentou.

Em resumo

  • O negócio: rodada seed de dezenas de milhões de dólares liderada pela DeepSeek, com avaliação perto de US$ 400 milhões, segundo a Bloomberg. A Long-Z, braço de investimento da Meituan, também se comprometeu.
  • O fundador: Hu Han, que liderava na Tencent os times de modelos de visão e linguagem e de modelos de base para IA incorporada. Ele é coautor do Swin Transformer.
  • Status: o acordo não foi fechado. Valor, avaliação e lista de investidores podem mudar. DeepSeek, Long-Z e Hu Han não responderam à Bloomberg.
  • Dúvida sobre o foco: fontes ouvidas pelo Phoenix Tech dizem que a Winverse está mais perto de infraestrutura de aceleração de modelos do que de IA incorporada em sentido estrito.
  • Contexto: a DeepSeek já comprou 140,8 milhões de iuanes em ações da Unitree em agosto e negocia captar pelo menos 80 bilhões de iuanes, segundo a Bloomberg.

O que a Bloomberg informou?

Segundo a Bloomberg, reproduzida pelo Investing.com e pelo The Next Web, a DeepSeek concordou em liderar a rodada seed da Winverse AI, empresa de Hangzhou fundada em 2026. O valor fica na casa das dezenas de milhões de dólares. A avaliação depois do aporte seria de cerca de US$ 400 milhões. A Long-Z Investments, ligada à Meituan, também assumiu compromisso de investir.

O acordo não está fechado. A Bloomberg diz que termos e participantes ainda podem mudar. DeepSeek, Long-Z e Hu Han não responderam aos pedidos de comentário. Por isso o título leva a marca de não confirmado. Se fechar, seria um dos maiores investimentos da DeepSeek em startups, segundo o Investing.com.

Há confusão nas repercussões sobre o tamanho da rodada. O Startup Fortune e o Quartz trazem no título “rodada de US$ 400 milhões”. O China Robotics Insider usa US$ 40 milhões no título, sem fonte. O texto original da Bloomberg fala em dezenas de milhões de dólares, e US$ 400 milhões é a avaliação. O Humanoids Daily faz a mesma correção. Este texto segue o original.

Quem é Hu Han?

Hu Han fez graduação e doutorado na Universidade Tsinghua, em 2008 e 2014, segundo o 21st Century Business Herald. Passou pelo Baidu e pela Microsoft Research Asia, onde entrou em dezembro de 2016. É coautor do Swin Transformer, arquitetura de visão computacional que ganhou o prêmio de melhor artigo do ICCV 2021, informação que aparece também no Humanoids Daily.

Na Tencent, ele chefiava os times de modelos de visão e linguagem e de modelos de base para IA incorporada, segundo a Bloomberg. O jornal chinês informa que ele chegou à empresa em janeiro de 2025 e saiu no fim de julho de 2026. O The Next Web registra que a saída ocorreu enquanto a Tencent reorganizava a pesquisa de IA para alcançar rivais como DeepSeek e Moonshot. Segundo o 21st Century Business Herald, Hu disse que a nova empresa mira IA incorporada e modelos de mundo.

A Winverse faz robôs?

Não há produto nem demonstração pública. A empresa opera em modo discreto, segundo o Humanoids Daily. O que se sabe do foco vem de duas leituras diferentes.

A primeira é a da Bloomberg e do próprio Hu Han: modelos de IA para robôs, a camada que interpreta instruções e decide a ação, sem fabricar o corpo da máquina. A segunda veio do Phoenix Tech, citado pelo Economic Daily News e pelo TechWeb. Fontes do setor ouvidas pelo site dizem que a Winverse está mais perto de infraestrutura, com foco em aceleração de modelos. As duas leituras podem conviver. A pista só fica clara quando a empresa mostrar o primeiro produto.

Por que a DeepSeek olha para robôs agora?

O passo tem antecedente. Em agosto, a DeepSeek investiu 140,8 milhões de iuanes, cerca de US$ 20,8 milhões, no IPO da Unitree em Xangai, segundo registro em bolsa citado pela Reuters. Recebeu 933.399 ações, 2,31% da fatia estratégica da oferta. As duas empresas, ambas de Hangzhou, acertaram desenvolver juntas modelos de IA para humanoides, com preferência mútua em compras. O TechWeb informa que as ações têm bloqueio de 36 meses.

O dinheiro também está a caminho. Em 6 de outubro, a Bloomberg informou que a DeepSeek está perto de captar pelo menos 80 bilhões de iuanes, cerca de US$ 12 bilhões, com Tencent e CATL entre os maiores investidores, segundo o TechNode. A meta inicial era de 50 bilhões de iuanes. A empresa planeja abrir capital no início de 2027.

Segundo o Phoenix Tech, reproduzido pelo 21st Century Business Herald e pelo TechWeb, o fundador Liang Wenfeng tem se reunido com vários fundadores de IA incorporada e avalia montar time próprio ou entrar por investimento. Uma fonte disse ao site que Liang “não tem muita experiência nessa área e está estudando intensamente”. O mesmo relato cita um teste de controle de robô em que o GPT-6 Astra, da OpenAI, teria 95% de acerto contra 40% de um modelo anterior. As reproduções divergem sobre qual seria esse modelo, e nenhuma traz a origem do dado. Este texto não usa o número como base.

O que muda no mercado de IA para robôs?

A aposta separa duas camadas. A China lidera a fabricação do corpo do robô. A DeepSeek, até aqui, tinha força só em modelos de linguagem. Investir em quem faz o modelo que controla a máquina encaixa a empresa na parte do negócio que pesa mais em software e em dados. O The Next Web lembra que rivais americanas desse mesmo segmento, como Skild AI e Physical Intelligence, já valem bilhões.

A Marcio.AI vem acompanhando como o dinheiro entra nessa camada. A Mecka AI captou US$ 60 milhões com a Sequoia para vender dados de movimento humano a robôs. A AWS e a Nvidia lançaram uma pilha aberta para treinar e simular frotas. E a IDC contou alta de 432% nas entregas de humanoides no primeiro semestre. Um laboratório de modelos abertos entrando nessa disputa aumenta a pressão por modelos de robô também abertos.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: até meados de 2027, a DeepSeek vai se posicionar em IA incorporada como investidora e fornecedora de modelos, sem fabricar robôs. Quem ganha são as startups chinesas de “cérebro” de robô, que passam a ter acesso a capital e a modelos de um laboratório de ponta. Sinais para conferir até o fim do ano. O fechamento da rodada da Winverse, com valor e avaliação confirmados. O primeiro produto ou artigo técnico da empresa, que vai dizer se a leitura do Phoenix Tech sobre aceleração de modelos se sustenta. O fechamento da captação da DeepSeek. E novos investimentos da DeepSeek em empresas de IA incorporada.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #DeepSeek #WinverseAI #IAIncorporada #Robotica #China

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Mecka AI capta US$ 60 milhões com a Sequoia para vender dados de movimento humano a robôs e IDC: humanoides entregues sobem 432% no 1º semestre.

Deixe um comentário

Rolar para cima