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Google fecha 3.590 MW com a Constellation: 890 MW nucleares por 20 anos e 2.700 MW por 15

Capa do Watcher com o título Google fecha 3.590 MW de energia com a Constellation
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

O Google e a Constellation Energy anunciaram em 6 de outubro dois contratos que somam 3.590 MW na PJM, a maior rede elétrica dos Estados Unidos. O primeiro é um contrato de 20 anos para 890 MW novos, que vêm de aumento de potência em 11 reatores nucleares. O segundo é um acordo de fornecimento de 15 anos para 2.700 MW do parque que a Constellation já opera. A geradora vai investir mais de US$ 4,3 bilhões, e a ação chegou a subir 15% no dia.

Em resumo

  • Contrato 1: compra de energia por 20 anos de 890 MW novos, vindos de aumento de potência em 11 reatores de seis usinas em Illinois, Pensilvânia e Nova Jersey. O primeiro entra em 2028.
  • Contrato 2: fornecimento por 15 anos de 2.700 MW do parque que a Constellation já opera na PJM, sem usina específica, segundo a Reuters.
  • Investimento: mais de US$ 4,3 bilhões da Constellation, com cerca de 7.200 vagas na construção e 4.400 empregos mantidos.
  • Mercado: a ação da Constellation chegou a subir 15%, a US$ 309,30. Talen subiu cerca de 11%, Vistra cerca de 10%, Oklo cerca de 8% e NuScale cerca de 5% no pregão.
  • Correção: parte da imprensa tratou os 3.590 MW como um contrato único de 20 anos. O comunicado da Constellation separa os prazos: 20 anos para os 890 MW e 15 anos para os 2.700 MW.

O que o Google contratou?

O comunicado conjunto, datado de 6 de outubro em Baltimore e Mountain View, descreve um contrato de compra de energia de 20 anos para 890 MW de capacidade nuclear nova. A energia sai de investimentos em 11 unidades da Constellation em seis usinas de Illinois, Pensilvânia e Nova Jersey. O primeiro aumento de potência deve entregar energia em 2028. O Google disse que os 890 MW estarão todos em operação até o fim de 2032, segundo a POWER Magazine e a Stocktwits.

O aumento de potência, que o setor chama de uprate, troca turbinas, geradores de vapor e controles digitais para tirar mais energia do mesmo reator. A Canary Media cita duas usinas: Limerick, na Pensilvânia, com 348 MW, e Salem, em Nova Jersey, com 97 MW. As duas empresas também assinaram uma aliança de tecnologia de cinco anos, com o Google Cloud e o Gemini Enterprise dentro da operação da Constellation.

Por que os números variaram na imprensa?

O Business Insider, reproduzido pelo Yahoo Finance, escreveu que o Google vai comprar 3.590 MW por 20 anos. O comunicado da Constellation mostra outra estrutura. São 890 MW novos por 20 anos e um acordo separado de 15 anos para mais 2.700 MW do parque existente. A Reuters acrescenta que esse segundo acordo não está ligado a uma fonte de geração específica e dá à Constellation previsão de receita para as usinas em operação. A POWER Magazine e a Benzinga confirmam os 15 anos.

A soma de 3.590 MW está certa. O prazo único de 20 anos não está. Isso muda a leitura: só cerca de um quarto do total é capacidade nuclear nova, como observou a Reuters. A TIKR argumenta que a parte maior, os 2.700 MW, pode pesar mais no resultado da Constellation do que a nuclear nova. O preço não foi divulgado. A Bloomberg falou em valor de US$ 1 bilhão ou mais, segundo a TIKR.

Como o mercado reagiu?

A ação da Constellation fechou a segunda, 5 de outubro, a US$ 268, segundo a TIKR. Na terça subiu 8,4% no pré-mercado, para US$ 289,98, segundo a Benzinga, e chegou a subir 15% no pregão, com máxima de US$ 309,30, segundo o Business Insider. Mesmo assim, a ação ainda caía cerca de 14% no ano. A alta puxou o setor: Talen subiu cerca de 11%, Vistra cerca de 10%, Oklo e NANO Nuclear cerca de 8% e NuScale cerca de 5%, segundo a Stocktwits.

Como chegamos até aqui?

A PJM, que atende 13 estados, propôs que data centers tragam a própria energia ou aceitem corte remoto nos picos. As empresas dizem que o acordo responde a essa proposta. A rede identificou falta de 6.831 MW depois do último leilão de capacidade. Uma semana antes, a Amazon fechou com a Constellation 20 anos de 690 MW da usina de Calvert Cliffs, em Maryland, incluindo 190 MW de aumento de potência. Somados, os aumentos de Google e Amazon dão 1.080 MW, cerca de 16% da falta, pela conta da Benzinga. Antes disso, a Constellation acertou reativar Three Mile Island para a Microsoft, e o Google contratou a reativação da usina Duane Arnold, da NextEra, em Iowa.

O custo também conta. A Canary Media calcula pouco mais de US$ 4.800 por kW neste programa. É mais caro que solar com bateria ou uma térmica a gás nova, e menos da metade do custo por kW das unidades 3 e 4 da usina de Vogtle, na Geórgia. Julien Dumoulin-Smith, analista da Jefferies, disse à Canary Media que só há de 3 a 5 GW de aumento de potência disponíveis no país inteiro.

O que isso significa para o Brasil?

Para comparar: o Brasil tinha 706 MW de data centers em operação no primeiro semestre de 2026, segundo a JLL, número que a Marcio.AI publicou no post sobre a corrida global por data centers. Só este acordo do Google contrata cerca de cinco vezes essa potência. Os grandes compradores de nuvem passaram a fechar energia firme por 15 a 20 anos antes de construir. Quem planeja data center no Brasil vai disputar com esse tipo de comprador, e a energia contratada de longo prazo vira argumento para atrair a próxima região de nuvem.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: a energia de usinas existentes vai ser o ativo mais disputado pelos grandes de nuvem até 2030, porque o aumento de potência tem teto de 3 a 5 GW nos Estados Unidos e a nuclear nova demora. Quem ganha são as geradoras com parque nuclear grande. Sinais para conferir. Se os 890 MW serão registrados na regra de capacidade própria da PJM, que ainda depende da FERC. Se Microsoft ou Meta fecham acordo parecido com Vistra ou Talen. E se a Constellation detalha o impacto dos 2.700 MW no balanço do terceiro trimestre.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #Google #EnergiaNuclear #DataCenters #InfraestruturaDeIA #Constellation

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Corrida global por data centers chega ao Brasil, que pode dobrar a capacidade até 2030 e Google põe TPUs em órbita.

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