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2026 bate recorde com 42 novas empresas avaliadas em US$ 10 bilhões, puxado pela IA

Capa do Watcher com o título Recorde de 42 novas decacornas em 2026
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Faltando três meses para o fim do ano, 2026 já tem 42 novas decacornas, empresas de capital fechado avaliadas em US$ 10 bilhões ou mais, segundo levantamento publicado pela Axios em 9 de outubro. O número supera o recorde de 34 de 2021. Com dados da PitchBook, a Axios mostra também que o caminho ficou mais curto: em 2025, as empresas levaram em média 5,5 anos para chegar aos US$ 10 bilhões, contra 9,4 anos em 2020.

Em resumo

  • Recorde: 42 novas decacornas no mundo até o início de outubro, contra 34 em 2021 e 14 em 2020, segundo a Axios.
  • Velocidade: 5,5 anos em média até os US$ 10 bilhões em 2025, contra 9,4 anos em 2020, pela PitchBook. Das 20 empresas mais rápidas a chegar lá, 17 o fizeram em 2025 ou 2026.
  • EUA: a PitchBook contava 19 novas decacornas americanas até julho, acima das 18 de 2025 inteiro. A IA ficou com 86% do capital de risco americano no semestre.
  • Brasil: o Nubank segue como a única decacorna da história da América Latina, segundo o Startups, e nenhuma startup da região cruzou os US$ 10 bilhões em 2026.
  • Leitura: o dinheiro está concentrado em poucas empresas de IA, e o teste de preço chega em novembro, com o IPO da Anthropic.

O que a Axios contou?

A repórter Lucinda Shen chamou 2026 de “era de ouro das decacornas”. Com três meses pela frente, o ano tem 42 empresas que passaram dos US$ 10 bilhões de avaliação, contra 34 em 2021 e 14 em 2020. Das 20 empresas que chegaram mais rápido a esse patamar, 17 o fizeram em 2025 ou 2026, cada uma em cerca de três anos ou menos.

A comparação com os unicórnios mostra o tamanho da mudança. Em 2020, uma empresa levava em média 8 anos para valer US$ 1 bilhão. Em 2025, levou 5,5 anos para valer dez vezes isso, pelos dados da PitchBook citados pela Axios.

A lista também tem empresas antigas. A idade média das novas decacornas de 2026 subiu para 7,1 anos, porque 16 delas foram fundadas há mais de oito anos. Entram aí Cerebras, Shield AI e Airwallex (2015), SambaNova e Fluidstack (2017), NinjaOne (2013) e Whoop (2012).

Quem está entrando na lista agora?

Duas rodadas em andamento mostram o ritmo. A Modal Labs, fundada em 2021 em Nova York, está perto de captar cerca de US$ 750 milhões, com liderança da Accel, a US$ 15,75 bilhões de avaliação, segundo o The AI Insider, que cita uma fonte a par do negócio. Quatro meses antes, a empresa valia US$ 4,65 bilhões. A Modal vende infraestrutura de inferência e passou de US$ 300 milhões de receita anualizada em maio. A empresa não comentou.

O caso mais extremo é a Discovery Loop, fundada em agosto por Jeff Dean, ex-cientista-chefe do Google, com Sanjay Ghemawat, Quoc Le e Oriol Vinyals. A empresa buscava US$ 10 bilhões de avaliação logo de saída. Em setembro, o Business Insider informou que a meta subiu para cerca de US$ 50 bilhões, segundo o AI Weekly. Se a rodada fechar, a Discovery Loop pode virar a decacorna mais rápida da história, diz a Axios.

No Watcher, a Instinct já tinha mostrado esse ritmo: chegou aos US$ 10 bilhões cinco meses depois de fundada, com rodada de US$ 1 bilhão no fim de setembro.

Os números de PitchBook e Crunchbase batem com os da Axios?

Batem, desde que se leia o recorte de cada um. A PitchBook mede só os EUA. Em julho, contava 19 novas decacornas americanas no ano, acima das 18 de 2025 inteiro, com o recorde americano de 22, de 2021, à vista. Os EUA tinham 63 decacornas ativas, contra 53 um ano antes e 26 em 2021. As 22 americanas de 2021 cabem dentro das 34 globais que a Axios usa como recorde.

A Crunchbase mede outra coisa. Em agosto, contou 195 novos unicórnios no primeiro semestre, acima dos 193 de 2025 inteiro. Só quatro deles entraram na lista já valendo US$ 10 bilhões ou mais, como a DeepSeek, avaliada em US$ 50 bilhões na primeira rodada externa. Essa conta cobre só quem estreou como unicórnio acima do patamar. A da Axios inclui também empresas antigas que cruzaram os US$ 10 bilhões em 2026, como a Cerebras.

O dado que explica o recorde é a concentração. No primeiro semestre, 87,5% dos US$ 412,7 bilhões investidos em startups americanas foram para rodadas de US$ 100 milhões ou mais. A IA ficou com US$ 355,9 bilhões, 86% do total, segundo a PitchBook.

E o Brasil nessa conta?

Fica de fora. Segundo o Startups, que usou dados da PitchBook em julho, o Nubank segue como a única decacorna da história da América Latina, título que conquistou em 2019, antes do IPO. A mexicana Kavak captou US$ 300 milhões em fevereiro e continuou avaliada em US$ 8,7 bilhões, o mesmo nível de 2021. Nenhuma startup da região cruzou os US$ 10 bilhões em 2026. Na conta da Crunchbase, a América Latina teve um único novo unicórnio no primeiro semestre, contra 115 da América do Norte e 50 da Ásia.

Para quem empreende ou investe no Brasil, o efeito chega pelo preço dos insumos. O capital de risco global está concentrado em poucas empresas de IA nos EUA e na China, e isso encarece a disputa por talento e por capacidade de computação. Para quem compra tecnologia, o recado é olhar a saúde do fornecedor antes de assinar contrato longo. Parte das decacornas novas ainda não tem receita compatível com a avaliação, como a própria Axios aponta.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: 2026 fecha acima de 45 novas decacornas, mas o ritmo do fim do ano depende de novembro. O IPO da Anthropic, previsto para meados do mês, é o teste de preço para toda a turma. Se a estreia for bem, as rodadas de Modal e Discovery Loop fecham nos valores pedidos e a contagem sobe. Se for mal, as avaliações privadas perdem a referência pública e as rodadas grandes atrasam.

Sinais para conferir até o fim de dezembro: o fechamento da rodada da Modal a US$ 15,75 bilhões, a avaliação final da Discovery Loop, a estreia da Anthropic na bolsa e novos adiamentos de IPO, depois dos casos da Oura e da Holtec citados pela Axios.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.

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Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Instinct capta US$ 1 bilhão e vale US$ 10 bilhões cinco meses depois de fundada e Broadcom vai emprestar US$ 42 bi à Anthropic, que mira IPO em meados de novembro.

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