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Anthropic abre o Mythos 5.1 a defensores verificados em três níveis de acesso

Capa do Watcher com o título Anthropic abre o Mythos 5.1 a defensores
Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI.

Na terça, 6 de outubro, a Anthropic ampliou o Cyber Verification Program, que libera capacidades avançadas de cibersegurança do Claude para profissionais verificados. O programa absorveu o Project Glasswing e ganhou três níveis de acesso: defesa, red team e especializado. Os três incluem Claude Opus 5.5, Sonnet 5.5 e Claude Mythos 5.1. A empresa também informou que parceiros do Glasswing acharam pelo menos 129 mil vulnerabilidades verificadas entre abril e julho de 2026.

Em resumo

  • Defesa: centro de operações, resposta a incidentes, engenharia reversa de malware e validação de vulnerabilidades. Aberto a empresas, hospitais, prefeituras, mantenedores de código aberto e pesquisadores com histórico.
  • Red team: soma teste de invasão autorizado, só para organizações. Ransomware e dano físico seguem bloqueados em tempo real.
  • Especializado: menos bloqueios, para testar redes elétricas, sistemas de voo, telecom e transferência interbancária. Cada organização é avaliada junto com o governo dos EUA.
  • Glasswing: 129 mil vulnerabilidades achadas por parceiros e mais 5,5 mil pela varredura da própria Anthropic. Mais de 33 mil são críticas ou altas.
  • Condição: quem entra aceita retenção de dados para monitorar abuso, até sair o serviço Enterprise Frontier Safeguards, previsto para este outono no hemisfério norte.

O que muda no programa?

Até agora havia dois caminhos. O Glasswing dava a um grupo de organizações que protegem software crítico acesso ao Mythos, a família de modelos da Anthropic mais capaz em cibersegurança. O CVP original, que existia havia seis meses segundo a Reuters, reduzia as travas do Opus e do Sonnet para equipes de segurança verificadas. Os dois viraram um programa só.

Os modelos abertos ao público seguem com travas conservadoras, que bloqueiam a maior parte do trabalho de ataque. Ainda servem para revisão de código, correção de falhas conhecidas, busca de vulnerabilidades no próprio código e triagem de alertas. A Anthropic diz que trabalha para reduzir falsos positivos que atrapalham a programação segura, segundo o CSO Online.

A análise de pedidos de defesa deve sair em poucos dias. A de red team leva algumas semanas, e a organização entra no nível de defesa enquanto espera. Membros atuais do Glasswing passam ao nível especializado sem nova aprovação para os modelos atuais. O programa funciona na plataforma Claude, no Vertex AI do Google Cloud e no Microsoft Foundry. No Amazon Bedrock, só para clientes elegíveis ao Enterprise Frontier Safeguards.

O que os testes mostram?

A Anthropic testou o Opus 5.5 no CyScenarioBench, com 10 desafios e 5 tentativas por nível. Sem o programa, todas as tarefas foram bloqueadas no primeiro pedido. No nível de defesa, 46 das 50 tentativas foram bloqueadas em algum momento e 4 passaram. No nível de red team, nada foi bloqueado e o modelo concluiu 34 das 50. A empresa diz que isso corresponde à taxa de 67,6% do modelo sem nenhuma trava. O CSO Online nota que 34 de 50 dá 68%. A diferença é pequena, e os 67,6% vêm de uma medição separada, do modelo sem travas.

Sakshi Grover, diretora de pesquisa da IDC, disse ao CSO Online que a avaliação foi feita pelo próprio fornecedor, sem verificação independente. Para ela, quando o modelo recusa menos, os controles precisam ficar fora dele. Deepika Giri, também da IDC, disse que o modelo em níveis só funciona se a verificação for real e continuar depois da liberação.

De onde vêm as 129 mil vulnerabilidades?

Os números são da Anthropic e foram reproduzidos por Reuters, CSO Online e The Hacker News. Parceiros do Glasswing acharam pelo menos 129 mil vulnerabilidades verificadas entre abril e julho de 2026. A varredura da própria Anthropic em código aberto achou mais 5,5 mil entre abril e outubro. Mais de 33 mil foram classificadas como críticas ou altas. A base são relatórios de 33 parceiros. Menos da metade informou quantas falhas corrigiu, e a empresa estima que o impacto real seja pelo menos cinco vezes maior.

O The Hacker News traz um contraponto. Uma análise da VulnCheck, de Patrick Garrity, publicada no fim de setembro, olhou 300 vulnerabilidades achadas pela Anthropic ou pelo Glasswing e encontrou só 2 exploradas na prática, 0,67% do total. Achar falha em volume é uma parte do trabalho. Corrigir sem criar falha nova é outra: a Veracode mediu que cerca de 44% das tarefas de geração de código por IA introduziram vulnerabilidade de risco nos seus testes.

Como chegamos até aqui?

Em abril, a Anthropic apresentou o Claude Mythos Preview e criou o Glasswing. Segundo a Reuters, o anúncio levantou o temor de que a IA invadisse software antes de ele ser protegido. Em 30 de setembro, o Google lançou o Gemini 4 Argon e liberou o modelo primeiro para quem defende redes, como a Marcio.AI mostrou. Os grandes laboratórios agora disputam quem chega antes aos defensores, com acesso controlado. A versão 5.1 do Mythos sai do grupo inicial e chega a um público bem maior.

O que isso significa para o Brasil?

Bancos, operadoras de telecom, distribuidoras de energia e órgãos públicos brasileiros se encaixam nos perfis do programa. O nível especializado cita infraestrutura de transferência interbancária, categoria em que entra a rede do Pix. Só que esse nível passa por avaliação em conjunto com o governo dos EUA. Uma organização brasileira de infraestrutura crítica que pedir esse acesso vai expor detalhes da sua segurança a esse processo.

Há duas contas a fazer antes de pedir. A primeira é de dados: a retenção é obrigatória para monitorar abuso, e até o Enterprise Frontier Safeguards sair os dados ficam com a Anthropic. Isso precisa passar pela análise de transferência internacional da LGPD. A segunda é de capacidade: com dezenas de milhares de falhas novas sendo achadas, a fila de correções de fornecedores de software usados no Brasil tende a crescer, e as equipes internas precisam de processo para absorver os avisos.

O que observar nas próximas semanas

A tese da Marcio.AI: até o fim de 2026, acesso verificado a capacidades de ataque vira padrão entre os grandes laboratórios, e a vantagem vai para quem já tem verificação, controles e retenção prontos. Ficam para trás as equipes que não conseguem provar os controles de segurança exigidos em todos os níveis.

Sinais para conferir: o lançamento do Enterprise Frontier Safeguards, a chegada do programa ao Bedrock sem restrição, o volume de CVEs com crédito a parceiros do Glasswing e a resposta de OpenAI e Google com níveis de acesso parecidos.

Fontes

Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção DeepTech do Watcher.

#MarcioAI #Anthropic #Claude #Ciberseguranca #ProjectGlasswing #GovernancaDeIA

Como este texto foi produzido

Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.


Leia também: Google lança o Gemini 4 Argon e libera primeiro para quem defende redes.

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