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Mecka AI capta US$ 60 milhões com a Sequoia para vender dados de movimento humano a robôs

Capa do Watcher com o título Mecka AI capta US$ 60 mi para treinar robôs
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Mecka AI, startup de Nova York e Toronto fundada em 2024, anunciou em 7 de outubro de 2026 uma Série B de US$ 60 milhões liderada pela Sequoia. Nvidia, M12, o fundo da Microsoft, Qualcomm Ventures e Samsung entraram como investidores novos. A empresa paga pessoas para gravar tarefas do dia a dia, como passar café ou consertar carro, com sensores no corpo e celular, e vende esses dados a quem treina humanoides e outros robôs.

Em resumo

  • A rodada: US$ 60 milhões em Série B liderada pela Sequoia, com Nvidia, M12, Qualcomm Ventures e Samsung, além de Kindred, Framework e Neo.
  • Avaliação: não foi divulgada. Em setembro o TechCrunch noticiou que a rodada avaliaria a empresa em cerca de US$ 500 milhões.
  • Receita: a Mecka diz ter passado de US$ 100 milhões de receita anualizada em junho e mira US$ 300 milhões até dezembro. Segundo o 36Kr, o número não é auditado.
  • O negócio: coleta vídeo em primeira pessoa e dados de sensores em casas, cozinhas, laboratórios e oficinas, e agora quer também instalar e operar robôs no cliente.
  • Leitura: o gargalo da robótica geral passou do modelo para o dado do mundo físico, e quem coleta esse dado em escala virou alvo do capital de risco.

Quem investiu e quanto a Mecka vale?

A Sequoia liderou a rodada. Os investidores novos são Nvidia, M12, Qualcomm Ventures e Samsung. Kindred Ventures, Framework Ventures e Neo voltaram. Entre as pessoas físicas estão Tony Xu, fundador e CEO do DoorDash, Frank Slootman, ex-CEO da ServiceNow e da Snowflake, e Milan Kovac, que comandou o Optimus na Tesla, segundo o BetaKit e o The AI Insider.

A avaliação não saiu no anúncio. Em 11 de setembro, o TechCrunch noticiou, com base em duas pessoas a par do negócio, que a Sequoia lideraria uma rodada a cerca de US$ 500 milhões. O Dealroom e o Crypto Briefing registram que esse número não está ligado de forma oficial à rodada fechada.

Somando as rodadas, a Mecka captou US$ 128 milhões: US$ 8 milhões de capital semente em agosto de 2025, uma Série A de US$ 60 milhões em duas parcelas, em novembro de 2025 e junho de 2026, liderada pela Framework, e agora a Série B. O BetaKit detalha a Série A como US$ 25 milhões mais uma extensão de US$ 35 milhões. A conta fecha. Só a barra lateral do Dealroom diverge, com US$ 120 milhões no total.

Como a Mecka coleta e vende o dado?

A empresa paga pessoas para gravar o próprio trabalho em casas, cozinhas, laboratórios de química, serralherias e oficinas de couro. Usa hardware de sensores próprio, celulares e modelos de visão computacional para rastrear o movimento, reconstruir a cena em 3D e alinhar os sensores. A Mecka afirma rastrear a posição da mão com erro abaixo de um centímetro fora de laboratório, segundo o The AI Insider. O nome vem de mecha, o robô gigante da ficção controlado por um humano.

O conjunto de dados se chama EgoVerse. A empresa participa de um estudo de transferência de humano para robô com o mesmo nome, ao lado de Georgia Tech, Stanford, UC San Diego, ETH Zurique, MIT e Meta. O site chinês 36Kr afirma que a biblioteca passa de 30 mil horas e que o único cliente pagante verificável é a 1X Technologies. As outras fontes não trazem esses dados. A Mecka fala só em laboratórios de robótica de ponta e em várias empresas do grupo das sete maiores de tecnologia dos EUA.

O passo novo é a camada de implantação. A Mecka quer fornecer o robô, coletar dado no local do cliente, treinar o sistema e operar o conjunto, para empresas que querem robôs e não têm time de robótica. Parte do dinheiro vai para isso, junto com mais hardware de captura e o laboratório de pesquisa. Neste ano a empresa comprou a Docula, pequena startup de Vancouver.

A receita de US$ 100 milhões é real?

Aqui as fontes divergem no tempo verbal. Em setembro, o TechCrunch citou entrevista de Josh Gao, cofundador, à Fortune: no começo de junho, a Mecka projetava chegar a US$ 100 milhões de receita anualizada até o fim de 2026. No anúncio de outubro, BetaKit, The AI Insider e Dealroom registram que a empresa diz ter passado desse valor já em junho e espera US$ 300 milhões até dezembro.

O 36Kr diz que a cifra se baseia em contratos assinados e não é auditada. Receita anualizada é uma projeção a partir de um período curto. O Dealroom chama de ambiciosa a meta de triplicar em seis meses. A empresa tem de 40 a 60 funcionários, segundo o Dealroom e o Crypto Briefing. O Crypto Briefing observa que poucas startups do setor têm receita relevante.

Como chegamos até aqui?

A Mecka foi fundada em 2024 por Josh Gao, Mogen Cheng, Jason Chong e Duy Nguyen. Nenhum tem formação em robótica, segundo o TechCrunch. Gao e Cheng criaram uma fintech para restaurantes, e Chong foi para a Coinbase quando ela comprou a corretora de cripto dele. Três dos quatro são canadenses e a maior parte da equipe fica em Toronto, segundo o BetaKit.

A aposta da empresa é repetir na robótica o que Scale AI, Mercor e Surge fizeram com dados humanos para os modelos de linguagem. A concorrência cresce. A XDOF, que também coleta dado real para robôs, negociava Série B a US$ 1,2 bilhão, segundo o TechCrunch. Scale AI e Micro1 também entraram na robótica. Do lado da demanda, a Marcio.AI mostrou neste mês a Runway com um modelo de mundo que usa vídeo para comandar robôs e a Tesla com US$ 30 bilhões em crédito enquanto o Atlas, da Boston Dynamics, ganha mão nova.

O que isso muda para quem quer usar robôs no Brasil?

O risco técnico é o mesmo para todos. A mão humana e a garra do robô são diferentes, e o Dealroom aponta como questão aberta se o dado humano transfere bem para a máquina. O 36Kr acrescenta que a conversão do movimento humano para o robô perde informação e não captura força.

Para uma empresa brasileira que quer automatizar sem montar time de robótica, o modelo de implantação da Mecka é o ponto de interesse: o fornecedor traz o robô, coleta o dado no próprio chão de fábrica e opera. É o mesmo desenho de robô como serviço, agora com o dado do cliente como insumo. Quem contratar nesse formato precisa definir em contrato de quem é o dado gravado na operação e se ele pode treinar robôs de concorrentes.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: o dado do mundo físico vira mercadoria disputada, e quem só coleta vai perder margem para quem coleta e opera o robô no cliente. Por isso a Mecka já entrou na implantação. Ganha quem tem dado de ambiente real com direito de uso claro. Perde quem depende de um único fabricante de robôs como cliente.

Sinais para conferir até o fim de 2026: se a Mecka nomeia clientes pagantes, se a avaliação de cerca de US$ 500 milhões é confirmada, se a receita anualizada chega aos US$ 300 milhões prometidos, se a XDOF fecha a rodada de US$ 1,2 bilhão e se Tesla, Figure ou 1X passam a comprar dado de terceiros ou mantêm a coleta dentro de casa.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #MeckaAI #Robotica #Humanoides #DadosDeTreino #VentureCapital

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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