
A Meta lançou na segunda, 12 de outubro, o Muse Wonder e o Muse Wonder Full, os modelos mais capazes que já fez, voltados para tarefas de agentes, código e áreas como direito, finanças e saúde. A avaliação independente da Artificial Analysis deu 56 pontos ao Wonder Full no seu índice de inteligência, empatado com o Claude Sonnet 5.5 e atrás só do Claude Opus 5.5, com 58. O Wonder sai pela API da Meta a US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 de saída. O Full fica restrito a assinantes do Muse Code.
Em resumo
- O lançamento: Muse Wonder e Muse Wonder Full, da Meta Superintelligence Labs, anunciados em 12/10/2026 e treinados no data center Prometheus, em Ohio.
- Ranking: no índice v4.3 da Artificial Analysis, o Full marcou 56 e o Wonder 52. O Muse Spark 1.3, seis semanas antes, tinha 48.
- Agentes de código: o Full dentro do Muse Code marcou 68 no índice de agentes de código da Artificial Analysis, empatado com o Claude Code rodando Sonnet 5.5 e à frente do Claude Code com Opus 5.5, com 66.
- Preço e acesso: Wonder a US$ 4 e US$ 20 por milhão de tokens, o mesmo preço do Opus 5.5. O Full só no Muse Code, em planos de US$ 50 e US$ 200 por mês. Nenhum dos dois tem pesos abertos.
- Ponto fraco: conhecimento factual. No teste AA-Omniscience o Full marcou 30, contra 46 do Opus 5.5.
O que a Meta lançou?
São dois modelos da mesma família. O Muse Wonder sai pela Meta Model API, com o nome técnico muse-wonder-1.0, e também no Muse Code, a ferramenta de programação da empresa. O Muse Wonder Full, maior e mais forte, fica só para assinantes do Muse Code. A Meta diz que o Wonder vai rodar também no Muse, o agente pessoal lançado em setembro, primeiro para assinantes.
Os dois aceitam texto, imagem, áudio e vídeo e trabalham com contexto de cerca de 1 milhão de tokens, segundo o VentureBeat e a Artificial Analysis. A Meta destaca duas funções. A Active Memory guarda o que importa entre conversas. A Active Focus mantém o agente no objetivo quando algo trava e pede confirmação antes de ações importantes.
Mark Zuckerberg escreveu no X que o Wonder é “uma classe de modelos muito maior e mais avançada” que o Muse Spark. Alexandr Wang, diretor de IA da Meta, disse à Bloomberg que o modelo se iguala ao ChatGPT e ao Claude em código e em trabalho financeiro e jurídico, segundo o The Next Web. A ação da Meta subiu cerca de 4% à tarde, segundo a Reuters citada pelo Resultsense, e chegou a 4,7% de alta, segundo o The Next Web.
Onde o Muse Wonder fica nos rankings?
A Artificial Analysis, que mede modelos de forma independente, publicou a avaliação no mesmo dia. O Wonder Full ganhou 8 pontos sobre o Muse Spark 1.3, melhorou nas dez provas do índice e ficou entre os três primeiros em seis delas. No GDPval-AA, que mede trabalho de escritório, marcou 1.857 pontos Elo, dentro da margem de erro do Opus 5.5 (1.866).
O argumento de “modelo para agentes” está no índice de agentes de código. O Full, rodando no Muse Code, marcou 68, empatado com o Claude Code usando Sonnet 5.5. O Claude Code com Opus 5.5 fez 66. Na tabela do cartão do modelo, reproduzida pelo VentureBeat, o Full fica à frente do Opus 5.5 e do GPT-6 Astra em código longo (SWE-Marathon, 57,5 contra 46,3 e 42,5) e em direito (Harvey LAB-AA, 13,1 contra 4,2 e 8,6). Perde para os dois no Terminal-Bench e no HealthBench Pro.
O ponto fraco é conhecimento factual. No AA-Omniscience o Full marcou 30, contra 46 do Opus 5.5. A taxa de alucinação do Full caiu de 33% para 23%.
Onde as fontes divergem?
O The Next Web e o Resultsense escreveram que a Meta lançou o modelo sem números de benchmark. Isso vale para o post do Newsroom da Meta, que não traz placar. Os números estão no cartão do modelo, reproduzido pelo VentureBeat e pelo Tech Times, e na avaliação da Artificial Analysis. O VentureBeat avisa que a tabela da Meta mistura testes de terceiros com testes feitos pela própria empresa.
Sobre preço, o TechCrunch escreveu que o Wonder custa mais ou menos o mesmo que o GPT-6 Sol ou o Opus 5.5. Pela tabela do VentureBeat, o Opus 5.5 custa os mesmos US$ 4 e US$ 20, mas o GPT-6 Sol custa a metade. Em custo por tarefa, a Artificial Analysis calculou US$ 4,52 para o Wonder, contra US$ 5,98 do Opus 5.5, US$ 3,26 do GPT-6 Astra e US$ 0,72 do GPT-6.1 Sol. Três quartos do custo do Wonder vêm da entrada, porque o modelo lê muito contexto por tarefa.
