Manus 2.0 traz agentes pessoais sempre ligados, com telefone, e-mail e carteira

Capa do Watcher com o título Manus dá telefone e carteira aos agentes
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A startup Manus lançou na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, o Manus 2.0 e um aplicativo novo, o Cue, em que cada agente pessoal ganha e-mail, número de telefone e carteira próprios, com limite de gasto definido pelo usuário. É a primeira grande entrega da empresa desde que Pequim derrubou a compra pela Meta, e chega na mesma semana dos dots da OpenAI.

Em resumo

  • O que é: Manus 2.0, nova versão do agente de uso geral, e Cue, um app separado para criar agentes pessoais que agem em nome do usuário.
  • O que o agente recebe: e-mail, telefone, carteira com orçamento, computador próprio na nuvem e capacidade de atender ligações e mandar resumo.
  • Eficiência declarada: a Manus diz que a nova base, chamada Cascade, usa 23,2% menos tokens, leva 28,2% menos tempo e custa 32% menos. Ninguém verificou esses números de fora.
  • Acesso: Manus 2.0 já está na web, no desktop e no celular. O Cue está em acesso antecipado gratuito, por convite, com a versão para iPhone em análise na App Store.
  • O que falta: preço do Cue depois do acesso antecipado e os países em que os números de telefone funcionam.

O que a Manus lançou?

O anúncio tem duas partes. A primeira é o Manus 2.0, que roda sobre um novo sistema de orquestração de agentes chamado Cascade. Junto com ele vêm três recursos. O Cloud Computer é um ambiente de servidor que fica ligado o tempo todo, para projetos que precisam continuar rodando. As Automations disparam tarefas a partir de eventos, como um e-mail que chega, uma reunião no calendário, uma mensagem no Slack ou uma alteração no Notion. Antes, só havia tarefas agendadas por horário. E o controle remoto permite comandar o computador do usuário pelo celular, por voz.

O aplicativo de desktop virou o Manus Studio, com editor de vídeo para peças de 30 a 60 segundos (anúncio de produto, tutorial, conteúdo de criador) e um ambiente para criar jogos, inclusive multijogador, hospedados no Cloud Computer.

A segunda parte é o Cue. Nele, o usuário cria agentes pessoais que têm identidade própria na rede: endereço de e-mail, número de telefone e carteira. O agente pode mandar mensagem, pagar dentro do orçamento definido pelo dono, atender ligação e devolver um resumo da conversa. Vários agentes podem trabalhar em grupo num mesmo objetivo. O blog da Manus cita casos de uso como pedir comida em restaurante por QR code e entrar em fila de atendimento.

Os números da Manus se sustentam?

Os ganhos do Cascade vêm só da empresa. O Implicator observou que a Manus não explicou como fez o teste e que os percentuais valem para uma configuração específica. Até aqui, nenhum teste independente confirmou a redução de 32% no custo.

Há também uma diferença de data entre as reportagens. The Next Web e The Decoder registram o lançamento em 29 de setembro. O blog oficial da Manus e a cobertura brasileira de InvestNews e Investing.com datam o anúncio de 28 de setembro, que é a data usada aqui.

O Implicator lembrou ainda um alerta de segurança recente: a Salt Labs divulgou em 24 de setembro uma falha de injeção de instruções por e-mail que permitia executar código no ambiente da vítima. Para um produto que dá e-mail e carteira a cada agente, esse é o ponto de atenção.

Como chegamos até aqui?

A Meta anunciou a compra da Manus no fim de 2025, num negócio de US$ 2 bilhões. Em abril de 2026, o governo chinês vetou a operação. Segundo o 36Kr, a Meta concluiu a separação de dados e operações em junho, e um grupo liderado pela Tencent, com Sequoia China e ZhenFund, armou a recompra da participação pelos mesmos US$ 2 bilhões. O mesmo 36Kr afirma que, nos seis meses sob a Meta, a receita anualizada da Manus passou de US$ 100 milhões para algo entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões.

A empresa hoje tem sede em Singapura e, segundo o InvestNews, monta equipes para o mercado chinês e negocia com fabricantes locais de modelos de IA. O Implicator relata que a Tencent virou a maior investidora externa e que a Manus discute uma rodada de US$ 500 milhões com avaliação de US$ 4 bilhões, ainda não fechada.

Enquanto isso, a Meta seguiu com produto próprio. Lançou o Muse em 8 de setembro, que também dá a cada usuário um computador na nuvem. A Marcio.AI cobriu o tema em Muse: o agente pessoal da Meta que executa tarefas e realiza pagamentos.

O que muda para o mercado?

Em uma semana, três empresas lançaram agentes que ficam ligados e agem sem pedido novo. A OpenAI lançou os dots em 29 de setembro, como mostramos em OpenAI lança os dots. A Perplexity colocou automações no Computer no mesmo dia. A Manus foi um passo além nos meios de ação: telefone e carteira dão ao agente uma identidade que fala com o mundo fora da tela.

A tese deste texto é simples. A disputa em agentes pessoais passou a ser sobre quem controla a identidade e o dinheiro do agente. Quem dá número, e-mail e carteira passa a responder por fraude, estorno e abuso de telefonia. A Manus chega primeiro com os três juntos, mas sem regras públicas de responsabilidade, sem preço e sem lista de países.

E no Brasil?

O Manus 2.0 já pode ser usado por aqui, pela web e pelos aplicativos. O Cue é outra história. A Manus não informou em quais países os números de telefone funcionam nem como a carteira se conecta a meios de pagamento locais. Sem integração com Pix ou com cartões emitidos no país, o agente brasileiro fica com e-mail e computador, mas sem as duas peças que tornam o Cue diferente.

Para empresas brasileiras, o recado é de governança. Um agente com carteira e telefone próprios é um novo tipo de identidade dentro da operação. Antes de liberar algo assim, a TI precisa saber quem aprova o orçamento, onde ficam os registros das ligações e como o agente é tratado pelas regras de prevenção a fraude. O tema já apareceu no Febraban Tech 2026, na discussão sobre quem responde quando o agente erra.

O que observar nas próximas semanas

Quatro sinais, até o fim de outubro. O primeiro é a aprovação do Cue na App Store e o fim do acesso por convite. O segundo é a tabela de preços do Cue e do Cloud Computer. O terceiro é a lista de países com número de telefone e de meios de pagamento aceitos pela carteira. O quarto é o fechamento, ou não, da rodada de US$ 500 milhões citada pelo Implicator, que mostra se a Tencent vai bancar a Manus fora da China.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção DeepTech do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: OpenAI lança os dots: agentes que trabalham 24 horas no ChatGPT e Assistentes pessoais de IA: categoria nova ou o ápice dos agentes?

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