A Marcio.AI cobre o AI Brasil Experience, 28 e 29 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

CoberturaIngressos

Gartner: receita da quântica passa de US$ 1 bi em 2027 e metade das startups fecha até 2030

Capa do Watcher com o título Gartner: metade das startups quânticas fecha até 2030
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Na quinta, 8 de outubro, o Gartner previu que mais da metade das startups de computação quântica vai fechar até 2030. A consultoria estima a receita mundial do setor em US$ 869,9 milhões em 2026, alta de 22,9% sobre 2025, e em US$ 1,1 bilhão em 2027. O mercado tem entre 200 e 300 startups, segundo o The Register. No mesmo dia, duas delas anunciaram rodadas que somam mais de US$ 575 milhões.

Em resumo

  • Receita: US$ 869,9 milhões em 2026, alta de 22,9%, e US$ 1,1 bilhão em 2027, segundo o Gartner.
  • Startups: entre 200 e 300 empresas. Mais da metade deve fechar até 2030 por falta de receita comercial.
  • Filtro técnico: o mercado vai rejeitar tipos de qubit que não chegarem à computação quântica tolerante a falhas.
  • Clientes: o setor público lidera até 2027. Em 2028, bancos, financeiras e seguradoras passam à frente, com US$ 289 milhões contra US$ 280 milhões.
  • Leitura: o dinheiro de risco se concentra em poucas apostas. Só a Oratomic já captou US$ 775 milhões, perto da receita mundial do setor em 2026.

O que o Gartner prevê?

A previsão saiu em comunicado do Gartner em Stamford, nos Estados Unidos. A receita mundial de computação quântica deve somar US$ 869,9 milhões em 2026, 22,9% acima de 2025, e chegar a US$ 1,1 bilhão em 2027. O estudo completo, restrito a clientes, tem no título uma oportunidade de US$ 2,3 bilhões à medida que o gasto das empresas cresce.

Para o Gartner, o mercado está lotado para a receita que tem. Mais de 50% das startups devem fechar até 2030, e a consultoria espera consolidação até lá. O critério de corte é técnico. Os clientes devem rejeitar as modalidades de qubit que não chegarem à computação quântica tolerante a falhas, a FTQC, que calcula com confiança mesmo com erro no hardware. O The Register estima entre 200 e 300 startups no setor e lembra que muitas vivem de capital semente, que pode acabar se o investidor perder a confiança.

Gaurav Gupta, vice-presidente analista do Gartner, diz que a fase inicial da vantagem quântica chegou e que os avanços em algoritmos, velocidade de porta lógica e escala vieram antes do esperado. A recomendação dele a CIOs é tratar a jornada quântica como um projeto de vários anos.

Quem vai gastar com quântica?

Até 2027, o setor público lidera o gasto, com US$ 219 milhões em 2026 e US$ 245 milhões em 2027. O Gartner atribui isso à busca dos países por liderança técnica. Em 2028, bancos, financeiras e seguradoras passam à frente, com US$ 289 milhões contra US$ 280 milhões do governo, e ficam na liderança até 2030. Os usos citados são otimização de carteira, modelagem de risco e detecção de fraude.

Os números batem em quatro publicações: o comunicado do Gartner, o The Register, o IT Brief e o alemão it-daily. A única diferença é de redação. O IT Brief fala em receita acima de US$ 1 bilhão no resumo da página e em US$ 1,1 bilhão no texto.

Se metade vai fechar, por que o dinheiro continua entrando?

No mesmo 8 de outubro, a Oratomic, de Pasadena, anunciou uma série B de US$ 475 milhões. Segundo o Wall Street Journal, citado pelo The Next Web, a rodada avalia a empresa em US$ 5,4 bilhões, contra US$ 1,5 bilhão na série A de US$ 300 milhões, fechada três meses antes. O comunicado da empresa fala em US$ 775 milhões captados desde o lançamento, em março de 2026, e não informa avaliação. A Oratomic trabalha com átomos neutros e diz se dedicar só à computação tolerante a falhas.