Por que o Full não sai pela API?
A Meta não deu preço por token para o Wonder Full. Ele só roda no Muse Code, nos planos de US$ 50 e US$ 200 por mês, segundo o VentureBeat. Para usar o melhor modelo da Meta, o desenvolvedor precisa estar dentro da ferramenta da Meta.
O uso dos dados muda conforme o canal. Pela API, a Meta diz não treinar com o que o cliente envia. As assinaturas do Muse Code vêm no modo Contributor, que permite à Meta usar prompts, código, arquivos e respostas para melhorar os modelos. Dá para desligar, mas só vale para o que for enviado depois. Nenhum dos dois modelos tem pesos abertos, segundo o VentureBeat. O The Next Web lembra que a decisão sobre publicar os pesos define o que a Meta deve pelo AI Act europeu.
Como a Meta chegou até aqui?
Depois do Llama 4, em abril de 2025, a Meta ficou mais de um ano sem novo modelo grande, segundo o Tech Times. Em junho de 2025 pagou US$ 14,3 bilhões por 49% da Scale AI e trouxe Alexandr Wang para comandar a Meta Superintelligence Labs. O Muse Spark saiu em abril de 2026. Em julho, o Muse Spark 1.1 abriu a API paga em prévia só para desenvolvedores dos Estados Unidos, segundo o Olhar Digital. Em setembro veio o agente Muse. O Muse Spark 1.3 saiu cerca de seis semanas antes do Wonder.
A Marcio.AI já mostrou o outro lado desse movimento. Segundo o The Information, a Meta cortou pela metade os usuários internos do Claude Code e passou a empurrar ferramentas próprias, entre elas o Muse Code. A Meta não confirmou. Com o Wonder Full exclusivo do Muse Code, essa troca interna ganha um modelo à altura.
O que muda para empresas e desenvolvedores no Brasil?
As fontes do lançamento não dizem se a Meta Model API está aberta fora dos Estados Unidos. A última informação pública é de julho, quando a prévia era só para desenvolvedores americanos. O agente Muse também começou só nos Estados Unidos, sem data para o Brasil, segundo o Showmetech. Antes de planejar uso, a equipe brasileira precisa confirmar se consegue contratar a API daqui.
Para quem conseguir acesso, o preço por token é o mesmo do Opus 5.5. Quem usa ferramentas de agente de terceiros fica com o Wonder padrão, que marcou 52 no índice. E o modo Contributor do Muse Code vem ligado por padrão. Para empresa sujeita à LGPD ou a sigilo de código de cliente, isso pede revisão jurídica antes de qualquer piloto.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: a Meta vai guardar o modelo mais forte para os próprios produtos, Muse Code e Muse, e vender pela API a versão de segunda linha. Quem ganha é o assinante do Muse Code. Quem perde é a Anthropic dentro da Meta. Até o fim de 2026 dá para conferir quatro sinais. Se a Meta publica preço por token para o Wonder Full. Se sai o relatório completo de segurança, prometido para breve. Se a API passa a aceitar desenvolvedores fora dos Estados Unidos, incluindo o Brasil. E se a Meta decide publicar os pesos.
Fontes
- Meta Newsroom, Apresentando os modelos Muse Wonder e Muse Wonder Full, 12/10/2026
- Artificial Analysis, Muse Wonder and Muse Wonder Full: a material jump in intelligence over previous Meta models, 12/10/2026
- VentureBeat, Meta’s new Muse Wonder and Muse Wonder Full models achieve frontier performance, but only the weaker one is available via API, 12/10/2026
- TechCrunch, Meta releases its first frontier model, Muse Wonder, 12/10/2026
- The Next Web, Meta says its new Muse model has reached the AI frontier, 12/10/2026
- TestingCatalog, Meta launches Muse Wonder and Wonder Full for AI agents, 12/10/2026
- Crypto Briefing, Meta’s Muse Wonder outperforms competitors in key AI benchmarks, 12/10/2026
- Tech Times, Meta Claims Muse Wonder AI Helps the Company to Catch Up to Rivals’ Frontier Models, 13/10/2026
- Resultsense (com Reuters), Meta launches Muse Wonder frontier models for agents, 13/10/2026
- Olhar Digital, Meta libera Muse Spark 1.1 para competir com OpenAI e Anthropic, 09/07/2026
- Showmetech, Meta lança Muse, agente de IA que age por você no WhatsApp, 09/09/2026
Rating Marcio.AI: 5/5 (Global, Totalmente relevante, No centro do hype). Seção DeepTech do Watcher.
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Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
Leia também: Microsoft corta um terço do gasto interno com o Claude e Meta reduz usuários (não confirmado) e Muse: o agente pessoal da Meta que executa tarefas e realiza pagamentos.

