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Forrester: IA terá 20% do gasto de tecnologia em 2027, e mais da metade dos CIOs errará a meta

Capa do Watcher com o título Forrester: IA leva 20% do gasto de TI em 2027
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

A Forrester publicou em 21 de outubro de 2026 suas previsões de tecnologia e segurança para 2027. A principal é de orçamento: a IA vai ficar com 20% de todo o gasto das empresas com tecnologia no ano que vem. A cobrança vem junto. Segundo o The Register, que leu o relatório, mais da metade dos CIOs deve errar a meta de retorno da IA em 2027, e só 22% dos decisores de IA viram efeito positivo no Ebitda nos últimos 12 meses.

Em resumo

  • A previsão: um em cada cinco dólares do gasto de tecnologia das empresas vai para IA em 2027. O gasto global de tecnologia deve chegar a US$ 6,1 trilhões.
  • Retorno: 45% dos decisores de IA precisam de retorno positivo em até um ano, mas só 22% viram efeito no Ebitda em 12 meses. Mais da metade dos CIOs deve errar a meta.
  • Modelos abertos: devem responder por metade dos tokens das empresas e só 5% do gasto, segundo o relato do The Register.
  • Orçamento real: só 53% dos líderes de tecnologia esperam que o orçamento de 2027 supere a inflação.
  • Fornecedores: um quarto das concorrências de infraestrutura de IA vai exigir opção de acelerador fora da Nvidia.

O que a Forrester prevê para 2027?

O número do título está no comunicado e no blog de abertura das previsões, assinado por Brian Hopkins, vice-presidente da Forrester: um em cada cinco dólares do gasto de tecnologia das empresas vai para IA. Para a consultoria, o gasto global com tecnologia deve chegar a US$ 6,1 trilhões em 2027. Sharyn Leaver, diretora de pesquisa, disse que a IA “vai comandar uma fatia inédita dos orçamentos de tecnologia em 2027”, o que aumenta a pressão para provar valor.

O dinheiro novo não significa folga. Hopkins escreve que só 53% dos líderes de tecnologia esperam que o orçamento do próximo ano cresça acima da inflação. Quase metade vai perder poder de compra em termos reais e, mesmo assim, aumentar a parte da IA. O comunicado não traz o tamanho da amostra nem as datas das pesquisas usadas. O The Register também não informa.

Por que o retorno deve ficar abaixo da meta?

Os números de retorno vêm do relato do The Register, que cita a pesquisa State of AI Survey 2026 da Forrester. Entre os decisores de IA, 45% precisam ver retorno positivo em até um ano para considerar o investimento um sucesso. Só 22% viram efeito positivo da IA no Ebitda nos últimos 12 meses. A previsão da Forrester é que mais da metade dos CIOs vai errar a meta de retorno da IA em 2027.

A explicação da consultoria é organizacional. O relatório, segundo o The Register, diz que estruturas, processos e formas de trabalho precisam mudar para a IA dar resultado na empresa toda, e fala num descompasso entre o investimento em tecnologia e o investimento em mudança. Outro blog da Forrester, de Angelina Gennis, mostra o mesmo descompasso: 66% das organizações já usam IA embutida em aplicativos de produtividade, e só 32% dizem que ela melhorou a produtividade, segundo a State of AI Survey 2026.

O efeito aparece também no marketing. Em comunicado separado do mesmo dia, a Forrester prevê que o custo crescente da IA, cobrada por uso, vai levar líderes de marketing B2C a cortar cerca de um terço das iniciativas de IA em 2027.

O que muda com os modelos abertos?

Segundo o The Register, a Forrester prevê que modelos de pesos abertos vão responder por metade dos tokens das empresas em 2027 e só 5% do gasto. A consultoria diz que modelos como Gemma, Llama e Qwen já são “bons o bastante” para as cargas que geram mais volume. Os modelos de fronteira ficariam para as poucas automações em que um erro sai caro.

Um dado de mercado ajuda a calibrar a previsão, com base diferente. Na semana anterior, o próprio The Register publicou o índice de produção do AI Gateway da Vercel. Lá, modelos abertos já passavam por 71,5% dos tokens, e a fatia deles no gasto subiu de cerca de um dólar em 20 em junho para quase um em quatro em setembro. A Vercel mede só o tráfego do próprio gateway, sem o acesso direto aos fornecedores nem o uso em servidor próprio. A Forrester projeta o gasto corporativo como um todo. As duas leituras apontam a mesma direção: o volume migra para modelos abertos antes do dinheiro.

A mesma busca por custo menor aparece no hardware. A Forrester prevê que 25% das concorrências de infraestrutura de IA vão exigir opção de acelerador fora da Nvidia, ao lado da Nvidia, por custo, cadeia de suprimentos e soberania.

Como chegamos até aqui?

Em outubro de 2025, nas previsões para 2026, a Forrester disse que as empresas iam adiar para 2027 um quarto do gasto planejado com IA, porque os diretores financeiros passariam a aprovar projetos pelo retorno. Disse também que menos de um terço dos decisores conseguia ligar a IA ao crescimento financeiro da empresa. A Baguete resumiu a previsão como “empresas vão empurrar IA com a barriga”. Em julho de 2026, os guias de orçamento da Forrester, com mais de 2.600 decisores, mostraram 82% dos líderes de tecnologia esperando orçamento maior em 2027. Leaver avisou na época que gastar mais com IA não garante desempenho melhor em 2027. O gasto adiado voltou ao orçamento, agora com cobrança de retorno em até um ano para quase metade dos decisores.

O que isso significa para empresas brasileiras?

No Brasil o apetite é parecido. Estudo da ABES divulgado em agosto, com 107 decisores de TI de empresas com mais de 100 funcionários, mostrou que 95% já usam IA e 86% vão ampliar o orçamento de TI em 2026. Entre elas, 69% já saíram da fase de testes com IA generativa e têm investimento estruturado para os 18 meses seguintes. O mesmo estudo cita projeção da IDC de crescimento médio de 12,3% ao ano no mercado brasileiro de TI corporativa entre 2024 e 2028.

Se o padrão da Forrester valer aqui, a cobrança por retorno chega em 2027 junto com a fatura. Para quem compra em dólar, a previsão sobre modelos abertos tem efeito direto: rodar a maior parte do volume em modelos abertos, em nuvem local ou em servidor próprio, pode reduzir a conta por token paga em dólar aos fornecedores fechados.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: em 2027, a empresa que provar retorno da IA será a que mudar processo e papel das pessoas antes de ampliar o gasto. Quem só aumentar a fatia da IA no orçamento vai engrossar a metade que erra a meta. Três sinais para conferir. Os balanços de fim de ano dos grandes fornecedores de software, que vão mostrar se o cliente corporativo já corta projetos sem retorno. A evolução da fatia dos modelos abertos no gasto em índices públicos, como o da Vercel. E o webinar da Forrester sobre as previsões, marcado para 10 de dezembro, que pode trazer a base das pesquisas que o comunicado não informou. O post irmão sobre a pesquisa do Gartner com CIOs, publicado no mesmo lote, mostra a régua de valor do outro lado.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #Forrester #OrcamentoDeTI #RetornoDaIA #ModelosAbertos #CIO

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


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