No Reino Unido, a Universal Quantum, nascida na Universidade de Sussex, levantou mais de US$ 100 milhões em série A liderada por DCVC e Firgun Ventures, segundo o Tech.eu. A empresa diz que é a maior série A de uma empresa quântica com sede britânica. Ela usa íons presos em chip fabricado em linha comercial de 200 mm.

A conta ajuda a ler a previsão. Só a Oratomic levantou US$ 775 milhões, perto dos US$ 869,9 milhões que o setor inteiro deve faturar no ano. O capital continua entrando, mas vai para quem convence o investidor de que chega à tolerância a falhas. As startups que não convencem dependem de semente, e é delas que o Gartner fala.

Como chegamos até aqui?

Em 30 de setembro, o Departamento de Energia dos Estados Unidos abriu uma disputa de US$ 215 milhões por um computador quântico com correção de erro até 2028, como a Marcio.AI mostrou. O The Register lembra que até dez participantes vão competir. Na mesma semana, o portal registrou a Infleqtion integrando a correção de erro da Riverlane e a Quobly ganhando acesso à linha piloto de 300 mm do CEA-Leti. O governo financia a corrida pela tolerância a falhas, e os fornecedores de correção de erro, criogenia e fábrica atendem várias plataformas ao mesmo tempo.

A consolidação já começou. A IonQ comprou a Lightsynq e a Oxford Ionics, segundo o Quantum Computing Report, e usa essa base no resultado de interconexão que a Marcio.AI publica hoje em post separado. Na Coreia do Sul, a Korea Quantum Computing planeja chegar à Nasdaq pela fusão com a empresa de aquisição Charlton Aria, com valor de participação de US$ 80 milhões, segundo o The Next Web.

O que muda para bancos e empresas no Brasil?

A virada de 2028 aponta para o setor financeiro. No Brasil, o Itaú ampliou o time de computação quântica, como a Marcio.AI registrou na cobertura do Febraban Tech 2026. Lá fora, o BBVA testa otimização de carteira e detecção de fraude no simulador da D-Wave, os mesmos usos que o Gartner lista para o setor.

Para quem compra, a previsão traz risco de fornecedor. Um banco que fizer piloto com startup quântica em 2026 pode ver o parceiro fechar antes de 2030. Na contratação, a pergunta a fazer é qual o caminho da empresa até a tolerância a falhas, com que dinheiro e em que prazo. Cláusula de saída e portabilidade do código para outra plataforma pesam mais do que número de qubits na apresentação. A orientação do Gartner cabe no orçamento de TI: começar por capacitação e casos de uso, sem contrato longo com fornecedor único.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: até 2030, o mercado quântico fica com poucas empresas de hardware tolerante a falhas e com fornecedores de componentes que atendem a todas. Ganham as startups com rodada grande e caminho técnico claro, como Oratomic e Universal Quantum, e os compradores que exigirem plano de continuidade. Perdem as empresas de qubit sem rota para a tolerância a falhas e quem contratou olhando só o número de qubits.

Sinais para conferir até dezembro de 2026: o que o Gartner disser sobre quântica no IT Symposium de Orlando, de 19 a 22 de outubro, a lista de selecionados na disputa do Departamento de Energia, novas fusões e listagens por empresa de aquisição como a da Korea Quantum Computing e a confirmação, pela Oratomic, da avaliação de US$ 5,4 bilhões noticiada pelo WSJ.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.

#MarcioAI #ComputacaoQuantica #Gartner #Startups #VentureCapital #Bancos

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: EUA lançam disputa de US$ 215 milhões por computador quântico com correção de erro até 2028 e Quântica avança em correção de erro, fábrica e hardware fotônico, até em órbita.

Deixe um comentário

Rolar para cima