Corrida global por data centers chega ao Brasil, que pode dobrar a capacidade até 2030

Capa do Watcher com o título Brasil pode dobrar data centers até 2030
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A semana de 28 de setembro de 2026 mostrou a corrida por data centers em três continentes ao mesmo tempo. A britânica Virtus fechou 2,45 bilhões de libras em financiamento, a Alibaba Cloud anunciou regiões na Turquia, na Finlândia e na Holanda com meta de 20 GW até 2032, e a SemiAnalysis mostrou que a ByteDance ocupa cerca de um quinto da capacidade entregue na China. No Brasil, o relatório da JLL voltou à pauta com a projeção de que o mercado nacional pode dobrar de tamanho até 2030.

Em resumo

  • Brasil: a JLL projeta que o mercado brasileiro de data centers dobra até 2030, com 660 MW em construção e investimento previsto de cerca de US$ 17,4 bilhões.
  • Europa: a Virtus, do grupo STT GDC, levantou 2,45 bilhões de libras com 13 bancos para crescer no Reino Unido e na Europa.
  • Alibaba: novas regiões na Turquia, Finlândia e Holanda em 12 meses e meta de 20 GW de capacidade de nuvem até 2032.
  • China: a ByteDance ocupa cerca de 20% da capacidade entregue no país, que passa de 24 GW, segundo a SemiAnalysis.
  • O limite: energia, cadeia de suprimentos e atrasos de obra são os riscos citados pela JLL para o Brasil.

Quanto o Brasil pode crescer?

O relatório da JLL sobre data centers no Brasil foi publicado em 14 de agosto e voltou ao noticiário em 29 de setembro, pelo portal Startups. Os números são do primeiro semestre de 2026. O país tinha 706 MW em operação, entregou um recorde de 106 MW no semestre e espera mais 134 MW até dezembro, cerca de 240 MW no ano, com investimento aproximado de US$ 8 bilhões. Há 660 MW em construção, dos quais 56% já estão pré-locados. A taxa de desocupação nacional é de 4%.

Com isso, a JLL projeta que o mercado dobre até 2030, com investimento previsto de cerca de US$ 17,4 bilhões. Além do que está em obra, a consultoria mapeia um pipeline de 4.621 MW. São Paulo e Barueri somam 316 MW em operação e Campinas tem 269 MW, segundo o Startups. O Rio tem 73 MW. Fortaleza é o polo emergente, com 227 MW em construção. Ascenty, Odata e Scala controlam cerca de 70% da capacidade em operação.

Qual é o freio no Brasil?

Energia. Um estudo citado pelo Diario de Pernambuco em 28 de setembro aponta a disponibilidade de energia como um dos principais fatores para instalar data centers na América Latina. A própria JLL lista energia, cadeia de suprimentos e atrasos de obra como riscos ao cronograma. O mesmo jornal registra que o Senado aprovou em setembro o Redata, regime de incentivo fiscal para equipamentos de data center, condicionado ao uso de energia renovável e à eficiência no uso de água.

O que aconteceu lá fora?

Na Europa, a Virtus anunciou em 28 de setembro um financiamento de 2,45 bilhões de libras, cerca de US$ 3,25 bilhões, com 13 bancos liderados por BNP Paribas, Crédit Agricole CIB, Société Générale e Standard Chartered. O pacote inclui uma linha verde de 1,2 bilhão de libras e financia o campus de Saunderton, de 78 MW, e o London19, em Slough. A Virtus pertence à STT GDC, de Singapura, e a Macquarie tem 40% desde 2023.

A Alibaba Cloud anunciou na conferência Apsara, em Hangzhou, regiões novas na Turquia, Finlândia e Holanda nos próximos 12 meses, segundo DatacenterDynamics e eWeek. A Holanda abre primeiro, em outubro. A empresa tem hoje 107 zonas de disponibilidade em 31 regiões, contra 91 zonas em 29 regiões um ano antes, e mira 20 GW de capacidade de nuvem até 2032. Não divulgou capacidade nem investimento por região.

Na China, a SemiAnalysis calcula mais de 24 GW em operação, acima de Europa, Oriente Médio e África somados. A ByteDance ocupa cerca de um quinto dessa capacidade e aluga quase tudo de terceiros, o que faz dela a maior inquilina de colocation do país. O The Next Web destaca que a construção está migrando para o interior, como a Mongólia Interior, onde a energia custa perto da metade do preço das grandes cidades.

Como chegamos até aqui?

Segundo a JLL, o setor brasileiro cresce 15% ao ano em média desde 2012 e multiplicou a capacidade por seis no período. A virada recente veio da IA: a capacidade alugada por hiperescaladores subiu 64% desde 2025, de acordo com o relatório. No fim de setembro, a Marcio.AI noticiou o alerta da KKR sobre o peso da dívida da IA no mercado de crédito, um lembrete de que boa parte dessa expansão global é financiada com dívida, como no caso da Virtus.

O que muda para o Brasil?

A tese é que o Brasil está no mapa da expansão, mas em outra escala. Os 706 MW nacionais equivalem a cerca de 3% dos mais de 24 GW da China. Um único cliente chinês, a ByteDance, ocupa quase sete vezes a capacidade instalada no Brasil. O país compete por uma fatia da demanda regional e por cargas que precisam ficar aqui por regulação, como as do setor financeiro e do governo.

Para empresas brasileiras, desocupação de 4% significa pouca sobra para contratar espaço de última hora. Quem precisa de capacidade de colocation ou de nuvem local para IA em 2027 deve negociar agora, com atenção à origem da energia, que tende a pesar mais com as condições do Redata. Ganham Scala, Ascenty e Odata, além dos estados com energia renovável sobrando, como o Ceará. Perdem projetos que dependem de conexão nova à rede sem data marcada.

O que observar nas próximas semanas

Três sinais. O primeiro é a sanção e a regulamentação do Redata, que definem quanto do incentivo chega aos projetos de 2027. O segundo é se a Alibaba Cloud ou outro provedor chinês anuncia região na América Latina, já que a Alibaba está ampliando presença fora da Ásia. O terceiro é a confirmação da entrega dos 134 MW previstos para o segundo semestre, que a JLL deve atualizar no próximo relatório.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #DataCenters #InfraestruturaDeIA #Brasil #Alibaba #ByteDance

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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