Falta de memória da IA encarece servidores e celulares, e Galaxy S26 sobe até R$ 1.300

Capa do Watcher com o título Memória da IA encarece servidores e celulares
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A falta de memória causada pela corrida da inteligência artificial chegou ao preço final de quase tudo que leva chip. Na semana de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026, a TrendForce previu alta de 121% no preço médio da memória HBM em 2027, a Nvidia subiu o DGX Spark de 128 GB para US$ 6.950 e a Samsung reajustou o Galaxy S26 no Brasil em até R$ 1.300. Os três fatos têm a mesma origem: as fábricas de memória estão desviando capacidade para os chips de IA.

Em resumo

  • HBM mais cara: a TrendForce projeta alta de 121% no preço médio da HBM em 2027, com oferta apertada e mais HBM4 no mix.
  • Menos DRAM comum: a Samsung estima que a HBM vai ocupar quase 30% da capacidade de DRAM do setor em 2027, contra cerca de 20% hoje.
  • Efeito no hardware: o DGX Spark de 128 GB custa agora US$ 6.950, quase 75% acima do preço de lançamento. A Nvidia criou uma versão de 64 GB por US$ 4.999.
  • Efeito no Brasil: o Galaxy S26 subiu de R$ 300 a R$ 1.300 conforme o modelo. O Ultra de 1 TB foi a R$ 16.799.
  • Quem ganha: a Micron ficou a 1 ponto da SK hynix em participação de DRAM no segundo trimestre, segundo a Counterpoint.

Por que a memória ficou escassa?

A HBM, a memória empilhada que fica ao lado das GPUs de IA, sai das mesmas linhas de produção da DRAM comum, usada em PCs, servidores e celulares. Quando a fábrica aloca uma lâmina de silício para HBM, essa lâmina deixa de virar memória comum. Kim Taewoo, vice-presidente executivo da Samsung Electronics, disse em 29 de setembro, segundo a Reuters, que a HBM deve representar quase 30% da capacidade de lâminas de DRAM do setor em 2027, contra cerca de 20% hoje. Ele lembrou que os dois produtos disputam a mesma capacidade.

A TrendForce publicou no mesmo dia a projeção de alta de 121% no preço médio combinado da HBM em 2027. Os motivos citados são a oferta restrita, o peso maior da HBM4, que é mais cara, e a entrada gradual da HBM4e no segundo semestre de 2027. A consultoria diz que o rendimento das novas gerações sobe devagar e que o aperto deve durar até o fim de 2027. Um detalhe mostra a pressão sobre os compradores: fabricantes de GPU e de chips próprios estudam usar pilhas de 8 camadas em vez de 12 para conter custo, mesmo pagando de 10% a 20% a mais por gigabit.

Como o aperto chega ao hardware?

O exemplo mais claro da semana veio da própria Nvidia. O DGX Spark, o computador de mesa da empresa para desenvolvedores de IA, foi lançado por US$ 3.999 em 2025. Em fevereiro de 2026, subiu para US$ 4.699, com a justificativa de oferta global restrita de memória. Em 2 de outubro, o modelo de 128 GB passou a US$ 6.950, quase 75% acima do preço de lançamento, segundo o The Register e o ServeTheHome.

Para manter uma porta de entrada, a Nvidia lançou uma versão de 64 GB por US$ 4.999, vendida por Acer, Asus, Dell, Gigabyte, HP e MSI. Ela mantém a mesma largura de banda de 273 GB/s e a rede ConnectX-7, que permite ligar até quatro unidades. O The Register observa que a versão menor custa 25% mais do que custava o modelo de 128 GB no lançamento. Ou seja, o cliente paga mais e leva metade da memória.

Quanto o Galaxy S26 subiu no Brasil?

Em 1º de outubro, a Samsung atualizou os preços na loja oficial brasileira. O Galaxy S26 de 256 GB foi de R$ 7.499 para R$ 7.799. O S26+ de 256 GB foi de R$ 9.199 para R$ 9.699. O S26 Ultra de 256 GB foi de R$ 11.499 para R$ 11.999. O maior salto foi no Ultra de 1 TB: de R$ 15.499 para R$ 16.799, alta de R$ 1.300, ou cerca de 8,4%, segundo o Tecnoblog e o MobileBit.

O MobileBit registra que a Samsung atribuiu o ajuste à pressão de custos da indústria global, com demanda alta por componentes de infraestrutura de IA, em especial memória. Nos Estados Unidos, o 9to5Google mostrou alta de US$ 100 em toda a linha S26 no mesmo dia, com exceção do S26 FE e dos dobráveis. O Brasil acompanhou o movimento global no mesmo dia, sem defasagem.

Quem ganha com a escassez?

Os fabricantes de memória. A Micron fechou o segundo trimestre de 2026 com cerca de 25% do mercado global de DRAM, a 1 ponto percentual da SK hynix, com 26%, segundo a Counterpoint Research. A Samsung lidera com 39%. É a menor distância entre as duas em 12 anos. A reportagem do Korea Economic Daily de 2 de outubro retomou esse dado, que a Counterpoint havia divulgado em 4 de agosto, como mostram o Herald Corp e o Crypto Briefing. O número tem base, mas é do trimestre de abril a junho, e não um dado novo da semana.

O mesmo levantamento mostra a chinesa CXMT com 7% e crescimento de 716% em um ano. Antes do balanço da Micron, a Invezz citou dados da FactSet que colocavam a empresa em terceiro lugar entre as maiores contribuições para o crescimento de lucro do S&P 500, com chance de chegar ao primeiro lugar. A Micron reportou em 30 de setembro receita de US$ 54,2 bilhões no trimestre, como a Marcio.AI publicou em Micron fatura US$ 54,2 bilhões no trimestre.

O que muda para empresas brasileiras?

Quem compra servidores, notebooks e celulares corporativos no Brasil vai sentir o aperto no próximo ciclo de compras. O preço de memória entra no custo de cada equipamento e chega aqui pelo dólar e pela política global de preço dos fabricantes, como o caso do Galaxy S26 mostrou. Times de TI que planejam renovar parque ou montar laboratório de IA local em 2027 fazem melhor se fecharem cotação com validade longa agora. Também vale revisar configurações: a diferença entre 64 GB e 128 GB de memória ficou cara.

A tese é simples. Enquanto a HBM ganhar espaço nas fábricas, a DRAM comum fica mais escassa e cara. Ganham Micron, SK hynix e Samsung. Perdem fabricantes de PCs e celulares, que precisam escolher entre repassar o custo ou cortar margem, e quem compra hardware em 2027.

O que observar nas próximas semanas

Três sinais vão mostrar se o aperto se aprofunda. O primeiro são os balanços do terceiro trimestre de Samsung e SK hynix, em outubro, com as falas sobre alocação de lâminas para HBM. O segundo é se Apple, Xiaomi e Motorola repetem o reajuste da Samsung em celulares no Brasil até o fim do ano. O terceiro são os preços de contrato de DRAM para o quarto trimestre, que a TrendForce costuma divulgar no início de cada trimestre.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Micron fatura US$ 54,2 bilhões no trimestre e Nvidia procura seguradoras para empréstimos com GPUs.

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