O comércio agêntico deixou de ser conceito no Febraban Tech 2026. A primeira transação feita por um agente já aconteceu, com a Visa em parceria com o Banco do Brasil e o Santander América Latina. A pergunta mudou de figura. Não é mais se a máquina vai pagar, é quem decide a compra.
Marcos Cavagnoli, do Bradesco, resumiu a mudança dizendo que ninguém acorda querendo fazer um Pix. O pagamento vira meio. E cravou o limite, que é ficar cada vez mais invisível sem ficar menos confiável.
Edson Santos, da Colink Advisory, deu nome à nova disputa. Ela deixa de ser por share of wallet e passa a ser por share of decision. Quem decide a compra deixa de ser só a pessoa e passa a ser o agente que ela autorizou. Ele também apontou um trecho do projeto de lei de IA aprovado no Senado que, na avaliação dele, trava o pagamento agêntico no Brasil.
Os dois bancos presentes rejeitaram a ideia de que a marca some junto com o pagamento invisível. Gustavo Santos, do Santander, chamou isso de erro estratégico gigantesco e lembrou que o Brasil é a indústria de pagamentos mais avançada entre os 27 países onde o banco opera.
No Open Finance, os números marcam a virada de fase. Em 31 de julho de 2026 eram 208,79 milhões de consentimentos ativos, e o sistema registrou 7,14 bilhões de chamadas de API em um único dia de agosto. O Banco Central diz que a etapa de infraestrutura acabou e a de governança começou.
E o B2B apareceu como próxima fronteira. Cartões empresariais movimentaram R$ 409,5 bilhões em 2025, enquanto os boletos ainda concentram R$ 2,5 trilhões.
O relatório completo traz as falas na íntegra, o atrito sobre modelos de parceria fora do ambiente regulado e a leitura de quem trabalha com sistemas de pagamento sobre o que essa disputa exige de arquitetura.
